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Edição de 20-07-2022
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    Arquivo: Edição de 28-02-2010

    SECÇÃO: Crónicas


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    Ensino sénior

    Ensinar quem? Quem precisa, necessita ou pede ajuda, e disponha de possíveis “professores”. Bem, digo possíveis, pois nem todos os disponíveis têm qualidades. Ser professor requer: amor, dádiva, conhecimentos e “feeling”. Sem a optimização das características indicadas, não podem transmitir ou recolher dados, na informação e formação da apregoada cidadania.

    A Educação Sénior está, e vai estar, cada vez mais, na berra. Não será uma antiga e famigerada Educação de Adultos (saber ler e contar ou tirar a 4ª classe para a carta de condução), é a necessidade urgente de contribuir para a qualidade de vida dos idosos e melhor socialização.

    Seria de prever que Portugal, onde as famílias numerosas eram tantas, estaria hoje no “ranking” dos países mais envelhecidos do mundo? Dizem que somos o quarto da lista. Será?

    Se os excedentes dos nascidos em Trás-os-Montes colonizaram a África e Américas e, mais tarde foram obreiros do avanço moderno da França, Luxemburgo, Alemanha, os que teimaram em não emigrar estão sós, desolados e tristes.

    Não são as melhorias das condições sociais das aldeias desertificadas, incluindo estradas, electricidade, saneamento ou premiando os casais resistentes e ainda férteis, com cheques municipais ou do governo, que podem ver as crianças a rodeá-los. É a lei inexorável da evolução social que criou, cria e criará, a nova civilização. Só uma revolução ecológica será capaz de voltar a repovoar a terra como nos séculos passados – só por sobrevivência o Homem voltará à vida rural.

    Quando as crianças (o melhor do mundo como lembrou Fernando Pessoa) não tinham Escola, só podiam aprender, umas com as outras e com os adultos, as artes e os ofícios que os rodeavam. Agora, chegada a 3ª idade (iria dizer já 4ª idade), os idosos não podem aprender, isolados nos locais de nascimento, requerem, portanto, idas à Escola, para a aprendizagem do novo tipo de vida.

    Assim: As crianças dispersas por esse Portugal profundo, tiveram o direito tardio de frequentarem centros escolares, com transportes e alimentação; os seniores devem ter a disponibilidade de transporte, alimentação e outros cuidados, a fim de frequentarem escolas ou universidades, em centros escolares ou outros...

    É preciso incluir no ensino básico juvenil rubricas sobre gerontologia, principalmente o aprender a lidar com os mais velhos. É simples? Nem tanto assim. Saberão os nossos filhos e netos como tratar com os velhos?

    É preciso usar uma dicção diferente – falar baixo e devagar para serem ouvidos e compreendidos. A audição é diferente e o raciocínio, nos cérebros cansados, é mais lento.

    Apareceu, há uns anos, nas regras de trânsito e na melhoria de circulação de pessoas e veículos, um “slogan” dizendo: “Dê tempo a quem precisa”. Salvo erro, as gravuras televisivas mostravam um ancião a atravessar uma passadeira, de uma rua movimentada, e condutores de automóveis irritados, cheios de pressa. Não seria de disponibilizar aulas de formação para os que precisam de utilizar essas passadeiras?

    Quantos seniores sentiriam a felicidade de serem úteis? O trabalho pode ser pouco, mas como dizia o outro: – quem não aproveita é louco!

    Se é tão bonito ver os avós levar, com tanta alegria, os netos à creche ou ao colégio, outros contentamentos teriam na frequência do Ensino Sénior.

    Por: Gil Monteiro

     

     

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