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Edição de 30-04-2022
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    Arquivo: Edição de 30-01-2010

    SECÇÃO: Editorial


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    Janeiro frio e molhado enche a tulha e farta o gado

    Era um bom prenúncio este mês de Janeiro, se estivéssemos no início do século XX, mas não, já não se fabrica pano cru na Fábrica de Fiação e Tecidos de Ermesinde.

    Hoje a fábrica morreu e como tudo o que morre, aguarda que das suas cinzas renasça algo de novo, no mínimo com a mesma visibilidade, dignidade e importância de que ela foi símbolo nesta terra.

    Já não vivemos da agricultura, a indústria mais significativa desapareceu, será que apenas nos resta ser dormitório das zonas mais desenvolvidas que nos cercam?

    Resta-nos o comboio, esse meio de comunicação com que a revolução industrial nos brindou e continua a ser fundamental para a nossa cidade, conhecida por todo o país por ser ponto crucial do encontro das linhas do Douro e do Minho.

    Foto ARQUIVO
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    Mas foi este Janeiro e o início das comemorações do Centenário da Implantação da República que me levaram a pensar na vida dos homens de quem se fala sendo raramente referido o papel das mulheres, a forma como viviam, o papel que desempenharam na educação e formação dos filhos, homens e mulheres de hoje. Viviam-se dois mundos, quase sempre separados, o dos homens e o das mulheres.

    Marcaram pela sua diferença as professoras, primárias ou do liceu, por cá passaram algumas de boa memória que só não vou nomear com medo de me esquecer de alguma, mas mereciam que fossem lembradas pelo papel que tiveram na nossa educação e no combate ao analfabetismo. É evidente que também por cá passaram bons professores, mas não me levem a mal realçar as professoras. São estas pequenas coisas que fazem a grande diferença, hoje as mulheres têm acesso a quase todas as profissões e já se começa a equacionar a sua supremacia a nível do ensino, elas são em maior número e melhores alunas.

    As mulheres mais cultas, do fim do século XIX e princípio do século XX, estudavam Literatura, muitas foram escritoras, médicas, professoras, enfermeiras, e algumas republicanas, é o caso da Dra. Carolina Ângelo, a primeira mulher a votar para a Assembleia Constituinte, médica, viúva, como tal chefe de família, que conseguiu por essa razão autorização para votar.

    Em 1909 é fundada a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, com centenas de delegações, dirigida por Ana Castro Osório. Fundadora da Literatura Infantil em Portugal. Consta que foi ela e Adelaide Cabete que fizeram a bandeira nacional que foi hasteada na Câmara Municipal de Lisboa em 5 de Outubro de 1910. Colaborou ainda com Afonso Costa na elaboração da Lei do Divórcio.

    Será através da educação, do acesso ao conhecimento que se dará «o passo definitivo para a libertação feminina».

    A instrução nacional foi considerada como a grande preocupação da República, «porque é pela instrução que os povos se habilitam, se engrandecem e prosperam».

    Os republicanos sempre acreditaram na força e na importância da educação: «O homem vale sobretudo pela educação que possui».

    Criou-se o ensino infantil e o ensino primário gratuito e obrigatório.

    Criaram-se escolas normais para a formação de professores, escolas de enfermagem, escolas agrícolas, comerciais e industriais, a Universidade de Lisboa e Porto. Foram ainda criadas escolas “móveis” para o ensino de adultos e concedeu-se um maior número de bolsas de estudo. Apoiaram-se as associações recreativas e culturais, que nalgumas terras tiveram um papel muito importante, com salas de leitura e pequenas bibliotecas.

    Mesmo assim em 1920 mais de metade da população portuguesa continuava analfabeta.

    Este é um dado que muitas vezes esquecemos quando nos comparamos com outros países da Europa em termos de educação.

    Por: Fernanda Lage

     

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