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Edição de 31-07-2019
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    Arquivo: Edição de 15-10-2009

    SECÇÃO: Destaque


    ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS 2009

    Entre PS e PSD vitórias para todos os gostos – mais votos socialistas, mais câmaras PSD

    Com PS e PSD ambos a reclamar vitória nas Autárquicas, o maior número de Câmaras conquistadas pelo PSD em 2009 e a vitória concludente na Câmara do Porto permitiram a Manuela Ferreira Leite proclamar o encerramento do ciclo eleitoral com duas vitórias.

    É todavia uma vitória questionável a do PSD e as forças internas já começam a perfilar-se para a rendição de Manuela Ferreira Leite. Mais do que o discurso de Passos Coelho na noite das eleições, foi o de Luís Filipe Menezes que marcou o compasso e inaugurou as hostilidades.

    É que, se o PSD manteve a maioria das Câmaras, perdeu em número de mandatos e no total nacional. Mesmo se ganhou o Porto, perdeu Lisboa, mesmo numa coligação de direita contra o PS. Mesmo se ganhou Faro, perdeu Tavira, o que parece apontar aqui para uma vitória pessoal de Macário Correia, por uma unha negra (dezenas de votos de diferença). Mas, em contrapartida, perdeu Leiria para o PS, onde Manuela Ferreira Leite quis impor Isabel Damasceno contra a vontade da própria Concelhia. Mesmo a vitória no Porto será mais fruto da “virtude” de Rui Rio do que da Direcção do PSD.

    E se ganhou sete Câmaras ao PS, entre as quais Espinho e Faro (já referida), também é verdade que perdeu 26, entre as quais Leiria (já referida), mas também Barcelos, Miranda do Douro, Figueira da Foz e Trofa, além da igualmente já referida Tavira, entre algumas das mais significativas.

    OS OUTROS

    PARTIDOS

    REPRESENTADOS

    NO PARLAMENTO

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    Mas se estes resultados ainda permitiram ao PSD cantar vitória (conserva a presidência da Associação Nacional de Municípios e a presidência da Área Metropolitana do Porto), já as outras forças políticas em presença terão pouco a festejar.

    A CDU, com uma grande implantação a sul do Tejo, ainda conseguiu aguentar 28 Câmaras (perdeu quatro), conservando, por exemplo, a presidência de Setúbal. A norte do Tejo perdeu Marinha Grande, mas conservou Peniche. E a perda de mandatos é relativamente contida.

    Mas ficou mais uma vez claro que a CDU e o PCP (verdadeiro motor da coligação) têm mesmo assim uma grande implantação autárquica.

    Muito pior ficaram CDS//PP e Bloco de Esquerda, ambos a conservar, contudo, a presidência na única Câmara que já detinham, Ponte de Lima para o CDS (mesmo se, agora, já sem Daniel Campelo), e Salvaterra de Magos para o Bloco.

    Em número de mandatos nas Câmaras, o CDS perdeu 2, descendo de 32 para 30, e o BE subiu 2, subindo de 7 para 9, mas perdendo o importante lugar de vereador em Lisboa (mas a CDU também perdeu um dos 2 que aí detinha, dada a grande concentração de votos na lista socialista).

    Ficou assim clara a fraca implantação local dos dois partidos, em particular do Bloco de Esquerda, como aliás bem notou o seu líder Francisco Louçã, que parece ter já definido uma nova prioridade para os bloquistas.

    OS PEQUENOS

    PARTIDOS

    Quanto aos pequenos partidos não representados no Parlamento, na generalidade obtiveram poucos resultados positivos, sendo uma quase excepção o MPT, que ainda conquistou 14 mandatos em Assembleias Municipais e mais 48 em Assembleias de Freguesia.

    OS INDEPENDENTES

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    Por fim, um olhar sobre o fenómeno das candidaturas independentes. Elas cresceram em número, apresentando-se ao sufrágio em 49 concelhos contra 45 nas eleições anteriores, conservando sete presidências de Câmara, mas sobretudo subindo de 45 para 67 mandatos.

    Dificilmente se poderá fazer uma leitura homogénea sobre estas candidaturas tão díspares. Comecemos por verificar os independentes que estiveram ou estão a braços com processos judiciais (Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Fátima Felgueiras e Ferreira Torres), para constatar a salomónica decisão do eleitorado, que premiou Valentim e Isaltino (sendo que, contudo, o primeiro perdeu a maioria absoluta, mas o segundo a ampliou), mas em contrapartida castigou Ferreira Torres (que não conseguiu regressar ao Marco, sendo derrotado por Manuel Marques) e, surpreendentemente, arrasou Fátima Felgueiras, que perdeu as eleições depois de, entretanto, absolvida judicialmente.

    Quanto a outros independentes vindos da área do PS (à parte Maria José Azevedo, cujos resultados analisamos nas páginas seguintes), Narciso Miranda também falhou o regresso a Matosinhos, mas em Amares José Barbosa, agora sem apoio do PS, foi reeleito presidente. A sul, no Alandroal, João Grilo, ex-PS, derrotou a candidatura socialista, mas Ricardo Pinheiro, em Campo Maior, perdeu. Ainda a sul, Alfredo Barroso no Redondo, foi reeleito, e também há casos de ex-autarcas ligados à CDU que obtiveram bons resultados, caso de Luís Mourinha, que ganhou em Estremoz, e de Manuel Coelho, que ganhou em Sines.

    Os resultados não serão conclusivos, mas não custa muito acreditar que, face ao esgotamento do actual modelo político-partidário, a tendência será, nos próximos tempos, para o aparecimento cada vez mais frequente e estendido de candidaturas independentes, quer ao nível das freguesias, quer ao nível dos concelhos.

    Uma última palavra para a abstenção. Voltou a subir, mas moderadamente. Para as Câmaras, de 52,65 para 53,43%.

    Por: LC

     

     

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