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Edição de 31-07-2019
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    Arquivo: Edição de 15-10-2009

    SECÇÃO: Local


    Viagem ao mundo dos Templários

    Nos dias 4 e 5 de Julho, o Centro Cultural Alberto Taborda encerrou o ano lectivo com a realização de mais um passeio de dois dias que, desta vez, teve como pontos altos a visita a Ponferrada e Las Médulas.

    O grupo, que partiu da Escola Secundária de Ermesinde, fez em Valença uma breve “paragem técnica” e chegou alegremente ao primeiro destino – Ourense. Aqui começou o seu encontro com o mundo medieval ao visitar a Catedral e o seu fantástico Pórtico do Paraíso (século XII); “escaldou-se”, depois, na Fonte Termal de Las Burgas, esta ainda mais antiga, pois as suas águas já foram exploradas pelos romanos e pôde ver, ainda, outro dos ex-libris da cidade, a Ponte Romana que, como quase todas as pontes assim denominadas, não é romana mas românica. E, para não pensarem que esta gente só gosta dos monumentos antigos, os visitantes apreciaram, também, uma nova ponte pedonal que se balança estranhamente sobre o rio Minho, isto já depois de um generoso almoço.

    A tarde foi dedicada à visita da capital da Ribeira Seca, Monforte de Lemos, cuja origem Plínio e Estrabão situam entre os anos 900 e 600 A.C.

    Destaca-se o seu castelo altaneiro e o antigo mosteiro de S. Vicente, hoje adaptado a “parador”, isto é, uma bela estalagem. A parte baixa da cidade mereceu também uma paragem para ver o Colégio de Nossa Senhora da Antiga (século XVI) em cuja fachada, para grande surpresa dos presentes, se encontra, no meio de outros, o escudo de Portugal. Depois de alguma investigação, o grupo descobriu que isto se deve ao facto de D. Isabel de Portugal, filha de D. Manuel I, ter casado com Carlos V (Carlos I de Espanha), rei que fundou o Convento. Ficámos também a saber que os Castro, família a que pertenceu Inês de Castro, se instalaram em Monforte nos fins do século XII.

    Outro monumento emble-mático da cidade que se pôde observar foi a Ponte Velha, sobre o rio Cabe.

    Retomada a estrada, chegou-se a Ponferrada, a cidade templária, onde, após uma breve visita ao “casco” histórico, se fez a instalação no fantástico Hotel do Templo, que em tudo, do exterior ao interior, faz lembrar os tempos antigos. Foi aqui que, durante o jantar, a doutora Olga Trabulo distribuiu aos sócios da associação um pin com o recentemente adoptado logotipo do CECAT.

    O REGRESSO

    DOS TEMPLÁRIOS

    Em Ponferrada o grupo teve a sua primeira grande surpresa. Na praça do Castelo o ambiente era medieval e até uma tenda com aves de rapina (falcoaria) encontrou. E se, durante a tarde, ao visitar a feira medieval, já tinha avistado bastantes templários – alguns trazendo, por baixo do inconfundível hábito branco com a cruz vermelha, calças de ganga ou sapatilhas – à noite, parecia que toda a gente se tinha vestido a preceito para o grande desfile. Com efeito, celebrava-se a passagem da cidade do poder dos cavaleiros templários para o poder civil, consequência da extinção da Ordem do Templo em 1311, e refazia-se, em direcção ao castelo, o cortejo que transportava os símbolos templários: a Arca e o Graal. Para além de algumas damas e nobres, havia um mar de templários, incluindo homens, mulheres, crianças de todas as idades, gente de muletas e em cadeira de rodas e até mesmo um cão que, pela trela, corria alegremente à frente dos donos, exibindo a sua bela capa branca e vermelha.

    OS CAMINHOS

    DE SANTIAGO

    A manhã de domingo foi dedicada à visita de Villafranca del Bierzo, cidade de confluência de dois rios, o Burbia e o Valcarce e um ribeiro, com o belo nome de Barboriña. A cidade, num dos Caminhos de Santiago, tem muitos conventos que funcionaram como hospitais para tratar dos peregrinos. O grupo avistou a fachada de vários desses edifícios, assim como do Castelo, do século XVI, e visitou outros, com particular destaque para a Igreja de Santiago, do século XII, com a sua famosa Porta do Perdão que nos disseram que é a que está representada nas notas de dez euros e a Colegiata de Santa Maria del Cluniaco, reedificada em 1529, e que, apesar de nunca ter sido concluída, merece bem uma visita, sobretudo pelas suas estupendas abóbadas em xisto.

    Percorremos, ainda, a Calle del Agua, considerada, justamente, um verdadeiro museu de heráldica e encontrámos uma pequena rua que, pelas diversas placas e altos-relevos nas paredes, deve ser (ou ter sido) a “rua da Felicidade” lá do sítio.

    Seguiu-se um óptimo almoço na Moncloa de San Lázaro, uma antiga gafaria em Cacabelos que, só por si, merece uma visita e onde pudemos experimentar as cerejas em aguardente, uma espécie de ginginha regional.

    Seguiu-se um dos pontos mais aguardados da nossa visita cultural: Las Medulas, a mais importante mina de ouro no tempo dos romanos que começou a ser explorada no século I, ou melhor, o que resta do monte Medulio depois da Ruina Montium, uma técnica de mineração descrita por Plínio, em 77 d.C., que consiste em abrir cavidades e túneis numa montanha com grande quantidade de água que vinha, no mínimo, de sete longos aquedutos que drenavam os rios nas montanhas próximas. Pode-se dizer que eles “arruinavam as montanhas”, numa tradução directa do termo Ruina Montium.

    Após a vista espectacular do alto de um miradouro, que mistura o tom vermelho da terra com o verde da flora, visitámos o centro de interpretação que nos explicou tudo isto e nos mostrou, ainda, como a água era também usada para a lavagem do precioso metal.

    Estava completa a nossa visita. O regresso a Ermesinde não teve história, e chegámos a tempo de ir jantar a casa. Os pés precisavam de descanso, mas as mentes estavam cheias de imagens novas e fantásticas.

    Por: Odete Mendes

     

     

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