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Edição de 31-01-2021
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    Arquivo: Edição de 10-07-2009

    SECÇÃO: Especial


    XVI FEIRA DO LIVRO DO CONCELHO DE VALONGO

    Um passo à frente dois passos atrás?

    É a XVI edição da Feira do Livro do Concelho de Valongo, que decorre no Parque Urbano de Ermesinde desde a passada sexta-feira dia 3 e se prolonga até ao próximo domingo, dia 12.

    Certame que a pouco e pouco vem marcando uma presença no panorama cultural do concelho, este é um pequeno balanço, ainda a procissão vai no adro, desta edição de 2009.

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    A vida é feita de avanços e recuos e nem sempre o que se conquista agora, fica para sempre. Por isso é preciso lutar e lutar, muitas vezes contra condições adversas, para consolidar o que se conquistou. Vem este preâmbulo a propósito da edição deste ano da Feira do Livro do Concelho de Valongo, ainda a decorrer no Parque Urbano de Ermesinde até ao próximo dia 12.

    Como não pode ser um balanço definitivo e global, limitemo-nos por isso àquilo que já pode ser avaliado e, no que não for possível no todo, às primeiras impressões.

    No geral, podemos considerar a Feira, de novo muito positiva, isto num contexto cultural em que o gosto pela leitura e pelos livros precisa de muita educação e encorajamento.

    Não é à toa que se organiza um Plano Nacional de Leitura ou a iniciativa Hora do Conto, por exemplo, tudo isso se justifica bem.

    Depois, a somar a gostos que não foram muito desenvolvidos na comunidade – o preço a pagar por muitos anos de atraso cultural e analfabetismo – acresce a proximidade do Porto, que aqui ao pé da porta oferece a diversidade cultural àqueles mais exigentes nesse domínio.

    Por fim, e como bem dá conta o texto que “A Voz de Ermesinde” publica na página seguinte, e que faz um balanço inicial das expectativas e impressões dos livreiros presentes na Feira, a situação de crise faz-se sentir pesadamente, inquinando qualquer boa perspectiva de algum negócio.

    Como se tudo isto não fosse pouco, acresce a concorrência feroz que as grandes superfícies fazem a qualquer outro mercado do livro, e até a mercados especiais como costumam ser os espaços das feiras do livro.

    Disso mesmo nos deu conta a maior responsável pelo certame, Isaura Marinho, que nos contou a experiência, aquando da vinda do escritor angolano José Eduardo Agualusa à Biblioteca Municipal de Valongo, de ter sido confrontada com o facto de, nem nessa altura, o seu editor ter podido assegurar a venda de “Barroco Tropical”, o mais recente livro do romancista angolano, a um preço minimamente competitivo com os que – mesmo ali ao lado –, se praticavam numa grande superfície.

    Por isso, é tendo em conta todas estas condicionantes que tem que se avaliar a Feira de 2009.

    A nosso ver é positivo que se mantenha um número de pavilhões idêntico ao do ano anterior, continuando a Feira a expandir-se para o lado superior/poente do Parque Urbano.

    Estão presentes, de novo, através de diversos livreiros, algumas das mais importantes editoras do panorama dos livros em Portugal. Por exemplo, só para citar algumas, encontram-se representadas na Feira Guimarães Editores, Quetzal, Temas e Debates, Bertrand, Asa, Europa-América, Inquérito, Campo das Letras, Taschen, Esfera dos Livros, Assírio & Alvim, Relógio de Água, Livros Horizonte, Civilização, Porto Editora, Livros do Brasil, Presença, Texto, Caminho, Gradiva, Dom Quixote, Estampa, Oficina do Livro, & etc e Antígona, as duas últimas representadas por “A Voz de Ermesinde” , que além destas apresentava ainda os livros da Letra Livre e da Orfeu Negro.

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    Por isso, pode dizer-se que a Feira do Livro do Concelho de Valongo, mesmo realizada não muito depois da Feira do Livro do Porto – aonde decerto terão acorrido muitos munícipes ou, pelo menos, muitos dos munícipes com hábitos de leitura –, tinha, à partida, muitos motivos de interesse.

    É verdade que o preço do livro é, em geral, muito elevado para as posses das pessoas comuns, é verdade que muitos dos amantes do livro não é, em geral, nas feiras que arranjam os livros que lhes fazem falta ou que os desafiam, é verdade que as noites do princípio de Julho não estiveram por aí além convidativas, enfim, tudo isso é verdade, mas ainda assim, havia uma oferta...

    A Feira apresentava este ano, para além dos livros, e para muita gente, o principal motivo de interesse, um programa de animação feito, em boa parte com a prata da casa, mas ainda assim, muito equilibrado e interessante, não se pode dizer que foi por aqui que as coisas andaram menos bem, antes pelo contrário. Parecem ir longe os primeiros tempos em que, por vezes se recorria a uma animação um pouco, despropositada, digamos assim. E isto é positivo.

    O que falhou na Feira de 2009, se a compararmos com as dos dois últimos anos, foi a presença nela dos próprios escritores, afinal aqueles que, ao fim e ao cabo, são os grandes, os maiores responsáveis pela sua realização.

    Se olharmos para a programação dos anos anteriores e para a da Biblioteca Municipal, temos que ficar com a ideia de que, nesse domínio, depois de um passo em frente, se deram dois passos atrás. Há que recuperar!

    Por: LC

     

     

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