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    Arquivo: Edição de 10-07-2009

    SECÇÃO: Arte Nona


    Os Crimes Exemplares

    Em pleno decurso da Feira do Livro do Concelho de Valongo, achámos oportuno desviarmo-nos aqui um pouco das leituras da Banda Desenhada, em sentido estrito, e abordarmos uma obra muito especial, no domínio do humor negro, e que em Portugal conheceu duas edições bastante diferentes, ambas da Antígona, editora presente na Feira, onde está representada no stand de “A Voz de Ermesinde”.

    Estarão os leitores perplexos? Nós explicamos. É que enquanto uma das edições contempla apenas os finíssimos, apesar de negros, textos de Max Aub, a outra é soberbamente ilustrada por alguns dos melhores cartunistas internacionais, com destaque para muitos nomes famosos do mundo hispânico, entre os quais muitos de renome mundial.

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    Textos resultantes da recolha de confissões de criminosos, dizia deles Max Aub, nascido em França, de pai alemão e mãe francesa, que «a inspiração dos seus “crimes” provinha da própria realidade: bastava ler os jornais diários».

    Na badana da edição da Antígona precisa-se: «(...) Relatos curtos, secos e directos, em que se combinam igualmente a estranheza e até uma certa beleza poética, são sempre contados na primeira pessoa de quem confessa um crime. Tais confissões criminosas, que fazem desabrochar o imponderável humano em toda a sua grandeza maléfica, mas também, por vezes, inacreditavelmente ingénua, mantêm uma nada surpreendente actualidade, num mundo como o nosso, cada vez mais ficcionalmente real».

    A edição da Antígona aqui em causa, de capa dura, retoma a da espanhola (de Valencia) Media Vaca, de 2001.

    Mas estes “Crimes Exemplares” datam já de 1957, tendo sido publicados no México pela primeira vez. E em 1981, os Crimes ganharam o Grande Prémio do Humor Negro, em Paris.

    Será útil talvez referir que, tendo nascido em 1903, Max Aub se mudou para Valencia ainda muito novo, em 1914, tendo adoptado o espanhol como língua de criação. E em 1942 procurou o exílio no México, onde veio a morrer em 1972.

    A soberba edição espanhola da Media Vaca (retomada pela Antígona) «apresenta os delitos originais e junta-lhes os crimes perpetrados por 31 artistas maioritariamente espanhóis, que, usando o texto como fonte de inspiração, executaram ilustrações com recurso a apenas duas cores, encarnado (sangue) e preto (morte). Sobressai a versatilidade deste grupo representativo de artistas, que trabalham em diversas áreas: imprensa, banda desenhada, animação, desenho gráfico, publicidade, etc. (...)».

    Um post-scriptum de Max Aub, no fim do seu texto inicial (uma espécie de prefácio intitulado “Confissão”, proclama: «Ao contrário do que se poderia pensar, só duas confissões provêm de alienados. De uma maneira geral, os loucos foram uma grande desilusão.

    Os textos não estão classificados nem por temas nem por países. Por vezes, para comodidade do leitor, aparecem divididos em séries, a fim de evitar a monotonia, que é outro crime».

    Estava dado o mote.

    Eis alguns dos textos mais curtos:

    - Antes morta! - disse-me ela.

    E a única coisa que eu queria era fazer-lhe a vontade!

    Ou outro: Matei-o porque tinha a certeza de que ninguém me estava a ver.

    Um último: Coitado, era tão feio que, cada vez que o via, parecia um insulto. E há limites para tudo.

    Os autores gráficos que aqui prestam homenagem ao fino humor negro de Max Aub são uma bela galeria: Ajubel, Alfredo, Arnal Ballester, Asun Balzola, Miguel Calatayud, Mariana Chiesa, Chumy Chúmez, El Roto, César Fernández Arias, Miguel Gallardo, Paco Giménez, Artur Heras, Alejandra Hidalgo, Isidro Ferrer, Isol, Ana Juan, Sean Mackaoui, Max, Micharmut, Pep Montserrat, Eduardo Muñoz Bachs, Javier Olivares, Carlos Ortin, Javier Pagola, Raúl, Gabriela Rubio, Sergio Sanz, Santiago Sequeiros, Silvestre, J. E. Urrutia Capó e Fernando Vicente.

    Algumas das ilustrações merecem, realmente, todo o castigo. Deixamos aqui algumas delas, para aguçar todos os apetites.

    Por: LC

     

     

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