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Edição de 30-06-2020
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    Arquivo: Edição de 15-03-2009

    SECÇÃO: Crónicas


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    Esferográfica

    Se a palavra-chave para os tempos de crise é inovação, é bom lembrar o invento da esferográfica na escrita – os mata-borrões levava-os o vento!

    Quando lembro o professor Antunes, nos finais da segunda guerra mundial, ir, de carteira em carteira, carregar os tinteiros de porcelana de tinta, que preparava na secretária, vejo o abismo de como se escrevia e se escreve (pouco) nas escolas! As fotocópias e os grafismos dos quadros electrónicos não deixam exercitar a escrita, nem o raciocínio lógico. Os erros crassos das palavras sincopadas, enviadas em sms ou em mailes, são o reflexo da aprendizagem precária.

    Ao desenhar as letras, com a esferográfica, e não bater os caracteres no computador, sinto-me fossilizado. Gostaria de ter o privilégio de utilizar as novas tecnologias e navegar na Internet! (Qualquer dia vou fazer um curso intensivo).

    Se, como aluno da U.P, ganhei os primeiros tostões, ajudando a tirar a 4ª classe a uma cidadã portuense, oriunda de Celeirós do Douro, necessitada em tirar carta de condução automóvel, tenho que inverter os papéis, e pedir a um aluno do ensino básico para ser alfabetizado no uso das novas tecnologias!

    Escolhi o tema esferográfica por dois motivos fundamentais:

    – Ter assistido à exibição do filme Dúvida;

    – Lembrar o tempo de liceu de Vila Real.

    Se no filme, que recomendo, desde os alunos do 5º ano aos avós, se questiona a Escola Antiga (dos anos 40/50 do século passado), com alguns laivos de Escola Moderna, há um pormenor, ligado com a actividade do padre educador, em que o uso da esferográfica é tido como o objecto aliciador ao aluno negro! E mais não digo… Apenas realço, pedagogicamente, a vitalidade, sempre perene do amor e dedicação da freira novata com os educandos, dentro e fora da austera sala de aula! Quando a devoção e o respeito imperam, não há escola velha ou nova, há só escola agradável e cativante!

    Andava pelo segundo ano do liceu Camilo Castelo Branco, e ainda frequentava as salas do piso inferior, quando um aluno dos “grandes” andou à minha procura pelo corredor. Fiquei perplexo, quando o filho do “Antoninho do Talho” (famoso e conhecido corredor de automóveis da Vila, com Mercedes vermelho de competição!), ao saber que tinha uma esferográfica (oferta de um tio lisboeta, que passou férias na quinta de Provesense), a pediu emprestada para realizar ponto escrito de Geografia, onde tinha de decalcar uns mapas! Fiquei vaidoso com o pedido de um aluno tão conhecido. Mais tarde, quando recorri à garagem Ford da Estação, onde, era dono e gerente da garagem do pai, mandou rever a avaria do meu carro, e não mandou tirar a conta!

    É raríssimo perder uma esferográfica, tenho um truque…

    Quando a empresto, desde o carteiro aos familiares, fico sempre com a tampa ou carapuça na mão, no esquecimento da entrega, a tampa apela à restituição. Esta virtude vem do tempo da Faculdade, em que escrevia com a caneta de tinta permanente, e tirava a tampa do encaixe, guardando-a na mão, para ser mais leve – escrevia-se tanto!; as sebentas nem sempre existiam!

    Por: Gil Monteiro

     

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