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Edição de 20-07-2022
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    Arquivo: Edição de 20-12-2008

    SECÇÃO: Editorial


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    Presentes de Natal

    Não sou dos que se limitam a afirmar que Natal é todos os dias, que a solidariedade é para praticar todo o ano, que o consumismo desvirtuou todas as tradições natalícias etc., etc..

    Não se é solidário por obrigação, não se ama o próximo uma vez no ano, mas é importante que ao menos uma vez no ano nos lembremos dos outros, dos que morrem de fome, dos que sofrem os tormentos das guerras, dos que estão privados de liberdade, dos que estão longe das famílias, dos nossos amigos e familiares, dos que partiram e nos eram queridos. Ao menos uma vez no ano não estamos sós. Alguém dizia: «Ninguém tem o direito de ser feliz sozinho». É assim que entendo o Natal, acima de tudo uma época de partilha. Talvez por isso dê muita importância aos presentes, ou seja: não entendo este consumismo desmedido, estes gastos em inutilidades por obrigação.

    Era hábito em muitas famílias as mães fazerem camisolas, meias, luvas para toda a família, depois faziam-se os embrulhos com cartões desenhados pelos mais pequenos, presentes únicos, feitos com o tempo de cada um, presentes que não se compravam.

    Lembro-me de ter transformado todos os presentes de Natal nas figuras do presépio, todos trabalhamos nesse feito e no fim ninguém tinha coragem de os desfazer, até que alguém disse: vamos desmontá-los com muito cuidado e para o ano aproveitamos a ideia e continuamos a criar mais figuras. Quantas horas de trabalho, brincadeira e convívio entre familiares e amigos!

    Ensinar os mais novos a construírem os presentes, reutilizando objectos, reciclando outros, desenhando, escrevendo, utilizando os conhecimentos adquiridos nas escolas, construindo pequenos artefactos, desenvolvendo nos jovens o sentido prático de aplicação dos conhecimentos, a sensibilidade e respeito pelo trabalho dos outros.

    Envolvia-se também os jovens no arranjo da casa, na preocupação estética do espaço, para que apreciassem, valorizassem e não ficassem indiferentes ao mundo à sua volta, participando com a família na organização da ceia de Natal.

    São estas práticas que criam laços de união que nunca mais esquecem.

    Era à volta da lareira que, no fim da ceia, se lembravam também os que tinham partido, velha tradição desta região de Entre--Douro-e-Minho. A mesa sempre posta como símbolo de disponibilidade para quem chega, de entre os vivos ou dos mortos, na invocação do Natal como festa «que consagra, em volta da mesa da ceia, o próprio espírito da casa e da família, presente nos vivos e na evocação dos mortos queridos».

    E era junto da lareira que se deixavam os sapatos, botas ou até chancas, para receber os presentes.

    Quem não se lembra de acordar durante a noite e pé ante pé ir à lareira ver os presentes?

    É esse mistério, esse encantamento, que torna as festividades do Natal únicas, por isso não deixemos abafar o Natal com futilidades que levem outros a esquecê-lo.

    Por: Fernanda Lage

     

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