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Edição de 30-06-2019
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    Arquivo: Edição de 15-10-2008

    SECÇÃO: Arte Nona


    Uma outra cidade

    “New Harlem” é um álbum muito fresco, ainda sem edição em Português, editado pela Glénat em Março de 2008, e inserido numa série de álbuns com o título geral de “Uchronie(s), encomendados por esta editora ao cenarista Éric Corbeyran.

    A ideia forte da série, plasmada num total de 10 volumes (três tomos para “New Byzance”, três para “New Harlem”, outros três para “New York”, e ainda um último volume de cúpula a ligar toda a série, precisamente ante-intitulado “Épilogue”) é “brincar” com uma especulação de hipóteses em conceber a história em várias declinações alternativas. Daí o título geral da série.

    Neste volume de “New Harlem” (em três tomos), a obra de que aqui falamos, o desenho está a cargo de Tibéry.

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    Todos os dez volumes de “Uchronie(s)” têm títulos começados por R – os de “New Harlem” são “Rapt” – o volume de que aqui falaremos hoje –, “Rétro-cognition” e “Révisionnisme”. Quanto às restantes declinações são glosadas, no desenho, em “New Byzance”, por Chabbert – também em três tomos (“Ruines”, Résistances” e “Réalités”) – e em “New York”, por Defali, sempre em três tomos (“Renaissance”, “Résonances” e “Retrouvailles”). O último álbum, o tal “Épilogue”, tem por título “Réponses” e a assinatura do desenho fica, desta vez, a cargo de Chabbert, o desenhador escolhido para os três tomos da “cidade alternativa” de “New Byzance”.

    Éric Corbeyran, francês, nascido em Marselha no ano de 1964, é um reputado cenarista, já com uma longa obra na Banda Desenhada. Fez fotografia, ilustração e literatura infantil. Estreou-se, com 26 anos, como cenarista de Banda Desenhada. Já foi premoado no Festival de Banda Desenhada de Angoulême.

    Quanto a Tibéry, é um muito mais jovem quadrinista, de origem jugoslava (como Bilal), nascido em 1977 e formado na Escola de Artes Aplicadas de Belgrado.

    “Rapt” narra-nos a história da compra a uma família miserável, por um grande magnata, de uma criança com poderes divinatórios.

    O mundo tem aqui alguns aspectos diversos. Por exemplo, em “New Harlem”, o conflito étnico que opões afro-americanos e caucasianos tem aqueles na posição dominante e estes na mó de baixo.

    Esta inversão funciona exemplarmente para nos revelar melhor os mecanismos funcionais das sociedades de dominação.

    Como uma espécie de introdução, assistimos a um roubo na secção alimentar, no supermercado. O ladrão, que é sinalizado pelo proprietário, quer chama a polícia, é perseguido e abatido quando tenta fugir.

    Um criança assiste à cena, é Zack Kosinski que, vinte anos mais tarde, serve a estratégia económica de um grande grupo empresarial, propondo os cenários mais favoráveis. Ele é a criança dotada de dotes divinatórios, que foi comprada por um magnata entretanto acidentado.

    Hitória de revoltas sociais – uma série de motins ameaçam New Harlem –, de sedução – Zack não resiste aos encantos de Graziella, outra criatura dotada dos mesmo poderes, tudo se complica quando o protagonista não consegue expressar diante dos seus patrões, toda uma visão de caos e violência que a sua mente visiona, ameaçando arruinar um grande empreendimento.

    O desenho de Tibéry é muito expressivo e a obra carrega o doinamismo que se lhe exigia. Tibéry mostra-nos a grandiosidade da grande cidade triunfante, mas também os seus ghettos miseráveis, num contraste sempre presente e tenso na obra.

    Apresenta-nos uma grande variedade de planos e de ambientes. Não conhecemos as propostas de Defali nem de Chabbert, os responsáveis por plasmar a realidade alternativas das outras declinações da grande cidade. Mas a julgar por “Rapt”, “Uchronie(s)” merece toda a atenção.

    Por: LC

     

     

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