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    Arquivo: Edição de 31-07-2008

    SECÇÃO: Destaque


    XV FEIRA DO LIVRO DO CONCELHO DE VALONGO

    Jacinto Soares foi a “estrela” da XV edição da Feira do Livro

    “Ermesinde: Memórias da Nossa Gente” foi seguramente o best seller desta edição da Feira do Livro de 2008. A apresentação da obra na Feira, que ocorreu no passado dia 10 de Julho, uns dias depois do lançamento na Escola Secundária de Ermesinde, trouxe muitos curiosos da obra à Feira, vendendo--se exemplares às dezenas, como pãezinhos quentes.

    Não eram poucas as pessoas que, no stand de “A Voz de Ermesinde”, procuravam saber onde podiam adquirir o livro, à venda quase em frente, no stand da Ágorarte, onde o autor autografou muitos e muitos dos exemplares vendidos.

    Do ponto de vista comercial seria, pois, uma boa aposta da Junta de Freguesia de Ermesinde, responsável pela edição, se fosse preciso esse argumento para fundamentar melhor o lançamento da obra pela autarquia.

    O entusiasmo pelo livro era tão grande, que sucedendo a sua apresentação na feira num dia de chuva, o evento prosseguiu, cá fora, em frente ao stand do expositor, sem que ninguém arredasse pé, ainda que – de forma inédita – se pudesse ali assistir a uma estranha palestra em que os protagonistas e a assistência se protegiam, quer uns, quer outros, de guarda-chuva aberto.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Carlos José Faria, da Ágorarate, fez de novo a apresentação do currículo do autor , preparando os presentes para darem atenção ao autor deste «verdadeiro manual de Etnografia».

    Jacinto Soares falou da necessidade que tinha de escrever este livro, um impulso que lhe vinha de longe, tão incrustado na sua pele estavam as vivências, os costumes, cultura e mesmo as crenças do povo de Ermesinde.

    Um exemplo disso mesmo deu-o o próprio autor quando falou na sua fé na lenda do corredor, que o acompanhou na infância com uma tal força que se tornava difícil «distinguir o mito da realidade».

    Jacinto Soares lembrou mesmo o facto da sua avó lhe contar que o seu bisavô, tendo numa dada altura lançado uma foice às pernas do corredor para assim o fazer sangrar e libertar do seu amargo fado, ter recebido da parte deste um agradecimento tal que nunca mais foi esquecido, a tal ponto que uma vez, ao dirigir-se a Famalicão para comprar uma junta de bois, foi ali reconhecido pelo homem que ele libertou, que por isso mesmo lhe ofereceu os bois sem querer dinheiro em troca. Pois a lenda dizia que era preciso ferir o corredor, transformado num animal (geralmente cavalo) e com o fado de ser obrigado a correr sete estradas, sete fontes e sete pontes. Ao fazer sangue ao corredor, este voltava à sua figura humana, completamente nu, pois tinha deixado as suas roupas numa árvore muito alta.

    O fado vinha-lhe do facto de ser o sétimo filho de um casal e de o irmão mais velho não ser o seu padrinho.

    Ora, segundo lembra Jacinto Soares, a sua avó contava que, agasalhado o homem e providenciado o seu transporte para Famalicão, donde ele tinha vindo, se tinha sentido então portador de uma enorme dívida para com o homem que llhe fez findar o fado e assim se explica que a junta de bois nada seria em função de tal mercê.

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    Jacinto Soares falou ainda do cuidado havido na validação dos factos apresentados no livro, prometeu escrever um próximo, mais dirigido às questões do património e da toponímia, e lembrou uma ou outra curiosidade, como por exemplo o trabalho dos sineiros em Ermesinde – um dos carrilhões de Mafra foi substituído precisamente por um fabricado em Ermesinde – ou de como os lavradores iam buscar os caranguejos a Matosinhos para adubar a terra, e como os garotos os tentavam roubar como apreciado petisco, ou ainda de como corrigiu a lenda de Ermesenda, ou de como variavam os nomes de algumas das peças constituintes do carro de bois, para outras designações usadas na Maia ou em Valongo. E falou doutros nomes. Mesmo botânicos.

    Sabia o leitor que os conchelos também são conhecidos por umbigo-de-vénus, como a propósito da dificuldade ou identificar os termos, referiu o professor de História?

    E já agora (com a facilidade que nos dá hoje a internet), sabia que é precisamente o mesmo que bacelos, bifes, cachilro, chapéus-de-parede, cauxilhos, chapéu-dos-telhados, cochilros, copilas, couxilgos, orelha-de-monge e sombreirinho-dos-telhados?

    Ponha-se então a estudar o passado e... tome todos, mas todos os cuidados!

    Por: LC

     

     

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