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Edição de 31-10-2020
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    Arquivo: Edição de 30-05-2008

    SECÇÃO: Arte Nona


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    O fascínio da Banda Desenhada

    Durante o período de publicação de “O Mosquito” e mesmo antes, muitas revistas de banda desenhada (BD) foram publicadas em Portugal e algumas também famosas. As primeiras vieram muito antes de eu nascer, como aquela que é considerada a primeira revista portuguesa de BD que foi “O ABC-zinho”, publicada entre 1921 e 1925, por Stuart Carvalhais e o Arq.º Cottineli Telmo, que foi o realizador do primeiro filme sonoro português, “A Canção de Lisboa”. Até aí, só tinham existido algumas historietas avulsas, geralmente humorísticas, publicadas em jornais e revistas, a partir dos finais do Séc. XIX. É de notar que o primeiro balão com o diálogo, foi utilizado em Yellow Kid, de R. Felton, no “New Yorker World”, em 1895.

    Ainda contemporâneo foi “O Carlitos”, também de Stuart, em 1922, e “O Senhor Doutor”, de Carlos Ribeiro, entre 1933 e 1943, considerada uma continuação tardia de “O ABC-zinho”. Estas revistas eu já não as conheci mas existiam outras como o “Mickey”, de 1936, uma versão portuguesa duma revista americana de Walt Disney, publicada em vários países e em várias línguas e editada, no Porto, pel’”O Primeiro de Janeiro”.

    Também foram famosas “O Diabrete”, publicado em 1941, “O Pluto”, em 1946, “O Gafanhoto”, em 1948, o célebre “Mundo de Aventuras”, que se iniciou em 1949, e o não menos célebre “O Cavaleiro Andante”, que começou a sua publicação já em 1952, pouco antes de “O Mosquito” desaparecer, e que continuou pelos anos 60 e 70.

    No artigo anterior, publicado no n.º 802, já falámos n’”O Papagaio”, editado entre 1935 e 1949, e onde, como referimos, colaboraram dois artistas célebres: o pintor portuense Júlio Resende e o conhecido actor-desenhador, José Viana.

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    Nos finais dos anos 40 e princípios de 50, começam aparecer algumas edições brasileiras de revistas de BD americanas, num estilo e aspecto gráfico completamente diferente das habituais. Lembro-me, entre outras, do “GIBI” e do “GURI”, com novos heróis fantásticos, que usavam capa e máscara e voavam sobre os arranha-céus das grandes cidades americanas. Não eram pessoas normais, eram imortais e tinham poderes sobrenaturais que os tornavam imunes a qualquer ataque, como o Super-homem (Superman), originário do planeta Krypton, de gravidade superior à da Terra e que, na vida normal, era o tímido repórter Clark Kent, do “Daily Planet”, de New York. A Família Marvel, com um raio no peito em vez do “S” do Super-homem, com o Capitão Marvel, o Marvel Júnior e a Mary Marvel que, ao pronunciarem a palavra mágica Shazam!, faziam surgir um relâmpago e tornavam-se nos seres mais poderosos sobre a Terra, capazes até de a pôr a girar. Cheguei a ver o Capitão Marvel a puxar por um grosso cadeado preso a uma gigantesca âncora espetada na terra, para pôr a Terra a girar, quando o nosso planeta parou por acção do seu poderoso inimigo, o maléfico cientista Dr. Silvano. Outros ainda hoje são famosos e inspiradores de filmes fantásticos do cinema americano, como o Homem-Morcego (Batman), com o seu poder de voar com asas e máscara de morcego; o Homem-Aranha, que trepava pelas paredes dos prédios e se prendia a fios que tecia como uma aranha e com os quais amarrava os seus inimigos; o Capitão América e o interplanetário Flash Gordon, etc..

    É de notar que, nos princípios dos anos cinquenta, começaram a aparecer, com certa intensidade, os chamados discos voadores que se chamaram OVNI e as viagens interplanetárias estavam na moda, em romances, revistas e filmes.

    O meu entusiasmo pela BD, embora esmorecesse com a idade, nunca desapareceu completamente. Mesmo já homem lia e leio, com entusiasmo, qualquer revista do género como “O Príncipe Valente”, de Harold Foster, publicado, durante muitos anos, na edição dominical de “O Primeiro de Janeiro”. Hoje possuo quase todos os álbuns deste herói medieval do tempo do rei Artur da Bretanha.

    Nos finais de 1968 e durante os anos setenta, já trintão e casado com filhos, ainda assinei a revista “Tintin”, editada pela Editorial Íbis, Lda e distribuída pela Bertrand. Embora o seu titulo o sugira, esta revista não era dedicada exclusivamente ao célebre herói saído das pranchas de Hergé, mas também publicava as obras dos mais famosos autores da BD moderna, como Asterix, O Gaulês, de Uderzo/Goscinny, o famoso herói gaulês, com a sua poção mágica, e o seu possante companheiro Obelix, com o seu mini-cão Ideiafix, em luta contra os romanos; Lucky Luke, de Uderzo/Morris, o cow-boy da infalível pontaria contra os irmãos Dalton e Billy the Kid; Black & Mortimer, de Jacobs; Michel Vaillant, de Jean Graton; Bernard Prince, de Greg/Zag e Puce; Curentin, de Paul Cuvelier; Ric Hochet, de Tibet e Duchateau; Doc Silver, de Funcken e Duval. Os cómicos como Taka Takata, de Jo-el e Vicq, o piloto nipónico com os seus honoráveis e veneráveis; Modeste e Pompon e Spaghetti, de Attanásio; O Incrível Desiré, de Mittei; Cubitus, de Dupa; Zig e Puce e Achille Talon, todos de Greg etc. etc..

    O “Tintin” podia ser encadernado em grossas capas ilustradas (hardband) que a Bertrand fornecia e encadernava. Possuo quase todos os números, desde o n.º 1.

    Como um revitalizador e conservante dum espírito jovem, ainda hoje a BD continua a fazer parte da minha leitura, embora prefira histórias mais realistas como aventuras históricas, História, Religião, Ciência, Geografia, biografias, etc..

    Por: Reinaldo Beça

     

     

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