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Edição de 31-10-2020
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    Arquivo: Edição de 30-05-2008

    SECÇÃO: Local


    Dia Mundial da Diversidade Cultural e Desenvolvimento

    Um brinde à diversidade gastronómica

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Que segredos comuns poderão esconder as diversas gastronomias de cada cultura? É simples. A bagagem histórica e cultural de todos os produtos alimentares encerra em si uma íntima relação com a agricultura, crenças religiosas, relações sociais, economia e até com a política. Quem o diz é Maria Proença, especialista em Etnogastronomia. No passado dia 21 de Maio, no Centro Cultural de Alfena, discutiu-se a origem da alimentação, as suas relações com a liguagem, o crescente intercâmbio de culturas gastronómicas e, principalmente, a necessidade de abordar a cozinha de cada região, tendo sempre em conta a época em que esta se insere.

    Esta iniciativa surgiu como forma de assinalar o Dia Mundial da Diversidade Cultural e Desenvolvimento e foi promovida pela Agência para a Vida Local. Maria Proença é antropóloga, tem uma vasta experiência na área da Gastronomia, e colaborou com o Alto Comissariado para a Imigração e Desenvolvimento Cultural (ACIDI) na redacção do Guia “Sabores do Mundo”.

    «A história da cozinha assenta em todos os tempos e espaços do mundo e é a partir do contexto social, político e económico que a história da cozinha se vai fazendo», referiu Maria Proença.

    ESTREITA

    LIGAÇÃO

    ENTRE LINGUAGEM

    E ALIMENTAÇÃO

    «Há quem defenda que possivelmente a linguagem de cada país se criou a partir da cozinha», declarou a especialista em Etnogastronomia.

    A justificação reside no seguinte: «quando as pessoas adquiriam conhecimentos tinham necessidade de os transmitir, por exemplo havia alimentos que não se podiam comer porque eram venenosos e por isso, a linguagem ter-se-á se formatado para identificar os produtos», explicou. A alimentação teve assim um papel fundamental para a construção da linguagem. Mas não só. A alimentação servia também, antigamente, para fomentar a diferenciação social. «As pessoas até deixavam em testamento as especiarias, mas só as pessoas com algum poder económico o podiam fazer», declarou Maria Proença. Era também influenciada pelo contexto político, nomeadamente pelo surgimento de guerras e pela instabilidade que daí advinha.

    O ambiente sócio-económico tem também grande repercussão a nível da alimentação, originando um intercâmbio de culturas. «O processo habitual fazia-se através dos produtos e não das receitas, isto é, cada país tinha a sua maneira de cozinhar, com os seus produtos. Essas receitas quando partilhadas por outros povos, eram alteradas, quando por exemplo faltava um produto este era substituído por outro, o que dava origem a novas receitas».

    Desta forma a especialista em Etnogastronomia fala na impossibilidade de existência de uma cozinha autóctone. «Tudo resulta de um encontro com o outro», justifica.

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    Porém este intercâmbio de culturas e partilha só conheceu grandes avanços nas grandes cidades. Nas aldeias sempre houve grande resistência. Só há bem pouco tempo é que começaram a aparecer receitas referentes à cozinha africana, brasileira, e foram surgindo as «cozinhas compósitas».

    «Este encontro de sabores só está completo quando nos encontramos à mesa, na comensalidade e na partilha de conhecimentos sobre os alimentos. E, assim, voltamos à questões da linguagem», declarou Maria Proença.

    A palestra finalizou com uma breve apresentação dos projectos levados a cabo pela Associação para o Estudo e Promoção das Artes Culinárias – A Idade dos Sabores, da qual a oradora faz parte. Esta colectividade surgiu em 2001 e além de exposições temáticas possui também um acervo com mais de 2 000 objectos ligados à culinária e um pólo de documentação integrando uma biblioteca e uma videoteca.

    As iniciativas levadas a cabo são sem dúvida originais. São exposições que pretendem dar a conhecer produtos alimentares e têm nomes como “O “BI da abóbora”, “O BI do Porco”, abordando tudo, ou quase tudo o que tenha a ver com os produtos em questão.

    Outro exemplo é a exposição “Loiça que fala”, em que a loiça é vista como um suporte de mensagens, por exemplo sobre lugares, restaurantes, pessoas, etc..

    Por: Teresa Afonso

     

     

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