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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 31-03-2008

    SECÇÃO: Desporto


    Raul Santos faz a sua análise do CPN

    Dedicou com grande afinco 18 anos da sua vida ao CPN, 16 dos quais consecutivos, tendo nos últimos seis desempenhado funções de presidente de Direcção. Na edição passada do nosso jornal o seu sucessor no cargo directivo mais alto do clube, Augusto Mouta, abordando várias questões relativas à vida do clube, teceu duras críticas ao desempenho do seu antecessor. Como tal, neste número A Voz de Ermesinde quis ouvir as explicações e opiniões do anterior presidente cepeenista. Nas próximas linhas Raul Santos em discurso directo, apresenta de uma forma elegante e clara a sua visão sobre os factos mencionados pelo actual presidente do clube.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    A Voz de Ermesinde (VE):Uma das razões apresentadas por Augusto Mouta para justificar o seu regresso à liderança do CPN prendeu-se com o facto de que, na sua opinião, o clube caminhava para ser gerido por uma Comissão Administrativa. Esta era uma situação incontornável aquando da sua saída da presidência do CPN, ou haveria uma outra solução?

    Raul Santos (RS):Eu deixei o clube ao fim de 16 anos como membro da Direcção, sendo os seis últimos anos na qualidade de presidente. Aliás, na verdade foram 18 anos ligado ao CPN, pois antes desses 16 anos consecutivos já havia estado dois anos como chefe da Secção de Basquetebol. Na verdade estes últimos seis anos foram de muito desgaste, pois o CPN é hoje uma grande empresa. Eu já há algum tempo que vinha manifestando interesse em sair. Mas queria sair convencido de que haveria alguém que desse continuidade ao projecto que eu vinha liderando. Para mim esse alguém seria o Luís Gonçalves, meu vice-presidente da altura, o qual por razões profissionais e pessoais me disse que não tinha condições para assumir o [comando do] clube. Tentámos então resolver a questão com as pessoas das secções, mas ninguém aceitou formar uma lista. Aliás, insistiram para que eu ficasse como presidente, pois eles só aceitavam formar uma Direcção se eu continuasse como presidente, mas eu voltei a dizer que não ficava. Fez--se então a primeira Assembleia Geral (AG) para se elegerem os novos corpos gerentes, não tendo no entanto sido apresentada na altura nenhuma lista. Mediante isto eu voltei a reunir com todos os órgãos sociais do clube para se encontrar uma saída, reunião onde as pessoas voltaram a insistir para que eu continuasse, tendo depois insistido também com o Luís Gonçalves para ele formar uma lista porque, ao que parece, nesse dia o Luís ia ponderar a sua decisão inicial. No entanto, ele voltaria a manifestar que não estava disponível, pois tinha outros projectos, com alguma pena dele, e demos o assunto por encerrado.

    Isto, embora já constasse que o Augusto Mouta andava a preparar uma lista depois de saber que eu não iria concorrer. Não aparecendo nenhuma lista na primeira AG teve de se fazer uma segunda AG (uma semana mais tarde), e foi nessa sessão que o Augusto Mouta apresentou uma lista, embora já fôssemos preparados para essa Assembleia sabendo da existência da lista, que [formalmente] só foi apresentada nesse dia.

    VE:... Foi então assim que as coisas se passaram. Na entrevista dado ao nosso jornal Augusto Mouta fala do CPN como um filho dele, atribuindo a si próprio o mérito daquilo que o clube é hoje e do património que tem, em especial o actual complexo desportivo. É justo atribuir-lhe todos os louros que fizeram com que o CPN seja hoje um dos maiores símbolos desportivos do nosso concelho?

    RS:Concordo com isso em parte, e passo a explicar. Deve--se de facto à teimosia, ao querer, e à vontade dele o avançar para a construção do actual complexo desportivo, mas por outro lado discordo, pois quando ele diz o que diz em relação a este ponto é porque foi muito fácil avançar com aquele complexo. Isto porque recordo que, na altura, o clube vivia tempos de “vacas gordas”, pois na época cedemos o direito de superfície daqueles terrenos à Shell, hoje Repsol, que foi, digamos, a principal fonte de receita da altura. Depois, e já com o iniciar da construção do pavilhão, e como nós ainda tínhamos a nossa sede na Rua Rodrigues de Freitas, a Refer fez-nos uma proposta para abandonar as instalações onde estavámos, a troco de uma indemnização. Essa indemnização veio, e nós tivemos então inclusive de alterar o projecto do complexo, já que inicialmente aquilo era para ser apenas um edifício e depois passaram a ser dois, uma vez que a parte social seria transferida para lá.

    E depois tivemos também o dinheiro (apoios) do Governo, e da autarquia. Portanto, entrou muito dinheiro no clube nessa altura, e posso dizer que esses dinheiros, os quais não foram utilizados de imediato, deram, na verdade, para fazermos aplicações com eles, e os juros dessas aplicações praticamente bastaram para financiar a actividade desportiva daquela altura.

    Nós tivemos dinheiro para tudo, eram umas condições excelentes. Por isso, acho que era fácil fazer fosse o que fosse.

    VE: Augusto Mouta comprometeu-se a ter consigo um almoço mensal para o ajudar em assuntos que diziam respeito ao clube...

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    RS:Isso não é assim. Tratava-se de um almoço entre três amigos, eu, ele, e outro anterior dirigente, o Francisco Campos Almeida. Nós já antes tínhamos esses almoços, que não eram feitos com a regularidade de todos os meses, prática essa que tivemos durante uns dois anos seguidos. Agora, o que eu estou a ver através da entrevista do Augusto Mouta ao jornal é que, pelos vistos, ele pensava que esses almoços serviam para eu lhe contar a vida toda do CPN, e isso não passa pela cabeça de ninguém. A gestão era minha e dos meus colegas, a gestão dele já tinha passado. Agora quando diz que nos daria toda a ajuda necessária isso é verdade. Aliás, eu agora quando saí do clube também disponibilizei toda a minha ajuda à actual Direcção, mais concretamente com o António Jorge, que é o homem das finanças, para tudo o que fosse preciso.

    Não quero dizer com isto que, para ajudar, eu vá marcar um almoço todos os meses com os actuais dirigentes.

    As pessoas quando quiserem a minha ajuda pedem-na. Estaríamos muito mal se, na verdade, durante um mês andássemos ali sem fazer nada e num almoço fizéssemos tudo. Só estranho é que ele diga que me comecei a distanciar quando na verdade não houve distanciamento nenhum. A situação em que ele se ofereceu para ajudar aconteceu quando tivemos uma caldeira que rebentou, a qual conseguimos reparar através de uns amigos que frequentavam o pavilhão. Uma “brincadeira” que, na altura, ficou por 600 contos na moeda antiga. Ainda antes do problema ser resolvido ele disse que ia ver se arranjava alguém que desse uma ajuda (financeira) para solucionar o problema, mas o que é certo é que não conseguiu arranjar. Nesta história dos almoços a conclusão que se tira é que ele pelos vistos queria continuar a gerir o clube, e isso não podia ser.

    UM CAPRICHO DE MOUTA

    VE:E a questão dos azulejos, que segundo Augusto Mouta parece ter sido a “gota de água” para este corte de relações entre ambos?

    RS: Nós quando criámos a campanha do azulejo fizemo--lo com a finalidade de arranjar verba para comprar uns cacifos novos, pois os que tínhamos estavam podres, e já nos tinham dado alguns problemas, mais precisamente quando numa ocasião caíram em cima de um miúdo. Aliás, a nossa sorte foi que esse miúdo era filho do coordenador da piscina, o Nuno Lobo, e como tal a situação resolveu-se, pois se fosse com outro miúdo poderíamos ter tido problemas sérios com os pais. Inclusive, o Augusto Mouta disse que conhecia alguém capaz de reparar os velhos cacifos, e como tal andámos num sucateiro a ver se conseguíamos resolver o problema. Acontece que a reparação ficava mais cara do que comprar uns novos.

    Avançámos então para a compra de novos cacifos, que custavam 20 000 euros, além de que tínhamos a necessidade de informatizar quer o ficheiro dos utentes da piscina quer o dos sócios, algo que nos iria custar 5 000 euros. Eram pois 25 000 euros no total, e avançámos para a campanha dos azulejos (autografados por diversos amigos do clube). Campanha que, por sinal, ficou aquém do esperado, uma vez que ainda lá há muitos azulejos. Mas o que é certo é que, em termos financeiros, resolvemos o problema. Muita gente ajudou o clube na altura, e ele disse também que queria reservar uns azulejos, não sei se eram doze ou dez. Como nós fizemos um desenho para pôr as cores do clube, brancos a maioria mas também azuis e meia dúzia vermelhos, ele disse--me que queria os azuis, se bem que na altura alguns já estivessem vendidos. Eu andava sempre a dizer-lhe para ele se decidir, pois ele nunca mais dizia nada. Atenção, que não era pela questão do dinheiro, porque isso eu sabia que tinha seguro, que ele mo dava, agora eu queria era que ele se decidisse, uma vez que ele estava a retardar todo o processo da colocação dos azulejos. O que é certo é que nunca lá pôs os azulejos, e a Direcção dele leva já quase um ano de mandato e ele ainda não pôs azulejos nenhuns. Os azulejos dele não estão lá porque ele não quer, porque ainda tem lá muitos azulejos, e diga-se que tem ainda alguns azuis como pretendia. Se ele no fundo quisesse, já tinha colocado lá os azulejos, pois o interesse disto tudo era ajudar o clube. No entanto, tudo isto foi um capricho dele. A “gota de água” que ele diz ser por causa dos azulejos é falsa, eu sei qual é a “gota de água” para o corte das nossas relações, mas não a digo no jornal, porque se eu a fosse dizer ele é que ficava mal. Como tal, espero que seja ele que tenha a coragem de dizer o porquê do nosso corte de relações. Corte esse que foi feito antes da primeira punhalada que ele me deu, quando veio para o jornal (em Abril de 2004) denegrir a minha imagem, dizendo que eu não fazia nada, que era um presidente de gabinete, etc.. Acho que se comentasse as verdadeiras razões do nosso corte de relações eu iria ridicularizá-lo, e isso não quero fazer. Agora, se ele quiser, que diga quais são essas razões.

    HONESTO E LEAL

    VE: O actual presidente considera que encontrou o clube num devaneio...

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    RS: Uma coisa é eu zangar--me com ele ou ele zangar-se comigo, para mim isso são coisas secundárias. Agora quando me falam na questão das dívidas e do caos, aí já mexe com a integridade de uma pessoa. Eu não sou o melhor do mundo mas sou igual aos melhores em questões de honestidade e de lealdade. E quando se mexe em valores dos quais ele fala, tem de se deixar claro que essas são dívidas do clube. Eu posso dizer que sou conhecido no clube como o Tio Patinhas, o Fuínhas (por ser extremamente poupado), críticas que me faziam e que prefiro que me chamem isso do que digam o contrário. Todos os cêntimos eram contadinhos, toda a Direcção sabia o dinheiro que entrava, o que saía e o que se gastava. A gerir o clube fez-se sempre o melhor que se sabia e que se podia. Em termos de dívidas é evidente que um clube como o CPN tem de ter dívidas forçosamente, agora o que eu lhe posso garantir é que as dívidas que o clube tem estão ou contabilizadas ou contratualizadas e com planos de liquidação. E sabe quais são essas dívidas? Uma delas é a que se fez ao banco, um empréstimo que se fez no tempo dele (enquanto presidente de Direcção), e que na minha Direcção negociámos com o banco num médio e longo prazo para ser liquidada em 20 anos. Quando a minha Direcção saiu nós tínhamos pago 66 prestações. Essa era a principal dívida que o clube tinha e tem.

    Outra dívida que o clube tinha era uma que estava já contratualizada com a empresa Portgás, da qual já pagámos três prestações, faltando pagar nove.

    Deixámos ainda outra dívida, mas aí, na própria reunião que eu tive com a nova Direcção, fiz saber da existência dela, que é à EDP, dívida essa que tinha mais de um ano, mas como eu lhes mostrei no próprio recibo, a EDP nunca nos pediu essa verba. Na verdade são duas facturas de 6 000 euros, uma transferência da EDP Corporate, porque nós tínhamos electricidade através da Ibéria e como, ao fim de dois anos acabámos o contrato com essa empresa, e eles andavam atrasados três meses na facturação, debitaram tudo à EDP. Continuámos a pagar à EDP normalmente as nossas facturas mensais, mas essas duas facturas que vinham de trás ficaram por pagar. Deixámos andar, pois quando eles se lembrassem cá estávamos para negociar e isso foi dito à actual Direcção. Agora, ao que parece, dois meses depois de eles terem tomado posse, a EDP veio reivindicar esse dinheiro. E parece-me uma contradição ele dizer no jornal que dentro de dois, ou três meses as dívidas dos clube serão liquidadas, isto quando ainda só tem 10 meses de mandato, ou seja, se são grandes dívidas passados 10 meses já estão todas liquidadas? Posso aqui dizer que o valor das dívidas que herdei aquando do meu primeiro mandato, além das dívidas que já falei, ou seja, a do banco, era de 545 000 euros, e não vim para os jornais dizer nada. Já nessa altura tivemos de negociar casos que estavam pendentes, que já vinham de trás, até porque eu estava dentro dos assuntos, pois fazia parte da Direcção presidida por ele, mas a minha Direcção é que teve de resolver esses casos. Se ele diz que passados dois, três meses, já está tudo resolvido é porque afinal não eram assim dívidas tão grandes, aí está a dar um tiro no pé.

    VE: E em relação ao caos de que Augusto Mouta fala que encontrou quando voltou a assumir os destinos do CPN?

    RS:O caos de que ele fala tem a ver com os equipamentos. Quem visitar o CPN vê que o pavilhão parece que já tem uns 20 anos, mas isto há cinco anos também já parecia, ou seja, aquilo é defeito de construção, que origina infiltrações de água.

    É evidente que no clube não há nenhuma verba que se possa retirar para manutenção, esse é o grande mal. Temos dinheiro para pagar o dia a dia, mas para questões de manutenção é mais difícil, aliás, eu costumo dizer que uma lâmpada fundida é uma dor de cabeça no clube. Agora, vamos falar de caldeiras e de desumidificadores. Nós temos responsáveis por verificar esses equipamentos, que são os tratadores de água, são os homens que lidam com toda a aparelhagem, pessoas que continuam lá, e que percebem daquilo, aliás só tenho a dizer bem deles. E muitas vezes eles diziam-me: Raul Santos, nós vamos remediar esta situação, mas olhe que é preciso depois quando fecharmos a piscina para limpeza e manutenção ver isto! E todos os anos quando fechavámos em Agosto 15 dias, essas obras de fundo eram feitas. Chegámos, por exemplo, a funcionar com três caldeiras porque uma estava a verter e encontrava-se desligada. A piscina tem quatro caldeiras, mas três garantem a sua manutenção. E quando fechávamos eram só os tais 15 dias em Agosto, e nunca um mês, como acontece agora, para limpezas e manutenção. Em relação aos desumidificadores há que dizer que existem dois, os quais estavam avariados, mas estavámos à espera que chegasse Agosto para irem lá arranjá-los. A questão da manutenção é uma coisa que custa muito ao clube e nesse campo nós íamos sempre até à ultima, e remediavámos muito com a prata da casa. O António Macedo, do bar, foi um grande colaborador da nossa Direcção em questões de reparações, pois quando se soltava uma mola de uma porta, entre outras coisas, eu chamava-o logo. Agora, por exemplo, a porta dos balneários está avariada há cerca de três meses e ainda não foi reparada, e no meu tempo essas coisas eram tratados pelo Macedo. E ao que parece esta nova Direcção prescindiu dessas ajudas – gratuitas – da prata da casa.

    A AUTONOMIA

    DAS SECÇÕES

    VE: A questão da autonomia dada às secções também é posta em causa pelo actual presidente. Como encara esta opinião dele?

    RS:Ele diz que encontrou cinco clubes dentro de um clube, não é? Eu já disse que ele geriu o clube nos tempos das “vacas gordas”. Hoje é impensável ter a gestão da piscina e parte envolvente, aliada à vertante desportiva, a ser suportada apenas pelo clube. Isso só será possível para o Augusto Mouta, porque ele quer estar em tudo, quer ter protagonismo em tudo. A autonomia foi um trabalho que custou muito a ser concretizado, não foi tudo feito ao mesmo tempo, começámos pelo basquetebol, depois a natação e o polo, e só depois o andebol e a pesca. Nós dissemos às pessoas responsáveis pelas secções que só podíamos dar-lhes o subsídio que a Câmara Municipal de Valongo (CMV) dava ao clube, subsídio que seria dividido pelas secções, e que em termos de outros custos nós não tínhamos capacidade para os suportar. No entanto, de toda a publicidade que arranjassem, o dinheiro iria para as secções, e portanto cada secção arranjava dinheiro para si.

    Antigamente as secções não cobravam um cêntimo aos atletas, e foi na minha Direcção que nós avançámos com essa questão. Agora é evidente que o basquetebol criou um preço, o andebol outro, porque as despesas não são iguais para todos. O basket participa num Campeonato Nacional, onde tem de ir aos Açores e à Madeira, e o andebol não tem, compete essencialmente a nível regional, e a natação também. A nós custou muito pôr o clube a funcionar assim, mas deliberámos a autonomia às secções e não tivemos mais problemas. Quanto às dívidas das secções, o clube sabia que elas existiam, mas essas são dívidas a pessoas das secções, porque (com a autonomia) eles é que se auto-financiavam. Precisavam de um sem número de coisas e quem é que tinha dinheiro? Eram eles. Não é fácil arranjar pessoas para assumir as secções, pessoas que estejam dispostas a ter este tipo de chatices, e ter muitas vezes de adiantar dinheiro do seu bolso. E portanto os principais credores das secções são os próprios responsáveis por elas. O que acontece agora é que as pessoas foram maltratadas, e quando ele (Mouta) acabou com a situação da autonomia, essas pessoas foram escorraçadas e começaram então a pedir o dinheiro delas, porque se elas ainda lá estivessem nunca pediam o dinheiro. Convém referir que nestes seis anos em que fui presidente do CPN nunca nenhum atleta, treinador ou seccionista chegou à beira da Direcção a pedir dinheiro que lhe deviam. Nós sabíamos que fazia parte dos relatórios do clube o facto de que as secções deviam, mas sabíamos a quem elas deviam, ou seja, às próprias pessoas da secção. Nós não devíamos nem a federações, nem a associações, nem a fornecedores. Mas como ele acabou com a autonomia, porque ele quer é protagonismo, essas despesas passam agora para a Direcção. Despesas essas que têm de constar do Relatório do clube, porque se isto é um clube desportivo tem de apresentar aos seus associados todas as despesas, e não vai ser a secção de andebol ou de basquetebol a fazer uma assembleia para apresentar as suas despesas. Quero dizer ainda sobre este tema que foi com a autonomia que o clube conquistou mais títulos nacionais, e aqui o mérito deve ser todo dado às secções.

    VE:E como vê a redução de 19 para 9 monitores como forma de poupar nas despesas?

    RS: Esse número (19) é falso. Em 2001 quando tomei posse tínhamos 14 monitores, e em 2007, quando saí, tínhamos 13, e nunca 19 como ele diz. O que acontece é o seguinte: para rentabilizarmos a nossa piscina pequena dividimo-la em três sectores. A piscina grande é utilizada para manutenção de quem sabe nadar, uma vez que a piscina não tem pé. Por vezes um monitor consegue dar as aulas a todas as pessoas na piscina pequena, porque há pouca gente e ele consegue fazer isso, mas se houver um ou dois monitores na manutenção na piscina grande, já tem de ser outro monitor a fazer o trabalho na piscina pequena, porque com o mesmo monitor ao ir aos dois lados corre-se o risco de haver problemas de segurança numa piscina ou noutra. Por vezes, e mesmo com pouca gente, tínhamos de ter sempre dois monitores. O que acontecia era que quando as turmas estavam cheias tínhamos de ter um reforço, e muitas vezes esse reforço ia lá para dar uma aula apenas, porque no fundo nós temos quatro ou cinco monitores que fazem as aulas todas e outros fazem “ganchos” (uma aula apenas). Tem de se dizer também que havia monitores que só davam aulas para bebés, outros só para hidroginástica, e neste campo uns só davam ao sábado e outros só à semana, e é por isso que aqui aparece muita gente. Havia ocasiões em que era preciso que as pessoas se desdobrassem. Agora também digo que se ele fez uma redução de 470 euros mensais não é por aí que vai dar independência (financeira) ao CPN. Devo dizer que fizeram uma coisa interessante na piscina e que, na minha Direcção só não se fez porque tinha de dispender 25 000 euros, e que foi a aquisição da manta. Sei por intermédio de um dos directoes que saiu que, com essa manta, o clube teve um ganho de 30% na conta do gás, e eu digo: muito bom! Se fossem 5% já era muito bom, pois estamos a falar na conta do gás, uma factura mensal que ronda a ordem dos 5 000 euros.

    Eu tive conhecimento de uma reunião que esta Direcção teve com os monitores, onde disse que tiveram muitas despesas com reparações na piscina caso contrário ela fechava. Ou seja, para reduzir os ordenados dos monitores contaram essa história. A piscina nunca fecharia, no nosso mandato a piscina nunca fechou a não ser naqueles 15 dias em Agosto para limpeza e manutenção. É certo que fizeram as reparações que disseram, mas também é certo que só o fizeram porque iniciaram funções em Julho, pois se o tivessem feito em Setembro não tinham tido estes problemas, porque em Agosto nós fechávamos sempre 15 dias para limpeza e manutenção, volto a repetir isto.

    VE:E o que pensa do aumento das quotas dos atletas para gerar receitas extraordinárias?

    RS: Para muita gente esse aumento foi mau, porque na minha Direcção estivemos três anos sem aumentar quotas, e aumentámo-las no nosso último ano de mandato, ou seja, em Setembro de 2006. Exactamente um ano depois as quotas voltaram a ser aumentadas, e foi um aumento puxado, pois posso dizer que em termos de senhas para banhos livres um sócio pagava 15 euros e passou a pagar 20, e os não-sócios pagavam 17,50 euros e passaram a pagar 25. Mas isso é uma questão de gestão e sei também que mesmo com estes aumentos o dinheiro é pouco para fazer face às despesas do clube, agora se calhar têm é de ser mais moderados com esta questão dos aumentos. Sei também que queriam que todos os atletas das secções pagassem mais 10 euros do que aquilo que já pagavam, e aí houve muitas chatices com os pais.

    VE: Acha viável que o clube daqui por dois, três meses, deixe pelo menos de dar prejuízo, como Augusto Mouta afiança?

    RS: Eu faço votos para que sim. Agora não sei se o conseguem fazer ou não. Já vi muitas coisas que não saíram conforme se pretende.

    «FAZER UM NOVO

    PAVILHÃO PARA QUÊ?»

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    VE:Augusto Mouta pretende avançar para a construção do novo pavilhão do clube ainda este ano e posteriomente trocá-lo pelo actual Pavilhão Gimnodesportivo de Ermesinde. Acusou-o ainda de ter metido o projecto desse novo pavilhão na gaveta.

    RS: De facto estava apalavrado com a CMV que houvesse a dita troca de pavilhões, para que assim ficássemos com as instalações todas no mesmo complexo. Neste momento isso não tem pernas para andar. É verdade também que eu meti o projecto na gaveta, tirei-o da gaveta e voltei a metê-lo outra vez na gaveta. Isto por uma razão muito simples, pois o projecto (e consequentes condidaturas a fundos governamentais) foi apresentado no tempo do Governo do Guterres. Quando esse Governo acabou nós tinhámos um projecto que seria financiado em 70% pelo Governo e 30% pelo clube, com ajudas da autarquia. Mas quando o Governo acabou o projecto veio para trás, foi chumbado. Mudou o Governo e mudaram os programas. E agora pergunto: vamos fazer um novo pavilhão para quê? A CMV não tem dinheiro para nos dar como ajuda, o clube também não. E neste momento temos um pavilhão (o Gimnodesportivo) que utilizámos sem pagar água, luz, manutenção e empregados. O pavilhão fica a custo zero ao clube. Em termos de presente espero que ele (Mouta) não faça outro “filho”, para quando vier embora os outros tenham de alimentar esse “filho”.

    VE:O CPN pode ser gerido de forma centralizada?

    RS: Eu não condeno que exista uma cabeça, mas não no aspecto controlador, como parece que vai agora acontecer, pois ele quer controlar tudo. No meu entender para tudo funcionar bem tem de haver uma descentralização, a tal autonomia das secções. Acho bem que haja uma cabeça a gerir o clube, e que seja a do presidente, mas que não seja a do quero, posso e mando, e que ele ouça as outras pessoas, sem gritarias. Pois se ele tiver a humildade de falar com as pessoas, saber ouvir, sem agressividade, vai ter sucesso na gestão do clube.

    Sinceramente, ele não era a pessoa que eu gostaria de ver ficar à frente do clube, pois o CPN nesta altura merece melhor. Mas por ele, não pela restante Direcção, de quem tenho as melhores referências.

    Nota: Esta entrevista foi feita na véspera da realização da Assembleia Geral do Clube de Propaganda da Natação, a qual decorreu no passado dia 29, na qual também apresentámos um resumo nesta edição.

    Por: Miguel Barros

     

     

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