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    Arquivo: Edição de 30-06-2007

    SECÇÃO: Editorial


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    Em honra de S. Pedro

    A chegada do Verão está associada a muitos festejos ligados à fertilidade, ao desejo mais profundo da conservação das espécies.

    Por todo o mundo encontramos rituais implorando a bênção dos deuses para a procriação, para a protecção das sementeiras, para a abundância das colheitas.

    É a vida que está em jogo, é para ela que pedimos a protecção divina para que haja pão, para que se protejam os lavradores, os pastores e os pescadores.

    Transportados, todos estes rituais, para o cristianismo, temos os Santos casamenteiros, e todos os rituais de adivinhação, de ambientes festivos que levam à aproximação dos jovens, ao início de namoros e toda esta associação aos Santos populares.

    São festejos que invocam a abundância e a partilha.

    Porque vivemos numa região em que as festas sanjoaninas são predominantes, esquecemos a importância das festas ao grande Santo que nos abre a porta do céu.

    O Centro Social aproveitou esta data para organizar, hoje, o seu arraial envolvendo todas as valências deste Centro.

    Os Santos eram figuras muito divertidas e o S. Pedro muito pouco formal, eu diria mesmo um grande animador…

    Habituados a ver um S. Pedro, sério, de uma certa idade, com um certo distanciamento formal, esquecemos que as festas em honra do S. Pedro também são divertidas, em especial nas zonas pesqueiras do nosso país.

    São festas com grandes tradições, como no Montijo, onde o “bodo” constituído por sardinhas assadas é oferecido a todos os visitantes.

    É uma festa de pescadores e inclui, como não podia deixar de ser, a bênção dos novos barcos e termina com um ritual pagão da queima do batel.

    Aqui mais perto temos as festas de S. Pedro da Póvoa de Varzim e de Viana do Castelo.

    Em Viana realiza-se a coroação de S. Pedro. Na Igreja de S. Domingos existem duas imagens em granito, uma de S. Pedro e outra de S. Paulo. No dia de S. Pedro enfeitam-se os dois nichos onde estão as figuras dos Santos, com hortênsias e outras flores da época. Uma criança é içada com a ajuda dos bombeiros até junto do São Pedro, colocando-lhe uma coroa de flores e um raminho nas mãos e beijando em seguida as faces do Santo.

    Em Nisa, o príncipe dos Apóstolos é o patrono dos lavradores. Aí a festa iniciava-se com dois porta-bandeiras, o lavrador que organiza a festa e o lavrador que fica com o encargo de a organizar no ano seguinte.

    Esta festa era muito curiosa, associada ao ritual do casamento. O lavrador que dava a festa organizava no quintal uma verdadeira boda de casamento. Toda a população colaborava emprestando as louças, como era hábito nos casamentos, e quando estas eram devolvidas iam acompanhadas de doces, como agradecimento.

    No fim da refeição fazia-se um brinde, os presentes retiravam vinho das palanganas de barro vidrado com umas púcaras de folha e o dono do quintal levantava-se e dizia:

    “ É com grande agrado

    e grande satisfação

    que vou beber à saúde

    de todos quantos estão”

    Em seguida levava uma maçã, cravada com um ramo de manjerico, e dava-a a cheirar a todos os presentes, até chegar ao lavrador que iria fazer a festa no ano seguinte, e mais uma vez se brindava. Desta vez quem fazia o brinde era o futuro organizador

    “ Vou beber este vinho

    vinho da cor da romã

    é com grande alegria

    que pego nesta maçã” *

    Penso que este ritual já não se realiza, mas achei tão bonita esta partilha, esta dádiva, esta forma de colaboração que se repete das formas mais variadas pelo nosso país, que me leva a pensar: Todos os pretextos são válidos para partilharmos a nossa vida, mesmo na festa do S. Pedro. Ou noutras…

    * Citado por Soledade Martinho Costa

    Por: Fernanda Lage

     

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