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Edição de 31-10-2020
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    Arquivo: Edição de 15-03-2007

    SECÇÃO: Destaque


    REUNIÃO DA JUNTA DE FREGUESIA DE ERMESINDE

    Águas levaram presidente da Junta a incendiar os ânimos dos seus pares

    A reunião pública da Junta de Freguesia de Ermesinde – primeira quarta--feira de cada mês para quem quiser assistir ou colocar qualquer questão aos autarcas – tem ficado compreensivelmente despida de público, que se desmotiva pelo andamento demorado das sessões. Tal foi o caso da última, realizada no passado dia 7 de Março. Em discussão estiveram a realização de campos de férias da Páscoa a promover pela autarquia, o dossier do mercado de Ermesinde, a criação de comissões, para alteração do regulamento do mesmo mercado e para a atribuição de subsídios, e a resposta a pedidos pontuais de subsídio apresentados por duas instituições.

    Mas uma reunião realizada na Junta a pedido das Águas de Valongo sobre a questão da despoluição do Leça e para a qual o presidente da Junta nem sequer avisou os restantes membros do Executivo, acabaria por ser o ponto mais quente da sessão.

    Fotos URSULA ZANGGER
    Fotos URSULA ZANGGER
    No período de antes da Ordem do Dia, a discussão acendeu-se cedo, logo após a primeira intervenção da comunista Sónia Sousa, quando a socialista Alcina Meireles questionou o presidente da Junta sobre quem tinha autorizado uma reunião sobre a despoluição do Leça ocorrida na Junta sem que os membros desta disso tivessem sido avisados.

    Artur Costa tentou justificar a falta de aviso aos restantes membros da Junta com a questão de que as Águas de Valongo, que tinham pedido o espaço para essa reunião, haviam solicitado que a Junta pusesse em contacto a empresa com um grupo de “cidadãos comuns” e, por isso, ele tinha excluído os restantes autarcas. Que não lhe tinha passado pela cabeça avisar, adiantou ainda, ou que não tinha tido oportunidade... Mas Alcina Meireles lembraria ao presidente que tinha estado em contacto com ele antes da reunião e que se não foi avisada foi porque Artur Pais expressa e intencionalmente não o fez. A autarca socialista acrescentou que se encontrava muito magoada, pois ela sempre se tinha interessado pela questão da despoluição do Leça e não merecia uma tamanha desconsideração.

    «O que fiz foi com boa intenção, não me importaria que estivesse cá», tentava Artur Pais...

    Sónia Sousa considerou esta situação grave. «Nós não estamos cá só para enfeitar a mesa», enfatizou. E questionou ainda: «Porque é que as Águas de Valongo têm um tratamento diferente?», já que outras entidades precisam da autorização da Junta (e não só do presidente) se solicitarem a utilização das suas instalações.

    Luís Ramalho ainda veio em socorro de Artur Pais, criticando o tom indignado usado por Alcina Meireles e justificando que «esta casa existe para servir os interesses da população de Ermesinde (...), não é para servir os interesses dos partidos políticos». E que teria estado presente, mas apenas para dar apoio técnico.

    Artur Costa afirmou também uma posição de repúdio pela atitude do presidente e lembrou que as Águas de Valongo eram uma empresa privada. «O problema do Leça não é político, não deve ser tratado por políticos?», admirou-se ainda.

    Almiro Guimarães daria a estocada final no assunto referindo que não estava preocupado com as 17 pessoas presentes nessa reunião, estava preocupado era com as que estiveram ausentes. E, finalizando, voltado para Artur Pais: «O senhor é um 1/7 do Executivo. Só o coordena, não decide por ele».

    INFORMAÇÕES

    DO PRESIDENTE

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    A sessão da Junta tinha--se iniciado com um ponto de informações dado pelo presidente da Junta sobre vários assuntos: a começar a prevista realização de um espectáculo comemorativo do 25 de Abril, a ter lugar no dia 22, com a presença do grupo Ervas de Cheiro, que terá lugar às 15h00 no Fórum Cultural de Ermesinde, seguida de um encontro-debate, no dia 24, com o historiador Manuel Loff (com Artur Pais a manifestar desejo de juntar alguém do PSD).

    A situação do viaduto sobre a via férrea iria merecer em breve, segundo anunciou a Refer, uma reabilitação, não estando em causa, contudo, questões de segurança.

    E ainda, entre outras informações sobre a eventual possibilidade, quando haja algum disponível de se colocar finalmente um ecoponto no Bairro Social de Sampaio (o que lá existiu, segundo a Câmara, terá sido vandalizado).

    Será também melhorada em breve a visibilidade da sinalização vertical na Rua Elias Garcia e repintadas as passadeiras existentes.

    Artur Pais informou ainda de um contacto recente com o novo comandante da esquadra de polícia de Ermesinde, de uma próxima apresentação da Carta Educativa do Concelho e do pedido de cedência das instalações da Junta por parte de uma empresa envolvida na área da nutrição.

    A INTERVENÇÃO

    DO PÚBLICO

    Passou-se a um período de intervenção do público, sendo intervenientes Telmo Vilar, que defenderia a atribuição da Medalha da Cidade, caso ainda não tivesse destino, a Faria Sampaio, Esmeralda Carvalho, que chamou a atenção para vários problemas, entre os quais a degradação dos serviços prestados pela EcoAmbiente no domínio da higiene da cidade de Ermesinde, e para uma paragem de autocarro nos Montes da Costa que deveria estar provida de abrigo.

    Do público só houve mais uma intervenção, do também persistente Armindo Ramalho.

    INTERVENÇÕES

    ANTES DA ORDEM

    DO DIA

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    Alcina Meireles levantou, além da questão inicialmente apontada, várias outras, sobre uma passagem inferior da via férrea, sobre a Rua Alberto Ribeiro, sobre a vedação e o dístico colocados nas obras em curso na Rua José Joaquim Ribeiro Teles. E referiu que gostaria de saber, afinal a quem pertence o terreno.

    Sónia Sousa interveio para considerar muito positiva a reunião havida com a Câmara a propósito do futuro do mercado de Ermesinde, informação essa prestada à Junta que só pecava por tardia. Elogiava contudo a intervenção da presidente da Mesa da Assembleia Municipal e, da reunião, tinha ficado com a impressão de que a intervenção do vereador com o pelouro lhe parecera honesta.

    E acrescentou que, pelos vistos, não será impossível nem difícil a Junta reunir com a Câmara quando tal se mostre necessário, bastaria que o presidente da Junta o pedisse. A autarca chamou também a atenção para duas situações em artérias da cidade, a Rua Rodrigues de Freitas, a ficar cada vez pior, e o fim da Avenida João de Deus, esboroada em cascalho (uma situação que, por coincidência, “A Voz de Ermesinde” abordou, na rubrica Maleitas, no seu último número).

    Finalmente, a eleita pela CDU apresentou uma proposta sobre a concretização da Corrida do 25 de Abril em Ermesinde (“Ermesinde Corre Livre!”), abordando na sua proposta, que apresentou por escrito, a questão dos patrocínios, divulgação, período de inscrições, percurso e investimentos da Junta.

    Na proposta a autarca sugeria um período inicial de animação, seguido de aquecimento, e a entrega, durante a prova, de água e sumos energéticos e igualmente de água e bolachas, no final.

    Sugeria ainda que as inscrições pudessem ser feitas noutro local que não apenas a Junta de Freguesia, para permitir fazerem-se inscrições em período pós-laboral. Para isso sugeriu uma conhecida casa comercial ligada ao comércio de roupa e material desportivo.

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    A divulgação, a ser feita através de cartazes, panfletos e cartas de sensibilização para os Grupos de Educação Física das escolas, devia também incluir distribuição de panfletos junto da estação de Ermesinde. O período de inscrições decorreria de 2 até 15 de Abril, com a entrega e envio da publicidade completa até 28 de Março.

    Artur Costa, sobre a questão do ecoponto de Sampaio considerou que este deveria servir a zona, independentemente de estar ou não colocado junto do Bairro Social de Sampaio. Denunciou a existência de uma montureira nos Montes da Costa e a degradação continuada de um troço da Rua Júlio Dinis.

    Acrescentou ainda a falta de resposta à não iluminação da ponte da Travagem, a necessidade de abrigos nas paragens de transportes públicos, o passeio escavacado à entrada da Rua Simões Lopes e a sua grande indignação pelo que se está a passar no Parque da Cidade.

    Almiro Guimarães denunciou o estado da Rua 5 de Outubro, a partir da Capela de S. Silvestre até às bombas de gasolina, acrescentou o mau estado da Júlio Dinis, o da Ramalho Ortigão, e questionou sobre a terceira fase da construção do edifício-sede da Junta.

    Luís Ramalho avisou o presidente da Junta sobre os interesses comerciais da empresa de nutrição que tinha solicitado a Junta, alertando para a abertura de um precedente que deveria ser evitado.

    E fez ainda o elogio de um jovem engenheiro residente em Ermesinde, recentemente convidado para realizar um estágio na Microsoft.

    A ORDEM

    DE TRABALHOS

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    Aprovada a acta da reunião anterior, discutiu-se a concretização dos campos de férias da Páscoa aprovados em Plano de Actividades, sendo que a Junta lhes apontaria uma perspectiva de sensibilização ambiental.

    A acção mereceu o consenso dos membros da Junta. Seriam realizadas duas actividades, uma de cinco e outra de três dias, com atelier de reciclagem e visita à Lipor e o acompanhamento das crianças a cargo da educadora da Biblioteca da Junta. Haveria um limite de 20 crianças para cada uma das actividades. Os materiais seriam financiados pela Lipor e pela Junta.

    Abordou-se depois a situação do mercado que, este ano, apresentou um resultado positivo de 106 euros. Discutiu--se a melhor forma de rectificar despesas desnecessárias do mercado, sendo uma hipótese a introdução de um contador de água para evitar os desperdícios. Também a alteração da taxa de electricidade, considerada muito baixa, é uma hipótese. Finalmente, foi abordada a questão do telefone, com Artur Costa a insistir que haveria abusos. A hipótese de utilização de telefone VOIP (por internet, muito mais barato), foi sugerida por Sónia Sousa, mas Luís Ramalho rejeitou a hipótese por ser incompatível com o sistema usado na Junta, justificou, sem convencer a autarca comunista.

    Os resultados positivos do mercado ter-se-ão ficado a dever, sobretudo, à substituição de um funcionário por um trabalhador contratado ao abrigo de acordo com o Instituto do Emprego.

    Quanto à constituição de uma comissão para rever o Regulamento do mercado, Sónia Sousa e, sobretudo Artur Costa, opuseram-se a que esta incluísse um elemento do Bloco de Esquerda. O socialista, além de colocar dúvidas sobre a legalidade de tal inclusão, comentaria ainda: «Se o Bloco de Esquerda foi convidado a integrar o Executivo e não aceitou, é porque não tinha interesse em discutir os problemas da cidade».

    Luís Ramalho defendia a inclusão por entender que tal poderia enriquecer a proposta a apresentar à Assembleia de Freguesia pela Junta.

    Uma outra comissão, agora para o Regulamento de atribuição de subsídios, foi também constituída, igualmente com um membro de cada partido a integrá-la.

    Finalmente foram discutidos os subsídios a atribuir à Escola Secundária (Torneio da Páscoa), União Columbófila e Junta de Freguesia de Campo. Neste último caso, com Artur Costa a opor--se: «O que tem piada é uma Junta vir pedir um subsídio a outra Junta!...». Nós depois pedimos-lhe para a nossa corrida, responderam-lhe.

    Por: LC

     

     

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