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Edição de 31-12-2019
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    Arquivo: Edição de 15-02-2007

    SECÇÃO: Arte Nona


    A BD em digressão pelo país

    Dois eventos de distinta natureza, mas ambos muito significativos do que pode ser a divulgação da Banda Desenhada em Portugal, fazendo-a circular fora dos habituais circuitos (leia-se Grande Lisboa e Porto) ocorreram esta quinzena (um deles ainda decorre) e não quisemos deixar de aqui os assinalar. Se é verdade que não se trata já de iniciativas pioneiras no que respeita a uma mera descentralização (sendo o caso mais conhecido o do Salão de Beja), eles merecem, pelo seu carácter e natureza, sobretudo o “@Comics” de Coimbra, uma palavra especial. Este acontecimento (numa acepção bem mais que literal), organizado inteiramente pelos alunos de Engenharia Informática da Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra, compreendeu uma grande variedade de eventos, como palestras, workshops, venda e troca de materiais e ainda um concurso de cartoon.

    Além do “Comics”, que destacamos, referimo-nos à cidade de Braga, onde desde o passado dia 8 de Fevereiro e até 8 de Março, na cooperativa cultural Velha-a-Branca, se exibem “Desastres no Espaço”, uma exposição em que se voltam a apresentar ao público os «restos mortais» de quatro exposições (de numerosos autores) que estiveram patentes em Lisboa, no quadro da Feira Laica (“Guerra Civil Portuguesa: Cenários”, “Grandes Desastres Históricos: Uma Antologia”, “Luta Livre: Coreografias Brutas” e “Animais no Espaço: Desastres Genéticos”, exposição esta cuja génese é também ela uma bela história.

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    Realizado entre os dias 8 e 9 de Fevereiro (sexta e sábado), o “@Comics”, cuja primeira edição (esperamos sequelas) decorreu em Coimbra, teve início logo na manhã do primeiro dia com a abertura da exposição e venda de banda desenhada e a sessão de trocas.

    Ainda nessa manhã iniciaram-se as palestras, sendo as hostilidades abertas por João Miguel Lameiras e Miguel Reis, com “A BD e o Cinema”. Depois de um intervalo para café, os trabalhos reiniciaram-se com o debate “Banda Desenhada como Propaganda Política”, que contou com os oradores Nuno Saraiva e Luís Fernandes e com Ernesto Costa como moderador da sessão.

    Depois do almoço um novo debate abordou a “BD como Fonte de Valores Éticos e Morais”, e esteve a cargo de Luís Fernandes e João Miguel Lameiras (Pedro Massano esteve inicialmente previsto e chegou a estar anunciado, mas avisou atempadamente a sua imprevista indisponibilidade). Foi moderador Bruno Cabral.

    Ainda nesse primeiro dia tiveram lugar, após as palestras e debates, dois workshops, “Iniciação à Banda Desenhada”, que esteve a cargo de Joana Lafuente, e “Manga: Traços e Coloração”, pela mesma formadora.

    Os workshops abordaram uma introdução às BD’s americana, europeia e oriental (japonesa, coreana...) e o uso de ferramentas digitais para técnicas de desenho de linhas e de pintura em cell shading e soft shading.

    Foram usados os programas de trabalho gráfico OpenCanvas e Photoshop.

    No sábado prolongaram-se naturalmente os espaços de venda/exposição e trocas, tendo a primeira palestra do dia estado a cargo de Nuno Franco e Pedro Moura, que abordaram a “Evolução da BD Franco-Belga e Italiana no Século XX”. Foi moderador da sessão Marco Vieira.

    O primeiro debate do dia, “BD Portuguesa: Que Futuro?”, contou com as intervenções de Leonardo de Sá, Marco Mendes e Miguel Carneiro, tendo como moderador Francisco Câmara Pereira.

    Seguiu-se a palestra “BD Sátira: Impacto no Mundo”, que contou com a presença de Osvaldo de Sousa e Zé Oliveira

    Esta mesma palestra deu depois origem (após intervalo para café) à realização de um debate sobre a mesmo temática. A moderação foi de Francisco Espiñeira.

    Finalmente, à noite, teve lugar a cerimónia de entrega de prémios do concurso de cartoon, o qual teve como vencedor Carlos Correia, com o cartoon aqui reproduzido. O júri foi composto por Carlos Pessoa, Leonardo de Sá, Osvaldo de Sousa e Zé Oliveira.

    O evento, notável pela qualidade dos intervenientes e pela afirmação de um espaço sério de reflexão, pesquisa e formação – ou não decorresse ele no âmbito de uma iniciativa universitária –, foi apresentado desta maneira pelos seus organizadores:

    «Mesmo antes do virar do Milénio nos vimos inseridos num imenso universo de tecnologias e novas fontes de informação e lazer, sempre em expansão e diversificação. Contudo, foi graças ao um pequeno conjunto de ideias, inovações e fantasias mais francas e primárias que nos permitiu chegar a esse todo visionário.

    É na perspectiva de regresso às raízes e progresso nas culturas que o @Comics se pretende colocar. Caracteriza-se como sendo um evento culturalmente apelativo e um local de encontro de gerações e ideais, com a Banda Desenhada como pano de fundo. Pretende-se que seja um passo principal na tentativa de continuar a fazer crescer o gosto pela banda desenhada, em geral, e pelos comics, em particular, aspirando a que esta vertente da sociedade continue a fazer parte da vida de todos nós, seja na sua forma simples e espontânea seja numa nova forma sonhadora e renovada».

    DESASTRES NO ESPAÇO

    NA VELHA-A-BRANCA

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    Quanto a “Desastres no Espaço” – repetimos, patente até 8 de Março na Velha-a--Branca, em Braga –, ela resgata as exposições resultantes dos trabalhos que André Lemos, João Maio Pinto, Jucifer, Rosa Baptista, José Feitor, Luís Henriques, Lars Henkel, Edgar Raposo, Teresa Amaral, Daniel Lopes, Daniel Lima/Cátia Serrão, Ana Menezes, Joanna Latka, Filipe Abranches, Mina Anguelova, Lucas Barbosa, Bàrbara Rof e Artur Varela realizaram, dentro do maior «caos visual e cacofonia (...), no bar Espaço [em Lisboa, onde também decorre a Feira Laica], onde trabalharam laboriosamente sobre papéis e paredes, entregando-se com volúpia àquilo que fazem melhor: preencher vazios. Fruto de uma sinergia de contornos difusos, cuja história levaria demasiado tempo a contar, a iniciativa Laica no Espaço ofereceu o melhor da cultura subterrânea e do comércio alternativo: concertos, exposições, pintura mural ao vivo, sessões de desenho automático, feiras de fanzines e trocas de discos. A Feira Laica, em Dezembro, foi o corolário desta empreitada cultural independente, num verdadeiro deboche de comércio cultural justo, sem patrões nem intermediários».

    Todo um programa de que esperamos, não cheguem só os restos mortais a Braga.

    Por: LC

     

     

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