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    Arquivo: Edição de 15-02-2007

    SECÇÃO: Crónicas


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    Os Senhores do Mundo – a Europlutocracia

    Vejam o que se passa no mundo e depois não digam que não tenho razão no meu "Matai-vos uns aos outros" de que os revisores do JN não gostam muito e não querem publicar o último capítulo, uma obra-prima até pouco vulgar no nosso país.

    Neste momento, o futuro do Iraque está a ser discutido na Casa Branca e o presidente Bush e seu staff é que vão dizer como vai ser. Isto é às escâncaras, porque não poderá ser feito de outra maneira. Mas o futuro da Europa e do Mundo não será assim decidido?

    Já o está ser sub-repticiamente. Para isso, foi feita a União Europeia, onde actuam os grandes organizações patronais e empresariais como a ANCHAM (Câmara de Comércio Americana), com o seu "comité europeu" e a ERT, European Round Table (Távola Redonda Europeia), filial da Business Round Table (BRT –Távola Redonda de Negócios), organizações americanas que influenciam toda a política económica e até política da Europa, a caminho da globalização total. Note-se que formam távolas redondas como o lendário Rei Artur da Bretanha. Actuam na Comissão Europeia (CE) e no Parlamento Europeu (PE), onde estão instalados lobbies com cerca de 10 000 agentes respectivamente em Bruxelas e Estrasburgo. O relatório elaborado pela ERT, intitulado “Remodelar a Europa”, sobre desenvolvimento, competitividade e emprego (que eu prefiro antes dizer desemprego, pois quando falam em emprego, deve--se ler desemprego, lembram-se dos 150 000 empregos?) teve grande influência no Livro Branco de Jacques Delors e no famoso, misterioso e tão sonegado (pelos nossos políticos) Tratado de Maastricht, que transformou a CEE na UE e nos pôs nesta situação. Tudo isto é obra destes grupos de pressão cuja actividade incide principalmente sobre a Criação do Mercado Único, Privatizações de Serviços Públicos e Flexibilização das Leis Laborais. Precisamente o que está a acontecer cá e nós a pensarmos que era da nossa iniciativa!

    Ilustração RUI LAIGINHA
    Ilustração RUI LAIGINHA
    É tal a promiscuidade entre a UE e esta gente que os patrões das grandes multinacionais têm acesso directo à Comissão Europeia (CE) e influenciam toda a sua política. Durão Barroso não foi eleito, foi escolhido após uma reunião do G8 que incumbiu Chirac de lhe propor o cargo. Naturalmente tinha a certeza que iria ser nomeado, senão não teria deixado o lugar de PM de Portugal. Não é por acaso que alguns ex-comissários europeus sejam gestores de multinacionais. Vamos ver o que vai tocar ao Barroso. Vimo-lo ontem, na TV, solícito, submisso ao lado do patrão Bush, descontraído, que lhe disse como as coisas vão ser.

    Estas organizações plutocratas e supranacionais que se movimentam na Europa e por todo o mundo, têm os seus tentáculos na ECIS, TADB, AUME e EUROPABIO, que congregam grandes grupos empresariais europeus e mundiais. Influenciam os acordos feitos no âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) que controlam, FMI, BM e até a OCDE.

    Conclui-se que a União Europeia está submetida a grandes pressões que influenciam e talvez já ditem toda a sua política, que limita, por sua vez, os governos dos países nela integrados. A livre circulação de capitais, pessoas e bens não é resultado de interesses democráticos mas da plutocracia em que se está a tornar o mundo, All the World.

    No Iraque e nos países mais rebeldes ao sistema, naturalmente que tudo isto não se faz de forma pacífica, mas na Europa, um continente ocidental onde este tipo de sociedade já é familiar e até bem-vinda para muitos, tudo se faz sem dor, com anestesia e nem se sente.

    E é esta a crise que apregoam para justificarem os cortes na Saúde, a fuga das empresas e o desemprego crescente.

    Por: Reinaldo Beça

     

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