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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 10-12-2006

    SECÇÃO: Destaque


    Notícias do Centro Social - Seminário/debate “Encontro sobre Envelhecimento”

    CSE lançou olhar atento aos idosos

    O Fórum Cultural de Ermesinde foi palco, no passado dia 30 de Novembro, do seminário/debate “Encontro sobre o Envelhecimento”, uma iniciativa do Centro Social de Ermesinde (CSE) onde foram abordadas diversas temáticas em torno do idoso. Questões pertinentes como a sua inserção na família e nas instituições, dos direitos que ele tem enquanto sujeito, cuidados alimentares, mobilidade e lazer, ou ainda a sua saúde mental, foram alguns dos aspectos aprofundados por diversos especialistas que marcaram presença no evento, que se revestiu de enorme importância para todos os que diariamente lidam com idosos.

    De uma forma conclusiva podemos adiantar que este seminário foi fundamental para melhorar a forma como nos devemos relacionar com as pessoas idosas, e entre outros aspectos, como compreendê-las, como respeitá-las, como cuidar delas, em suma como viver com eles e, ao mesmo tempo, proporcionar-lhes uma maior qualidade de vida.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Coube a Henrique Queirós Rodrigues, na qualidade de presidente da instituição organizadora da iniciativa, a tarefa de abrir esta jornada dedicada aos idosos que se estendeu por todo o dia 30 de Novembro. Depois de agradecer a presença das altas individualidades, entre as quais o presidente da Câmara Municipal de Valongo, Fernando Melo, o director do Centro de Saúde de Ermesinde/Alfena Carlos Valente, o director-adjunto do Centro Distrital da Segurança Social do Porto Luís Vale, o presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade Social (CNIS) padre Lino Maia (individualidades estas presentes na mesa da sessão de abertura), aos conferencistas que iriam ao longo do dia apresentar as suas prelecções, aos profissionais que trabalham directamente com idosos e demais público, o presidente do CSE começou por chamar à atenção para um fenómeno cada vez mais em voga nos dias de hoje, mais precisamente para o facto de se “nascer pouco e de se viver mais tempo”, algo que no seu entender merece ser olhado com muita atenção. No seguimento deste reparo, por assim dizer, Henrique Rodrigues sublinharia a importância da necessidade de se prestar melhores serviços às pessoas idosas que vivem em instituições, sozinhas ou na companhia das famílias, em dar-lhes uma melhor qualidade de vida (no fundo a razão principal para a realização desta iniciativa do CSE). Prestação de serviços que está ligada, segundo Henrique Rodrigues, a outro factor muito importante a ter em conta, mais concretamente aos direitos da pessoa idosa. «Temos de pensar que a prestação desses serviços ao idoso não é simplesmente a prestação de um serviço mas também a consagração de um direito. Com a perspectiva de que as pessoas com o envelhecimento perdem muitas vezes a sua autonomia, surge a necessidade de haver quem vele por eles, pelos seus direitos de cidadania, pelo seu bem estar, pela sua felicidade. Uma coisa não joga sem a outra, ou seja, temos de pensar em melhorar os serviços prestados ao idoso pensando também que ao mesmo tempo estamos a garantir os seus direitos», referiu o presidente do CSE.

    A intervenção seguinte pertenceria ao director do Centro de Saúde de Ermesinde//Alfena, Carlos Valente, que depois de enaltecer a iniciativa do CSE, frisou que o tema que ali se discutia era algo de muita actualidade para os prestadores de cuidados de saúde, desejando que o ideal seria assistirmos ao envelhecimento da população como um patamar de vida e não como uma fase da vida em que a doença é algo muito frequente, um facto consumado no dia-a-dia destes profissionais da saúde. Carlos Valente que ressalvaria ainda que todo o trabalho comunitário desenvolvido no sentido de promover a qualidade de vida do idoso passa inevitavelmente pelo apoio dos profissionais da saúde, convidando todos os presentes a assistir às comunicações de cariz mais científico que da parte da tarde iriam ser prelectadas por alguns profissionais de saúde do nosso concelho. Comunicações essas que visaram chamar à atenção para um conjunto de actividades com o intuito de melhorar a qualidade de vida do indivíduo ao longo do processo fisiológico e psicológico que é o envelhecimento.

    Presente nesta sessão de abertura esteve igualmente o presidente da CNIS, o padre Lino Maia, começou por lembrar aos presentes que a grande maioria das cerca de 2 400 Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS) filiadas na entidade por si presidida comporta uma assinalável diversificidade de respostas sociais para idosos (lares, centros de dia, centros de noite e serviço de apoio domiciliário). Mais à frente diria que hoje em dia muitos de nós associamos envelhecimento a adormecimento. «Muitas pessoas pensam que o idoso não tem mais nada para dar e por isso vai adormecendo. É importante que não seja esta a nossa perspectiva, pois quando se fala em adormecimento também se pode falar de sonho, e penso ser importante para todos aqueles que lidam com idosos que pensem na sua função de criar condições para que estes continuem a sonhar. E sonhar não é a mesma coisa que dormir. Muitas vezes os idosos ou estão como que adormecidos ou vivem na nostalgia do seu passado, não encontrando condições para realizar experiências, conhecimentos adquiridos ao longo dos tempos, vão antes adormecendo à espera do sinal. E este é um desafio que se coloca a todos os que se dedicam aos idosos, ajuda-los a continuar a sonhar, pois continuando eles a sonhar ajudarão os mais novos a olhar a vida com um certo sabor de utopia. E já que vamos falar de direitos, gostava de falar deste direito, do de sonhar, para que todos criemos condições para que os nossos idosos continuem a sonhar. Todos lucraremos com isso e eles terão melhor qualidade de vida, como têm todo o direito, porque a qualidade de vida perde-se quando se deixa de sonhar», sublinhou.

    Apesar de ser um dos conferencistas da iniciativa, Luís Vale, director-adjunto do Centro Distrital da Segurança Social do Porto, foi uma das personalidades que marcou presença na mesa da sessão de abertura. Antecipando um pouco o seu discurso na conferência que dali a pouco iria ser ministrada por si, Luís Vale frisou que o idoso tem tantos direitos como qualquer outra pessoa. No entanto, na actual sociedade esses direitos são muitas vezes esquecidos, visto o idoso ser encarado como uma pessoa sem capacidade para se fazer ouvir, levando-o muitas das vezes a ser marginalizado. «Nesta sociedade moderna quem tem capacidade de pressão é que tem poder, é que é atingido. Quem não tem esta pressão tem grandes dificuldades em se fazer ouvir, caso das pessoas quando ficam mais velhas. Quem deixa de andar apressado, já que a sociedade de hoje é um stress diário, vai perdendo a capacidade de intervir, e é por isso que vemos os nossos idosos institucionalizados em lares».

    Por último, o presidente da Câmara Municipal de Valongo, Fernando Melo começou por dar os parabéns ao CSE pela iniciativa, apelidando esta instituição ermesindense de uma obra notável. Melo que demonstraria ainda a sua satisfação pelo facto de o concelho de Valongo estar – no seu entender - muito bem servido em termos de instituições de apoio aos idosos, algo que para si é um sinal claro da preocupação com este tema (do envelhecimento).

    A RELAÇÃO ENTRE

    FAMÍLIA, IDOSO

    E INSTITUIÇÃO

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    Posta a sessão de abertura deu-se então início dos trabalhos deste seminário/debate, tendo o 1º painel comportado os temas “O Idoso na Família e nas Instituições”, “O Idoso como Sujeito de Direitos” e o “Voluntariado”.

    A moderar este primeiro ciclo de conferências esteve Anabela Sousa, directora do Lar de S. Lourenço, numa mesa presidida por Casimiro Sousa, director do CSE. E para falar do primeiro tema esteve Fernanda Lopes, assistente social e directora técnica do Lar de S. António, na Maia. Um tema onde foi focado o papel da família na vida do idoso, no seu bem estar. Fernanda Lopes começou por dar conta da extrema influência que as constantes mudanças verificadas, nos dias de hoje, na estrutura de uma família têm na pessoa idosa. «Mudanças estruturais que arrastam consigo as diferenças inerentes aos seus elementos, pessoas muito diferentes que se unem e constituem família levando consigo essas diferenças, valores diferentes que se juntam, constituindo um meio ambiente de possíveis disfunções, ou talvez não, porque também não podemos excluir que existem famílias não tradicionais que podem funcionar bem».

    Disfunções familiares, se assim as podes chamar, que na maior parte das vezes são um problema para os técnicos que trabalham com o idoso, conforme frisou Fernanda Lopes. Dificuldades ao nível do relacionamento e inter-ajuda são das mais frequentes encontradas por estes profissionais, sendo por isso que o acompanhamento familiar e a compreensão dos relacionamentos familiares são pré-requisitos muito importantes para se prestar um serviço de qualidade ao idoso. Segundo a conferencista são muitos os problemas que existem nas famílias e que se repercutem na atenção ao seu familiar, sendo que um dos objectivos primordiais das instituições desta área para ter sucesso num bom apoio ao idoso é compreender e apoiar a família. Não é um trabalho fácil, conforme sublinhou, pois existem vários tipos de família (depressivas, histéricas, intelectualizadas, fechadas, paranóides, entre outras) que dificultam o trabalho do técnico devido às posturas e preconceitos que têm em relação ao seu idoso. «É com este maranhal de atitudes, de comportamentos, de posturas, que trabalham os técnicos. Na minha perspectiva o caminho a seguir é ir de encontro às necessidades das famílias como hoje elas se nos apresentam. E é nesta diversificidade que se insere o nosso idoso, alvo do nosso trabalho, e que assistiu a todas estas mudanças no seio da sua família. À medida que vai envelhecendo vai-se tornando mais vulnerável, mais dependente, passando a haver uma mudança de papéis, os filhos passam ao papel de pais. Há muitas vezes a perda definitiva de capacidades. mas há também aquelas que podem ser recuperadas total ou parcialmente. Quando ajudamos a família esta sente-se acompanhada, compreendida e orientada, é necessário esclarecer, ensinar e informar para que a ansiedade e insegurança da família comece a diminuir e compreendam o que se está a passar em cada situação».

    Mais à frente Fernanda Lopes chamaria ainda a atenção para a necessidade das instituições flexibilizarem os seus serviços de apoio a idosos e respectivas famílias, dar respostas concretas a cada situação, como por exemplo, o idoso poder ser acolhido temporariamente num lar em caso do familiar mais directo estar doente, ou dar o almoço ou jantar ao idoso quando o parente próximo tem de trabalhar ou de se ausentar durante o dia. Em suma, haver uma inter-ajuda entre família e instituições, uma complementaridade de tarefas, com o intuito de prestar não só um melhor apoio ao idoso como também mantê-lo o mais tempo possível na sua casa junto da sua família, onde se sente mais seguro, menos ansioso em relação ao futuro, sabendo assim que pode sempre contar com o apoio de alguém.

    OS DIREITOS

    DO IDOSO

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    Seguiu-se a conferência ministrada por Luís Vale, o “Idoso como Sujeito de Direitos”, que iniciou a sua prelecção com uma frase já proferida anteriormente, ou seja, o idoso tem tantos direitos como qualquer outra pessoa mais nova. No entanto, esses direitos muitas vezes não lhes são conferidos, visto o idoso estar numa situação de maior fragilidade. «Quem não se encaixa num modelo de produção, quem não é útil em termos económicos tem tendência para ser rejeitado. A lógica que se instalou na actual sociedade é que só aquilo que produz é que consegue ver-se respeitado, e se encaixa numa situação de não marginalização».

    Conforme o director-adjunto Centro Distrital da Segurança Social do Porto referiu, o problema da não atribuição dos direitos às pessoas idosas não é de agora, muito pelo contrário, recordando então a declaração dos Direitos das Pessoas Idosas assinado em 1965 em Los Angeles (Estados Unidos da América), o qual conferia, entre outros, ao idoso o direito à existência física, o direito económico, o direito à habitação, o direito ao trabalho útil e produtivo, o direito à existência social, ou o direito à existência cultural.

    Falando do idoso institucionalizado Luís Vale deixaria claro que os lares de hoje já não são depósitos de pessoas. «No entanto, hoje já se começa a pôr em causa se a institucionalização é ou não o melhor caminho para o idoso. Será que não há alternativas? A continuar assim daqui por 40 anos estaremos todos institucionalizados», opinou.

    Idoso institucionalizado que também tem os seus direitos enquanto utente de uma instituição. Direitos esses que muitas das vezes não são respeitados, como por exemplo o direito à privacidade, direito à liberdade, direito a um tratamento de adulto, direito à sexualidade, direito à autonomia, direito ao afecto, entre outros. Luís Vale acabou a sua prelecção com uma sugestão: «penso que por cada ano que a pessoa tem deveria ter um direito, ou seja, se tivesse 94 anos deveria ter 94 direitos».

    O VOLUNTARIADO

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    A derradeira conferência deste 1º painel seria subordinada ao tema “Voluntariado, tendo a prelecção estado a cargo de Sílvia Pinheiro, gestora de voluntariado dos Médicos do Mundo, uma organização não governamental criada em França, em 1980, e surgida em Portugal no ano de 1999. Depois de uma apresentação detalhada sobre o funcionamento desta entidade a conferencista explicou em que consiste ser voluntário nos dias de hoje. «O voluntariado é uma questão fundamental para os Médicos do Mundo, e que até há bem pouco tempo era encarado com uma acção de caridade, do tipo faço quando me apetecer. Hoje já não é assim, os voluntários de hoje têm os seus deveres, os seus compromissos e responsabilidades». Frisaria também que o trabalho desenvolvido pelos voluntários em acções de apoio a idosos, por exemplo, funciona como um complemento aos serviços já existentes, onde o voluntário dá o seu contributo no sentido de melhorar a qualidade de vida destas pessoas. Sílvia Pinheiro que seguidamente apresentaria alguns projectos desenvolvidos pelos Médicos do Mundo em relação ao trabalho com idosos, trabalhos que têm como missão, sobretudo, combater a solidão.

    Postas as três primeiras conferências do dia seguiu-se um breve debate entre o público e os conferencistas abordando os temas atrás apresentados. Casimiro Sousa, director do CSE, foi o primeiro a usar da palavra neste período, tendo começado por dar a sua opinião sobre um dos direitos do idoso apresentado por Luís Vale, mais precisamente sobre o direito à privacidade, tendo o director do CSE sublinhado que esse direito é muitas vezes impossível de ser aplicado, uma vez que o idoso é normalmente obrigado por força das necessidades (económicas) de cada instituição a partilhar o seu quarto com outras pessoas. «Qualquer pessoa pode ser voluntário?» seria uma das questões colocadas por Casimiro Sousa à mesa, mais precisamente a Sílvia Pinheiro, tendo esta respondido que voluntário pode ser qualquer pessoa, desde que tenha boas condições de saúde e sobretudo tempo disponível. Por seu turno, Luís Vale referiria que é complicado para alguém partilhar um quarto com uma pessoa que nunca viu, «mas muitas vezes as circunstâncias determinam aquilo que temos de fazer, e lá por uma pessoa ser idosa não quer dizer que tenha de estar no paraíso, tem os mesmo direitos que toda a gente, tem que saber partilhar. O ideal seria o lar ter quartos individuais, mas como nem sempre isso é possível...».

    A questão de se ter ou não caracter para trabalhar com idosos seria outro ponto que viria a ser focado por um elemento do público (um funcionário do Centro Social de Águas Santas) neste debate, que opinaria que apesar de haver cada vez mais cursos de formação para trabalhar com idosos continua a verificar-se, em muitos casos, uma enorme falta de caracter da pessoa/funcionário para lidar com o idoso. «O carácter da pessoa é essencial para lidar com o idoso», disse. Depois de mais algumas intervenções do público em torno do tema do voluntariado, Anabela Sousa daria por concluído este ciclo de conferências/debate do 1º painel com uma opinião muito pessoal acerca do que deve ser o trabalho com idosos, dizendo que «para tratar do idoso é preciso sobretudo gostar dele. Há muitas pessoas com formação mas na prática não têm vocação. A formação é mais um complemento, mas não é suficiente, é preciso gostar muito das pessoas que estão na nossa frente».

    EXERCÍCIO FÍSICO

    E ALIMENTAÇÃO

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    A parte da tarde contemplou um ciclo de conferências de caracter mais técnico, por assim dizer. No 2º painel, moderado pelo director do Centro de Saúde de Ermesinde/Alfena Carlos Valente, figuraram os temas “Hábitos Alimentares Saudáveis” e “Mobilidade e Lazer”. E foi precisamente este último tema a reabrir o seminário/debate, tendo a prelecção estado a cargo de José Oliveira, médico dos centros de saúde de Ermesinde e Valongo, que começou por alertar os presentes para duas situações que se têm vindo a verificar no concelho de Valongo nos últimos tempos. A primeira delas é para o aumento drástico da média de idosos, ao passo que a segunda prende-se com o facto da grande maioria desses idosos viverem sozinhos ou em pequenos agregados familiares compostos por duas pessoas.

    Seguidamente explicou como o exercício físico pode ser importante para o idoso, que com o avançar dos anos apresenta maior vulnerabilidade, vai perdendo a autonomia em muitos casos, sendo então o exercício físico uma alternativa de combate a esses sintomas, se assim os podemos denominar. «O exercício físico pode contribuir para o bem estar e autonomia do idoso, pessoas que após a reforma vão perdendo o seu estatuto, não conseguem fazer deste período uma ocasião de desenvolvimento pessoal, vão perdendo a sua história de vida, ficam mais dependentes. Ao nível do exercício os objectivos são por um lado impedir o declínio da pessoa e por outro melhorar a funcionalidade dela quando esta já teve um problema que afectou a sua autonomia. O exercício tem como grande vantagem também melhorar a saúde da pessoa, controlar as doenças, casos da diabetes e da hipertensão», informou José Oliveira que em seguida enumerou detalhadamente alguns planos de exercício físico para o idoso.

    Pormenorizadamente explicado foi igualmente o tema “Hábitos Alimentares Saudáveis”, uma conferência ministrada pela nutricionista Liliana Pereira, do Centro Saúde de Ermesinde. Depois de explicar o que é o processo de envelhecimento e as alterações psicológicas e fisiológicas que ele acarreta numa pessoa, a médica nutricionista traçou então aquilo que deve ser um adequado plano alimentar para o idoso, uma alimentação baseada na Roda dos Alimentos, uma alimentação completa e equilibrada. Tal como havia acontecido no final do painel da manhã seguiu-se um muito participativo debate entre o público e os dois conferencistas, com a maior parte da conversa a ser pautada por questões e/ou dúvidas sobre estes dois temas.

    A SAÚDE MENTAL

    DO IDOSO

    ENCERROU

    A INICIATIVA

    O último painel deste seminário/debate foi moderado por Abílio Vilas Boas, director do CSE, tendo os temas preleccionados sido “Saúde Mental do Idoso” e “Contributos da Enfermagem para a Qualidade de Vida do Idoso”.

    Para falar deste último foi convidado José Maria Soares, enfermeiro do Centro de Saúde de Ermesinde, que tal como os dois conferencistas que o antecederam se debruçou sobre este tema de uma forma muito técnica, enumerando diversos contributos da enfermagem para a melhoria da qualidade de vida do idoso, mais precisamente na manutenção da sua saúde.

    A última conferência desta iniciativa do CSE seria ministrada por António Leuchner Fernandes, médico e presidente do Conselho de Administração do Hospital Magalhães Lemos, que começou por eliminar o conceito que a maioria das pessoas tem em relação ao que é a saúde mental de um indivíduo, seja ele mais velho ou mais novo, associando esta expressão à loucura. «A maior parte das pessoas mais velhas, com 65 ou mais anos não tem problemas de doença mental, sofrem psicologicamente de forma não continuada sobre as mais diversas coisas, desde as mais profundas até às mais superficiais, tal como todos nós. Quem nunca teve uma crise ansiedade? Quem nunca se sentiu nervoso? Quem não teve alguma vez uma tristeza mais profunda que persistiu alguns dias? São sintomas e afectos universais comuns a todas as pessoas, que afectam a grande maioria da população, e que as afectam de uma maneira muito crescente, pois posso dizer que em 2020 a depressão será a principal causa de actividades perdidas. Já hoje em Portugal ela é a 2ª causa de inactividade», informou.

    António Leuchner Fernandes explicaria ainda que as causas dos problemas mentais das pessoas mais idosas são derivadas na maior parte das vezes pela perda de papéis dentro da sociedade, como por exemplo a inactividade profissional (a reforma) e o próprio factor do envelhecimento, o qual muitas vezes não é encarado pela pessoa da melhor maneira. Um aspecto muito importante para o qual o médico chamou à atenção prendeu-se com o facto de as capacidades das pessoas idosas não se perderem de uma forma natural, ao contrário do que muita gente possa pensar, e quando essas capacidades estão perdidas isso se deve à falta de uso. Por isso sublinhou a importância de o idoso manter certas tarefas do seu dia-a--dia para que essas capacidades não se percam totalmente, tais como fazer a sua higiene pessoal, colaborar nas tarefas da alimentação, entre outras. O médico informaria ainda que o factor depressão é a principal causa da doença mental da pessoa idosa, precisamente pela “inactividade” social ou pela perda do contacto com o ambiente familiar no caso dos idosos institucionalizados.

    Depois de um curto debate entre público e conferencistas acerca destes dois temas o seminário/debate seria encerrado com uma certeza para todos aqueles que nele marcaram presença, ou seja, os trabalhos desta iniciativa do CSE foram extremamente preciosos para percebermos melhor a maneira como devemos olhar a pessoa idosa.

    Por: Miguel Barros

     

     

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