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Edição de 31-07-2020
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    Arquivo: Edição de 30-10-2006

    SECÇÃO: Destaque


    Entrevista com Artur Carneiro, presidente dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde

    BVE: Uma grande casa sempre ao dispor da comunidade

    Há nove anos à frente dos destinos da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Ermesinde, Artur Carneiro traçou, há poucos dias atrás, à A Voz de Ermesinde um quadro alusivo ao actual momento da instituição por si dirigida. Um diálogo onde podemos apurar que os bombeiros ermesindenses atravessam um período de grande estabilidade – a diversos níveis -, pese embora a ambição de alcançar sempre mais e melhor seja uma constante na “política” do dia-a-dia desta casa. Uma entrevista onde deu igualmente para perceber que Artur Carneiro é hoje em dia um homem extremamente orgulhoso da instituição que dirige, e sobretudo dos homens que a compõem.

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    Aos 85 anos de vida – completados em Junho último – os Bombeiros Voluntários de Ermesinde (BVE) atravessam um dos melhores períodos da sua história. Esta foi a conclusão que pudemos tirar da recente conversa que o nosso jornal efectuou com o presidente da Direcção desta mui nobre instituição ermesindense, Artur Carneiro.

    Questionado sobre o actual “estado de saúde”, por assim dizer, dos BVE o presidente da Direcção começou por sublinhar que em termos financeiros a associação vive um período de grande solidez. «Em termos de contabilidade neste momento está tudo pago, não devemos nada a ninguém, a não ser, claro, um obrigado a todos aqueles que nos têm ajudado. Gastámos 260 000 contos, na moeda antiga, na ampliação do nosso quartel, uma obra para a qual tivemos muito poucos subsídios quer do Estado quer do poder autárquico local, mas que hoje está totalmente paga, não temos qualquer dívida em relação a esta obra», referiu.

    Ampliação do quartel que se pode definir como um velho sonho da associação que se tornou realidade, uma obra concretizada graças ao esforço e dedicação de todo este grupo de homens que compõem os BVE. Uma obra que enche de orgulho e satisfação a grande “família” dos “soldados da paz” ermesindenses, conforme nos confidenciou Artur Carneiro. «A ampliação do quartel trouxe grandes benefícios a esta casa. Presentemente temos um corpo activo de 120 bombeiros, homens que antigamente não tinham as condições que têm hoje, e para citar alguns exemplos posso dizer que no passado tinham um bar convívio com apenas três metros quadrados, actualmente têm um bar muito maior e com mais qualidade. Antes dormiam em beliches, hoje possuem camas individuais em camaratas com ar condicionado. Têm ainda ao dispor um enorme salão de convívio, com mesas de bilhar e de ping-pong, tudo isto existe com o intuito de que os bombeiros se sintam confortáveis dentro do quartel. Aliás, posso dizer que eles estão satisfeitos com estas novas infraestruturas, têm tudo aqui dentro, no fundo criámos condições para que se sintam na sua própria casa».

    MAIS APOIOS ERAM

    BEM VINDOS...

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    Como já referimos as verbas para a realização das obras de ampliação do quartel foram da quase total responsabilidade dos BVE, sendo que a comparticipação do Estado e do Poder Local foi, nas palavras de Artur Carneiro, muito pouca. Aliás, é neste último capítulo, o dos apoios, que os BVE têm a sua grande debilidade, se assim podemos dizer.

    Da Câmara Municipal de Valongo a associação recebe cerca de 50 000 euros por ano, um valor que segundo Artur Carneiro é insuficiente para fazer face às elevadas despesas da instituição. Da Junta de Freguesia de Ermesinde os bombeiros foram recentemente informados que irão receber um subsídio anual de 2 500 euros, «valor que para uma Junta como a nossa, com dificuldades financeiras, já é muito bom. Mas é como diz o velho ditado, “grão a grão enche a galinha o papo”. Nesta casa todos os apoios são bem vindos, gostaríamos é que fossem mais, já que no caso dos bombeiros quando se recebe alguma coisa dizemos sempre que é pouco, queremos sempre mais um bocadinho», diz Artur Carneiro. Importantes fontes de rendimento para os BVE têm sido as cotas dos seus cerca de 10 000 associados e os dinheiros derivados do transporte de doentes. Outra grande ajuda para fazer face às tais despesas da associação tem sido também o dinheiro proveniente do aluguer de espaços no quartel. Neste ponto os “inquilinos” dos bombeiros são o Cartório Notarial de Ermesinde, um Centro de Enfermagem, um café, a operadora de telemóveis Optimus (alugou um espaço para aí colocar uma antena) e mais recentemente a ADICE (Associação para o Desenvolvimento Integrado da Cidade de Ermesinde) que alugou duas salas (antigas oficinas dos bombeiros) para aí desenvolver acções de formação. «Tudo isto é uma forma de rentabilizar o espaço que temos, caso contrário não conseguimos chegar a lado nenhum», frisa.

    «POPULAÇÃO

    TEM SIDO

    FANTÁSTICA»

    E já que falamos em apoios o presidente dos BVE não esquece a ajuda que tem sido dada pela população de Ermesinde, e não só, à instituição por si dirigida. Um facto que foi recentemente comprovado num peditório – ou campanha de angariação de fundos monetários – que os bombeiros levaram a cabo pela freguesia no sentido de suportar o custo derivado da aquisição de duas novas viaturas, cujo balanço final excedeu, segundo Artur Carneiro, todas as expectativas. «Foi uma coisa espantosa, angariámos cerca de 65 000 euros. As pessoas abriram-nos as portas de suas casas e ajudaram-nos a atingir o nosso objectivo. De uma modo geral a população tem estado sempre receptiva aos nosso apelos. Têm sido fantásticas». Mas não tem sido apenas a população a responder positivamente aos apelos dos BVE, visto que algumas empresas da freguesia – e de fora da freguesia – também têm dado o seu contributo. Foi o caso da Socer, que doou aos bombeiros 25 000 euros para ajudar na compra de uma das duas viaturas adquiridas há pouco tempo, viatura essa cujo preço rondou os 30 000 euros.

    Bombeiros de Ermesinde que têm sido solicitados não só pela população ermesindense como também de outras freguesias vizinhas, como é o caso de Alfena, onde a associação tem já um número de associados que ascende aos 2 500. Aliás, em Junho último os BVE comemoraram os seus 85 anos de vida com um quartel aberto nesta freguesia vizinha de Ermesinde. «Pela primeira vez na história dos bombeiros decidimos comemorar um aniversário fora da freguesia. E fizémo-lo com um quartel aberto em Alfena, e tal aconteceu com a intenção de sensibilizar a população de Alfena, que esta a crescer de dia para dia, que os BVE existem, que estão ao lado deles sempre que precisem».

    UM EXCELENTE

    GRUPO DE HOMENS

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    Como já frisámos atrás a actual corporação dos BVE tem 120 homens, sendo que 20 são profissionais. Um grupo de homens de quem Artur Carneiro fala com um grande orgulho estampado no rosto. Uma corporação jovem que tem realizado um trabalho excelente no auxílio das populações e do meio ambiente. E falamos no plural porque os BVE têm sido chamados para apoiar corporações de outros concelhos e distritos, como foi exemplo disso este ano, onde estiveram presentes nos distritos de Viana do Castelo, Bragança e Vila Real a prestar auxílio no combate aos fogos que por esses locais deflagraram.

    Sobre a explicação para a extrema dedicação que tem tido para com os bombeiros de Ermesinde Artur Carneiro tem uma resposta muito simples, «o que me motiva em grande parte a estar aqui é saber que estes homens precisam de alguém que esteja ao lado deles para lhes dar tudo o que precisarem. Aliás, enquanto presidente da associação gosto que os bombeiros desta casa sonhem, gosto de deixá-los à vontade, e que depois falem comigo e com a restante Direcção de modo a ver se conseguimos realizar esses sonhos. E de facto, temos conseguido realizar os sonhos dos bombeiros. Para mim é fascinante saber que estes homens quando saem em serviço vão salvar a vida de uma pessoa, ou pelo menos fazer de tudo para assim ser, e isso deixa-me muito feliz e orgulhoso», sublinhou Artur Carneiro, que para além de presidente da Direcção dos BVE acumula as funções de presidente do Conselho Fiscal da Federação dos Bombeiros do Distrito do Porto.

    Questionado sobre uma eventual recandidatura à Direcção dos BVE no final do presente mandato (o qual termina no final do ano de 2007), o actual presidente da associação optou por dar uma resposta politicamente correcta, como o próprio fez questão de referir, ao dizer que «eu gosto muito de estar aqui, mas o futuro... a Deus pertence». Mas lá foi adiantando que enquanto os bombeiros de Ermesinde quiserem, ele estará sempre disponível para os ajudar no que for preciso, não terminando esta pequena entrevista sem antes deixar um grande elogio aos seus pares de Direcção nesta difícil, mas ao mesmo tempo gratificante, tarefa de conduzir esta importante associação da nossa cidade. «Sentimo-nos realizados com tudo aquilo que temos feito. Temos aqui uma casa ao serviço da população do concelho, e acho que eles também devem sentir orgulho em ter uma corporação como a nossa», disse orgulhosamente.

    Por: Miguel Barros

     

     

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