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    Arquivo: Edição de 15-04-2006

    SECÇÃO: Editorial


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    Novos e velhos pecados

    Desde muito pequena que a ideia de pecado me faz muita confusão, especialmente a diferença entre uma lei igual para todos ou a sua relatividade em função da cultura, da idade, do conceito de cada um.

    Nesta Páscoa em que muito se escreveu sobre “os três novos pecados”, dei comigo a meditar, não na Bíblia, mas exactamente no que a comunicação social disse, contou, interpretou, outros disseram e eu ouvi...

    Vieram-me à memória pequenos acontecimentos que eu vivi quando era ainda muito pequena e que têm a ver com esta dúvida sobre o que é pecado. Tinha eu seis ou sete anos, frequentava um colégio católico e reflectíamos sobre a Quaresma e o pecado de comer carne na Sexta Feira Santa. Então, alguém me contou esta história para eu perceber como os pecados eram relativos e dependiam da própria pessoa. Uma menina interrogava-se se tinha ou não pecado porque comeu a sopa onde tinha caído uma mosca. A freira que nos contou a história concluía: se a menina comeu a sopa depois de ver a mosca e acreditava que a mosca era carne, não devia comer a sopa, pois pecava, se não acreditasse que a mosca era carne e a continuou a comer, não pecou…

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    Muitas vezes me lembro desta história ao reflectir sobre o mundo de hoje e, como parece que estou incluída nesta nova lista de pecadores, porque leio os jornais, porque consulto a internet, porque sei que há guerras e quem as faz, porque sei que morre à fome em média um ser humano em cada 3,5’ e que se agridem e matam crianças e mulheres indefesas...

    Como poderíamos ter acesso a estes dados? Lendo a Bíblia?...

    Como sabemos que os desperdícios da sociedade de consumo davam para acabar com a fome no mundo?

    Assim sei que a droga, as armas, a guerra, a fome, são grandes negócios para os ricos, e meditar sobre estas questões eu entendo e todos nós entendemos, pois é sobre estas questões que eu medito, sobre a natureza, sobre quem a quer destruir, sobre a beleza da terra e os dons que Deus concedeu a alguns para tornar este mundo cada vez mais belo e onde as pessoas se sintam felizes. Não tenho nada contra a leitura da Bíblia mas parece-me muito mais útil estar informada, saber o que se passa no mundo, ter consciência da responsabilidade de nós todos, do que estamos a fazer neste planeta, qual a herança que vamos deixar aos nossos descendentes, o que posso ainda fazer ou não fazer para que a minha passagem por esta Terra deixe algum contributo positivo.

    Acredito na importância das pequenas coisas, no que está ao alcance de cada um de nós, sem deixar de admirar os teólogos, os filósofos, o pensadores, os artistas, os poetas e todas as utopias que propõem um mundo melhor.

    Quanto aos pecados, eles são fáceis de identificar e os jornais e a internet em muito contribuem para os reconhecer.

    Por: Fernanda Lage

     

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