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Edição de 20-09-2021
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    Arquivo: Edição de 31-05-2021

    SECÇÃO: Património


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    Maio, um Mês de Devoções

    O mês de maio assinala-se na cidade de Ermesinde com especial devoção. Neste mês, realizou-se a Vigília da Luz, a 12 de maio, em homenagem a Nossa Senhora do Rosário de Fátima, e comemorou-se o dia de Santa Rita de Cássia, a 22 de maio.

    O calendário litúrgico celebra diferentes eventos ao longo do ano, sendo possível constatar ao longo da história alguns Santos que são mais populares em determinados períodos porque dão resposta a problemas e preocupações pessoais e/ou sociais. As procissões de S. Francisco de Borja e de chamada para o terramoto, que se realizavam a 10 de outubro e no 1.º de novembro, respetivamente, na Diocese do Porto, são exemplo de procissões esporádicas que começaram a acontecer por ocasião do terramoto de Lisboa, acabando por cair em desuso.

    A devoção e tributo a determinado Santo, normalmente, vai ao encontro do momento de vida do devoto e identificação com o Santo em relação às suas escolhas ou percurso. Há, ainda, Santos cuja evocação aparece ou reaparece por motivos de oportunidade como, por exemplo, a ascensão do culto a S. Francisco de Assis, ao longo dos últimos anos, dada a escolha do Seu nome por parte de Sua Santidade, o Papa.

    Em Ermesinde, registamos, no entanto, uma devoção continuada ao longo do tempo, e com o mesmo fervor, apesar de nos últimos dois anos de forma atípica, às figuras femininas de Nossa Senhora de Fátima e de Santa Rita de Cássia.

    NOSSA SENHORA DE FÁTIMA

    Imagens de Nossa Senhora de Fátima na Igreja Matriz (2021) – Fotograma retirado do direto da Paróquia de São Lourenço de Ermesinde
    Imagens de Nossa Senhora de Fátima na Igreja Matriz (2021) – Fotograma retirado do direto da Paróquia de São Lourenço de Ermesinde
    O mês de maio, também conhecido e apelidado no mundo católico como mês de Maria, encontra em Portugal uma longa duração na mentalidade e crença cristã. Já antes das aparições do século XX, na Cova da Iria, se encontrava no nosso território devoção à mãe de Cristo, que foi proclamada rainha de Portugal em 1646, por D. João IV.

    O culto de Nossa Senhora encontra uma grande expressão, normalmente, entre as mulheres porque a veem da mesma forma, como mulher, como mãe, e a associam aos diferentes problemas com que se confrontam ao longo da vida ou à consolação que necessitam, sendo exemplo algumas das suas invocações como: Nossa Senhora do Leite, Nossa Senhora da Expectação, Nossa Senhora do Ó, Nossa Senhora do Bom Parto… associadas a problemas femininos e aos seus pedidos.

    Podem encontrar-se ainda invocações a Nossa Senhora de uma forma mais genérica para encaminhar os crentes como: Nossa Senhora da Ajuda, Nossa Senhora da Boa Morte, Nossa Senhora da Boa Viagem, Nossa Senhora das Dores… ou ainda a invocação mariana para nomear geografias, não sendo incomum encontrar o nome de Nossa Senhora em freguesias, cidades, serras, montes/campos e vales de Portugal.

    Talvez por isso, a maioria das pessoas que visitam os seus santuários e fazem peregrinações são mulheres. Crê-se que existe uma relação direta entre a dinâmica da vida das mulheres e Nossa Senhora, existindo preferência por santuários marianos pelas suas ligações com figuras femininas e, em segundo lugar, pela busca da cura para preocupações para com parentes, o parto ou a violência doméstica. Acresce a estes elementos o pagamento de uma promessa ou pedido, muito comum em Portugal.

    Um dos maiores santuários marianos no mundo é Fátima, onde ocorreram as aparições de Nossa Senhora do Rosário, em 1917. Estas aparições revigoraram a fé católica portuguesa e a crença na Virgem Santa tornou-se ainda mais exacerbada. Fátima acabaria por se tornar uma força catalisadora e local de peregrinação no país, começando a ser realizada a procissão das velas, no ano de 1922, ainda antes da aprovação do culto a Nossa Senhora de Fátima.

    Em Ermesinde, embora a menor escala, é feita uma peregrinação no dia 12 de maio, quando se realiza a Vigília da Luz, também, no Santuário de Fátima. Esta procissão de velas iniciou-se no decorrer dos anos sessenta e partia da Igreja de Santa Rita em direção à Igreja Matriz. Pouco tempo depois, começou a sair, no mesmo dia, uma procissão de velas do Bom Pastor, devido a uma promessa de um religioso desta zona.

    Ao longo dos anos, passaram a ser nove as imagens de Nossa Senhora de Fátima a sair em procissão por Ermesinde, provenientes da Igreja de Santa Rita e do Bom Pastor, já mencionadas, e dos lugares de Soutinho, Bela, Gandra, Saibreiras, Montes da Costa, Sonhos e da Capela do Senhor dos Aflitos, em Sampaio. As imagens partem dos seus locais originais até se reunirem todas na Igreja Matriz. Costume que, por força da pandemia que atravessamos, foi adiado por dois anos consecutivos, circulando pela cidade de Ermesinde um carro dos Bombeiros Voluntários com o andor da Santa Rainha. Este ano, as imagens devocionais encontravam-se reunidas na Igreja Matriz, com exceção da imagem da Capela do Senhor dos Aflitos que saiu no andor que circulou pela cidade, e a vigília foi realizada, especialmente, em homenagem dos prestadores de cuidados de saúde, famílias e defuntos.

    SANTA RITA DE CÁSSIA

    Santa Rita de Cássia – Imagem retirada do sítio em linha do Santuário de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa e de Santa Rita
    Santa Rita de Cássia – Imagem retirada do sítio em linha do Santuário de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa e de Santa Rita
    A outra devoção que destacamos no mês de maio é a de Santa Rita de Cássia, a primeira mulher a ser canonizada no século XX, a 24 de maio de 1900. Apesar de ter falecido a 22 de maio de 1457, a sua santidade levou quase 450 anos até se concluir em termos processuais pela Santa Sé.

    O dia de Santa Rita é 22 de maio no calendário litúrgico, embora as festas em sua homenagem, em Ermesinde, tenham lugar no segundo domingo de junho, por determinação da Diocese do Porto. Nesse domingo, às 7h30, é realizada a missa do peregrino no Santuário de Nossa Senhora do Bom Despacho da Mão Poderosa e de Santa Rita e estima-se que nos dias dedicados à Santa se ultrapasse em larga escala a presença de mais de 3.000 devotos no templo.

    Desconhecemos em que data se iniciaram, em Ermesinde, as festas em honra desta figura religiosa, mas sabemos que acontecem, pelo menos, desde o início do século XIX, sem interrupções. No dia 22 de maio, data em que a Santa faleceu e de sua comemoração, é realizada uma missa solene na Igreja, às 11h, onde todos os participantes se apresentam com uma rosa, representativa de um dos milagres da sua vida. Derivado do contexto pandémico, este ano, as comemorações de Santa Rita efetuaram-se entre os dias 21 e 23 de maio e a bênção das rosas ocorreu em todas as Eucaristias. No dia 22 de maio presidiu à celebração o Bispo do Porto, D. Manuel Linda.

    A devoção a Santa Rita vem desde os tempos medievais até se tornar uma “santa moderna”, a sua hagiografia é complexa, mas possui um culto considerado forte e tradicional, sendo quase sempre mencionada pelo seu poder inabalável como “Santa do Impossível”. A sua vida e sofrimento levam a que tenha uma posição ideal para a compreensão das preocupações individuais e o facto de esta ter sido sofredora de problemas quotidianos, tão relevantes no seu tempo como no atual, fez com que criasse expectativas no mundo material. Santa Rita tem um fator de devoção diferente dos outros Santos que é gozar de “normalidade”, pelo facto de ter sofrido de violência doméstica, ter-se casado, tornado viúva, possuir cicatrizes na sua pele e passar pela rejeição da admissão no convento por ser considerada uma “mulher de vida” ou “vivida”.

    (...)

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    Por: Mariana Filipa Lemos

     

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