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Edição de 20-09-2021
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    Arquivo: Edição de 31-05-2021

    SECÇÃO: Ciência


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    O contributo da ciência portuguesa no tratamento de Parkinson

    Neste mês de maio debruçamo-nos sobre os contributos da ciência portuguesa no tratamento de Parkinson, mais especificamente no trabalho liderado pelo neurocientista português Miguel Castelo-Branco, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC). A doença de Parkinson é uma perturbação que afeta a região cerebral, sendo, dessa forma, crucial o conhecimento que temos deste órgão tão importante e que coordena todo o nosso corpo.

    Focando-nos nesse órgão, no interior da caixa craniana, temos o encéfalo, que faz parte do Sistema Nervoso Central (SNC) e que recebe, processa e gera respostas às mensagens que lhe chegam. O encéfalo é dividido em várias partes e secções, sendo o cérebro uma delas.

    O cérebro, considerado a peça central da inteligência e aprendizagem do nosso corpo, é o maior constituinte do encéfalo, compondo cerca de 80% da sua massa total. Encontra-se dividido em duas partes, o hemisfério cerebral esquerdo e o direito, que estão conectados pelo corpo caloso, uma estrutura formada por diversas fibras nervosas.

    Com base em alguns estudos desenvolvidos, os dois hemisférios cerebrais atuam em circunstâncias distintas. Enquanto o hemisfério esquerdo está, na maioria das vezes ligado à linguagem, à realização de cálculos, armazenamento de memórias, resolução de problemas e à fala, o hemisfério direito encontra-se mais relacionado com a interpretação de imagens, habilidades manuais, espaços a três dimensões e à perceção de músicas, embora haja estudos que demonstrem que em indivíduos com prática musical, essa perceção seja processada nos dois hemisférios. Os estudos indicam, ainda, que, na generalidade das pessoas, os diferentes hemisférios comandam lados opostos do corpo. Isso quer dizer que o lado esquerdo do cérebro controla, por exemplo, movimentos e sentidos do lado direito do corpo e vice-versa.

    O cérebro apresenta uma série de dobras características na região do córtex. Essas dobras permitem aumentar a área de superfície dessa estrutura, que conta apenas com o espaço restrito da cavidade craniana e, apesar de existir o mito de que a nossa espécie utiliza apenas 10% do seu cérebro, isto não corresponde à realidade. No nosso dia-a-dia usamos uma grande área do nosso cérebro em todas as ações que realizamos, sendo que este nem durante o descanso noturno se “desliga”.

    Existem diversas doenças associadas ao Sistema Nervoso e ao cérebro, sendo a doença de Parkinson uma delas. Esta doença caracteriza-se por ser um distúrbio neurológico do movimento, progressivo e degenerativo que, estima-se, afete milhões de pessoas em todo o mundo. Embora seja mais comum em pessoas com idades próximas da velhice, o número de pessoas mais jovens diagnosticadas com a doença tem vindo a aumentar.

    A doença de Parkinson é causada pela degeneração de uma pequena parte do cérebro chamada substância negra. À medida que morrem os neurónios na substância negra, o cérebro torna-se privado da dopamina, uma substância química essencial para o correto funcionamento cerebral. Esta substância permite que as células do cérebro envolvidas no controle de movimento se comuniquem, sendo que a redução dos níveis de dopamina leva ao aparecimento de sintomas. De acordo com a National Parkinson Foundation, cerca de 60 a 80% da produção de dopamina das células é perdida, ainda antes de aparecerem os primeiros sintomas motores da doença de Parkinson.

    A doença de Parkinson, como tantas outras, ainda não tem cura mas, graças ao trabalho de excelência desempenhado por vários cientistas e outros profissionais à volta do mundo, somos cada vez mais capazes de proporcionar uma melhor, e mais duradoura, qualidade de vida aos doentes.

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    “Descoberto novo mecanismo na doença de Parkinson

    Um estudo liderado pelo neurocientista Miguel Castelo-Branco, da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), revela um mecanismo surpreendente de reorganização funcional do cérebro.

    Publicado na prestigiada PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences - https://www.pnas.org/content/118/3/e2013962118/tab-article-info), revista da Academia Americana de Ciências, o estudo, realizado com a colaboração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), teve como objetivo avaliar a capacidade de reorganização do cérebro na fase inicial de uma doença neurodegenerativa, a doença de Parkinson, e insere-se numa estratégia de estudar a capacidade que o cérebro tem de se readaptar ao longo da vida na saúde e na doença.

    Para tal, a equipa, que também integra investigadores do Coimbra Institute for Biomedical Imaging and Translational Research (CIBIT) e do Instituto de Ciências Nucleares Aplicadas à Saúde (ICNAS), combinou de forma única um conjunto de métodos funcionais e moleculares de imagem que permitissem avaliar os movimentos oculares, uma função que na doença de Parkinson está alterada muito precocemente, dos participantes no projeto durante a realização de tarefas muito simples.

    O resultado deste estudo, afirma Miguel Castelo-Branco, é surpreendente «porque a plasticidade foi demonstrada a nível funcional e molecular no cérebro adulto, que se pensa ter menor plasticidade que o cérebro jovem. Para além do mais, este efeito foi observado numa fase inicial de uma doença neurodegenerativa, a doença de Parkinson. Isto mostra as reservas de compensação que o nosso cérebro tem, mesmo na adversidade».

    Sabendo-se que os sistemas visual e motor se modificam na doença de Parkinson, o artigo agora publicado, que tem como primeira autora a investigadora do CIBIT Diliana Rebelo, demonstrou duas coisas: «que a falência do sistema de execução de movimentos oculares é compensada nas fases iniciais da doença pelo recrutamento aumentado da parte do sistema visual que os programa».

    Os autores do estudo descobriram ainda, usando a técnica de PET (tomografia por emissão de positrões), um mecanismo molecular «que explica esta compensação funcional ao nível das estruturas que estão na base da comunicação entre os neurónios: as sinapses. Verificou-se que os níveis de um tipo de recetores (D2) de dopamina, que é a molécula chave na doença de Parkinson, ajustavam-se em várias partes do cérebro, relacionadas com a programação de movimentos oculares. Esse ajustamento tinha uma relação íntima com o padrão de compensação funcional encontrado».

    De forma mais simples, podemos dizer que «há uma espécie de reorientação dos circuitos oculares, de reformação de conexões, mesmo a nível molecular. É quase como se houvesse um shift para a parte mais posterior do cérebro», ilustra Miguel Castelo-Branco.

    (...)

    leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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    Cristina Pinto - Assessoria

    de Imprensa - Universidade

    de Coimbra - Comunicação de Ciência

    Ciência na Imprensa Regional – Ciência Viva”

    Por: Luís Dias

     

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