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Edição de 30-09-2019
Jornal Online

SECÇÃO: Ciência


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Recursos naturais, serão infinitos?

A pós a pausa do mês de agosto, iremos focar-nos numa área cada vez mais badalada pela comunicação social: os recursos naturais. Estes recursos, que retiramos do nosso planeta Terra, serão infinitos ou devemos usufruir deles tendo em consideração o seu limite?

De uma forma geral, podemos considerar que recursos naturais são elementos presentes na natureza que podem ser úteis ao ser humano para a vida em sociedade, no processo de desenvolvimento da civilização, ou para sobrevivência e conforto da sociedade. Estes recursos podem ser classificados como renováveis, como a energia solar e a do vento. Já a água, o solo e as árvores são considerados limitados, mas potencialmente renováveis. Como não renováveis, temos o petróleo e minérios em geral.

Na realidade, a grande maioria dos recursos que usamos no nosso dia a dia são limitados. A organização internacional Global Footprint Network anunciou, no passado dia 29 de julho, que foi atingido o limite do uso sustentável de recursos naturais disponíveis para este ano. A partir desse dia, a humanidade tem vindo a viver a crédito ambiental e consumir mais do que a natureza consegue produzir. “Atualmente, considerando a média mundial, estamos a consumir cerca de 1,75 planetas com a nossa voracidade de produção e consumo. A sobrecarga só é possível porque estamos a esgotar o capital natural da Terra, o que põe em causa o futuro da humanidade”, lê-se num comunicado da organização internacional Global Footprint Network.

Infelizmente o que temos verificado é que a tendência tem sido a de acionar o cartão de crédito ambiental cada vez mais cedo. Em 1979, o dia fatídico ocorreu no início de novembro. Há 20 anos, o dia da ultrapassagem foi a 29 de setembro, dois meses antes do previsto. Este ano, o recorde foi novamente quebrado, o Dia de Sobrecarga da Terra passou a ser a data mais recuada de sempre desde que o planeta entrou em défice ecológico no início dos anos 70.

Assim, se mantivermos o atual nível de consumo, até 2050 as nossas necessidades de água e alimentos serão cada vez maiores. Para inverter esta tendência teremos que adotar novas práticas sociais e uma reestruturação da alimentação a nível mundial: consumir menos proteína animal, derrubar menos árvores e reduzir consideravelmente a área de cultivo.

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“Quanta água e alimentos precisamos até 2050?

Um novo estudo agora publicado na revista Nature Sustainability apresenta uma nova avaliação integradora das necessidades globais de água e alimentos até 2050, tendo em conta o aumento da população mundial e a proteção dos ecossistemas aquáticos. Os resultados indicam que, para corresponder de forma sustentável à procura crescente de alimentos, será necessário redistribuir culturas agrícolas a nível regional, adoptar práticas agrícolas mais sustentáveis e aumentar o comércio internacional de alimentos.

Os recursos globais de água doce estão sob crescente pressão. Atualmente, cerca de 70% da água doce a nível global é utilizada para culturas agrícolas irrigadas, que asseguram cerca de 40% dos alimentos a nível mundial. As Nações Unidas prevêem que a população mundial alcance os 9 mil milhões de pessoas até 2050, o que irá aumentar a pressão sobre a necessidade de água no futuro.

No trabalho agora publicado, os investigadores desenvolveram uma nova avaliação integrada das necessidades globais de alimentos e água até 2050, e de como estes recursos limitados se relacionam entre si, com o objetivo de perceber de que forma devem ser geridos os recursos hídricos tendo em conta as necessidades humanas e os requisitos dos ecossistemas de forma a garantir um futuro sustentável.

“Os resultados revelam que, para produzir a nossa alimentação de forma sustentável e respeitando as necessidades ambientais, será necessário expandir a área de terra utilizada para a agricultura em 100 milhões de hectares – aproximadamente 100 milhões de estádios de futebol – até 2050, de forma a corresponder às necessidades de alimento tendo em conta o aumento da população mundial. Para que tal seja possível, tendo em conta os recursos hídricos limitados, será necessário reduzir as culturas intensivas em áreas secas e redistribuir a produção agrícola de alimentos em regiões abundantes em água”, explica Amandine Pastor, colaboradora do Centro de Ecologia, Evolução e Alterações Ambientais – cE3c, na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, e primeira autora deste estudo. Amandine Pastor é também investigadora do Instituto de Investigação para o Desenvolvimento (IRD), em França.

Esta é uma das primeiras avaliações integradoras que quantifica de forma rigorosa o efeito da proteção dos ecossistemas aquáticos nas captações de água, na produção global de alimentos e nos fluxos comerciais: os resultados do estudo indicam que será necessário um fluxo adicional de 10% a 20% de comércio desde regiões abundantes em água para regiões com escassez de água a fim de respeitar as regulações ambientais que asseguram a saúde dos ecossistemas – sendo que os principais fluxos comerciais vão da América Latina para o Médio Oriente e China.

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Por: Luís Dias

 

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