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Edição de 31-07-2019
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    Arquivo: Edição de 28-02-2019

    SECÇÃO: Editorial


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    Conflitos…

    A vida das populações e dos estados é marcada por conflitos. Marx chamou-lhe luta de classes e explicou que o devir da própria humanidade alimentava-se dessa luta. Surgiu, no 1.º pós-Guerra, na Rússia, o 1.º regime dito de “democracia popular” que, no 2.º pós-Guerra se expandiu a vários países da Europa de leste e duraram o tempo da Guerra Fria. Outros regimes surgiriam, de sentido contrário, em Itália e Portugal, que, inspirados na doutrina social da Igreja, supostamente, anulavam a luta de classes pela organização corporativista dos assuntos laborais.

    De facto, nem uns nem outros conseguiram evitar críticas e lutas porque dificilmente interesses opostos se podem conciliar por muito tempo… os conflitos são inevitáveis. Importante é enfrentá-los e tentar harmonizá-los com consensos baseados no respeito e na cedência de parte a parte.

    Em Portugal, no momento presente, notam-se já sinais da efervescência política de um ano em que os eleitores vão ser chamados a votos duas vezes, para o Parlamento Europeu, em maio, e para a Assembleia da República, em outubro.

    A luta sindical, concretizada por sucessivas greves da função pública, dos enfermeiros, professores e juízes, para referir apenas as mais mediáticas, para além das razões particulares, e certamente muito justas, que cada uma destas profissões tem, é também já uma manifestação da exaltação que costuma sentir-se em conjunturas pré-eleitorais. O mesmo se diga para a Moção de Censura ao Governo recentemente apresentada pelo CDS, e rejeitada sem surpresa, no hemiciclo, no passado dia 20 de fevereiro.

    Há cem anos, em Portugal, a luta política era bem mais violenta do que hoje. O novo regime republicano tinha mais de 8 anos de implantação, mas ainda não estava devidamente consolidado. A Monarquia do Norte (entre 19 de janeiro e 13 de fevereiro de 1919), a que adiante se faz referência pormenorizada, é uma prova de que havia muitos portugueses que continuavam a simpatizar com o regime monárquico.

    O dia 28 de fevereiro de 1919 ficou marcado por vários factos que consolidaram a reviravolta republicana em Portugal de há um século. Nesse dia, procedeu-se ao julgamento dos monárquicos, que estiveram diretamente implicados na restauração monárquica no Porto e noutros aglomerados urbanos do norte, através da aplicação do Decreto n.º 5188, que instituiu os Tribunais Militares, que tinham como missão julgar os elementos militares e civis, envolvidos no movimento monárquico, sobretudo no Porto e em Lisboa.

    No mesmo dia, num ambiente de grande animosidade para com o sidonismo que ainda se mantinha vivo no governo, graças à permanência de alguns ministros que eram conotados com Sidónio Pais, ao tempo já morto e enterrado, foram aqueles obrigados a abandonar as pastas governativas que ainda conservavam.

    Ainda no dia 28 de fevereiro de 1919, Norton de Matos, que mais tarde será recordado como um dos candidatos presidenciais da oposição ao Estado Novo (1949), foi agraciado com a Grã Cruz da Torre e Espada, e reintegrado no Exército, como coronel do Estado-Maior, ele que fora afastado do Exército e da presidência interina do Ministério pelo Sidonismo, exclusivamente por questões de ordem política.

    Os conflitos, como se vê, são de hoje, como foram de ontem.

    Por: Manuel Augusto Dias

     

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