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Edição de 31-07-2018
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    Arquivo: Edição de 30-05-2018

    SECÇÃO: Editorial


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    Os três F''s…

    Para o período do Estado Novo há quem refira a trilogia dos três F's como uma forma de manipulação da sociedade, sem dúvida, muito conveniente num regime ditatorial. Os três F's corresponderiam a Fátima, Futebol e Fado, a ordem é indiferente. Música, diversão e fé eram, supostamente, os ingredientes que faziam com que os portugueses se sentissem resignados e alegres.

    Neste mês de maio, estes três F's voltaram à ribalta, não por conveniência de quem nos governa, mas porque são já um traço da personalidade coletiva do povo português.

    Apesar de alguma perda de autoridade por parte das Igrejas, nas últimas décadas, não só em Portugal, como no resto da Europa, nem por isso se regista uma diminuição do fervor religioso. No dia 13 de maio, todos os caminhos se voltaram, de novo, para a Cova da Iria. O culto mariano em Portugal é tão antigo quanto a nacionalidade; logo no século XII, o primeiro monarca colocou o novo reino sob proteção de Nossa Senhora, passando Portugal a ser denominado como "Terra de Santa Maria".

    No contexto das Guerras da Restauração da Independência, em meados do século XVII, o culto mariano ainda se tornou maior, quando Nossa Senhora da Conceição foi declarada pelo Rei Restaurador, Protetora do Reino, e por ele coroada como Rainha de Portugal (por respeito a este ato, nenhum dos reis da 4.ª dinastia usou coroa).

    Entre nós, e ainda no que respeita à Fé e ao culto mariano, na noite de 12 para 13 de maio, a paróquia de Ermesinde voltou a organizar várias procissões de velas, em que participaram centenas de crentes, seguindo as nove imagens de Nossa Senhora de Fátima provenientes de outras tantas zonas da cidade, que naquela noite convergiram no largo da Igreja, onde milhares de pessoas se juntaram para rezar aos pés da Virgem.

    No mesmo dia e à mesmo hora, decorria em Lisboa o Festival da Eurovisão (outro "F", neste caso não é "Fado", mas "Festival"), o primeiro espetáculo musical deste género que aconteceu em Portugal, em virtude da vitória de Salvador Sobral no ano passado. Também este evento foi mobilizador de atenções e de interesse que extravasou claramente as fronteiras nacionais.

    Ainda o mês de maio ia a meio, e eis que surge "enfurecido" o 3.º "F", de Futebol. No dia 15 de maio, quando a equipa principal do Sporting treinava na Academia de Alcochete, surge de forma intempestiva um grupo de cerca de meia centena de alegados membros de uma ou mais claques do Sporting que, encapuzados, usaram de grande violência para com os jogadores e treinadores do Sporting, deixando marcas físicas e psicológicas nos atletas e equipa técnica, que pode muito bem ter sido a razão da derrota do clube de Lisboa na final da Taça de Portugal, frente ao Clube Desportivo das Aves. Mas, no meio disto tudo, nem é o resultado desportivo que mais interessa (apesar do notável feito da equipa de Vila das Aves), é o gesto de violência coletiva que foi praticado. As polícias conseguiram, quase de imediato, fazer 23 detenções que o Tribunal do Barreiro, depois de ouvir nove dos suspeitos que aceitaram falar, converteu em prisões preventivas - a medida de coação mais gravosa que a lei prevê.

    Mas a cena de violência rapidamente noticiada pelos meios de comunicação nacionais e estrangeiros entristece e envergonha o futebol português, que no último campeonato europeu se sagrou campeão e que agora se prepara para o mundial da modalidade, que está prestes a começar.

    Oxalá, corrigidos estes gestos vergonhosos, saibamos ser dignos representantes de um país que se preza pelos valores éticos e pelos direitos universais que a vivência democrática ensina e exige.

    Por: Manuel Augusto Dias

     

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