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Edição de 30-11-2019
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    Arquivo: Edição de 31-05-2016

    SECÇÃO: Editorial


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    Jornalismo na Internet

    Em meados da década de noventa do século passado, vivia-se em ambiente de grande euforia em torno da internet. Especialistas, políticos, líderes empresariais, jornalistas e muitos mais previam que a internet, vista como o topo de gama na tecnologia digital, iria transformar o mundo, gerar prosperidade, acabar com os meios de comunicação social tradicionais, aproximar os povos e promover o diálogo entre as nações. Em suma, iria revolucionar a sociedade, irreversivelmente.

    Os pregoeiros dos projetos do jornalismo pela via da internet previam a substituição das empresas jornalísticaspor tecnologias que permitissem o tratamento automático da informação e a redação de notícias. O jornalismo iria, finalmente ser melhor, depois de muitos anos de crise profunda nos modelos de parâmetros convencionados. O jornalismo tinha de se reinventar ou morria, dizia-se. A salvação estava na internet.

    No início da segunda década deste século, os dispositivos móveisestavam em grande expansão. Tornou-se mais ou menos firme a convicção de que aqueles equipamentos seriam o último recurso dos meios de comunicação noticiosos, sobretudo da imprensa que vivia em fase de grande aperto financeiro devido às contínuas quebras de vendas e de receitas provenientes da publicidade.

    Todavia, em 2013, o acesso às páginas da internet que disponibilizava informação noticiosa através de dispositivos móveis não chegava, entre nós, a 15 por cento. Predominava a publicação de textos que continuavam a ser a matéria-prima principal de trabalho de grande parte dos jornalistas das novas tecnologias. A sociedade não conseguiu acompanharo ritmo da evolução tecnológica.

    Aconteceu, também, que nesta euforia digital, não foram tidas em conta as limitações de caráter estrutural e conjuntural das empresas jornalísticas. Na verdade, muitas delas não tinhamcondições financeiras para realizar e sustentar investimentos jornalísticos avultados. Assim como não dispunham de recursos humanos em qualidade e quantidade para realizar esse projeto.

    Acresce, ainda, que nos últimos vinte anos, assistiu-se a uma crescente deterioração do mercado publicitário e surgiram novos hábitos de consumo de informação jornalística. As consequências mais visíveis foram a sangria de pessoal nas redações e a redução geral de custos, o que, por sua vez, prejudicou a qualidade jornalística. Os erros de gestão, ou a falta dela, o conservadorismo dos proprietários dos meios de comunicação, o baixo índice de formação nas novas tecnologias, algum amadorismo e a resistência à mudança, contribuíram, de alguma forma,para frustrar as expectativas nas novas tecnologias.

    "A Voz de Ermesinde"está na internet e mantém o formato em papel em espaço que há muito tempo conquistou, mas que bem pode ser alargado, se todos, na medida das suas responsabilidades, se empenharem em proporcionar meios para atingir novos objetivos. Alguém dizia que "há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas que já têm a forma do nosso corpo e esquecer caminhos que nos levam sempre aos mesmos lugares".

    Por: Casimiro Sousa

     

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