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    Arquivo: Edição de 24-01-2013

    SECÇÃO: Opinião


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    Banquete de Natal do FMI

    O Fundo Monetário Internacional, que os portugueses conhecem desde a década de setenta do século passado, está novamente na "berra" a propósito de um Relatório que produziu a pedido do Governo português com vista à reforma do Estado, documento polemizado por notícias que vão sendo conhecidas, desde as que indiciam que se trata de um conjunto de medidas "sopradas" pelo Governo, às que lhe apontam graves contradições censuráveis a alunos do 1º Ano de Economia, havendo quem se interrogue como ser possível uma instituição que se apresenta de elevado prestígio internacional, se preste a um papel tão criticável.

    À falta de melhor informação, fica a legítima especulação de que no mundo atual tudo é possível desde que haja dinheiro para pagar os maiores desaforos. E, a avaliar pela notícia que nos chegou e que passamos a transcrever integralmente, parece que apenas faltará conhecer os milhares ou milhões de euros que os contribuintes portugueses terão pago pelo citado relatório, eventualmente utilizados na liquidação do faustoso banquete oferecido pelo FMI a sete mil funcionários e convidados. Passemos à notícia.

    “Paul Thomson, executivo do FMI, sugere a demissão em massa de funcionários públicos gregos, entre uma mordida e outra no coquetel de caviar”

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    «O recente banquete oferecido para 7 mil funcionários e convidados na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Washington durou das 20h até à 1h da madrugada e custou 380 mil euros aos cofres da instituição que cobra dos países pobres cada vez mais cortes nos benefícios às populações carentes e trabalhadores de baixos salários. O menu, de quatro páginas, anunciava entradas de caviar, salmão e ostras, cozinha de cinco países, bebidas à vontade.

    No jantar do FMI para o Natal, houve de tudo, menos austeridade. Já sabemos que a entidade lucra tanto mais quanto melhor esmaga os países que caem na rede dos seus empréstimos (só com a Grécia, este ano, espera obter de juros US$ 899 milhões, lembra o diário norte-americano “Washington Post”), mas começa a ser marca registada do Fundo deixar bem marcado que aqueles que forçam os outros a ser austeros distinguem-se por fazer exatamente o oposto.

    O menu indicava que as entradas foram servidas entre as 20h e as 21h30 no 1º andar da sede e incluía uma lista de seis acepipes onde não faltaram os tradicionais Caviar Crème Fraiche, as ostras e o salmão defumado. Os comensais podiam depois escolher entre as “estações” indiana, tailandesa/vietnamita, mediterrânica e do Médio Oriente, espanhola, mexicana e até “norte-americana”, espalhadas pelos diversos andares e salões de dois edifícios.

    Os cocktails especiais tinham nomes como Cumprimentos do Paraíso, ou Mr. Grinch (?). E as sobremesas foram as mais variadas, de fina pastelaria francesa, bolos e frutas. O jantar, em dólares, chegou aos US$ 500 mil.

    Não é novidade que o Fundo se oriente por regras opostas àquelas que prescreve para os que supostamente ajuda. Veja-se o caso do alto funcionário Paul Thomson, dinamarquês que já chefiou a missão do FMI para Portugal e agora está à frente da missão para a Grécia. O homem que mais defendeu a proposta de aumentar o horário de trabalho em meia hora e insistiu em cortes de benefícios para Portugal, que foi mais longe na defesa das demissões de funcionários públicos, ganha mais de US$ 309 mil por ano, de acordo com o nível B05 do FMI.

    Segundo o jornal grego Eleftheros Typos, como funcionário do FMI não-norte-americano residente nos Estados Unidos, grande parte dos seus rendimentos são livres de impostos – uma das benesses garantida pelo FMI aos seus empregados. Thomson terá tido um aumento no seu vencimento, em 2011, de 4,9% – garantido pelo FMI.

    Como seria bom que os muito milhares de portugueses desempregados e sem subsídio, pudessem ser convidados pelo FMI para o publicitado Banquete de Natal.

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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