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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 17-08-2012

    SECÇÃO: Opinião


    Assim não vamos lá

    Os governantes mostraram-se novamente surpreendidos com os números fornecidos pelo INE quanto à taxa de desempregados que atingiu a fasquia dos 15%, declarando alguns dos seus membros que continuarão a implementar as medidas estruturais com vista a inverter a tendência que há vários trimestres se vem afirmando de aumentos sustentados no número de desempregados, acompanhados com os crescimentos negativos do PIB, realidades que levaram o primeiro-ministro a declarar que, apesar da recessão de 2012 estar a ser mais grave do que o esperado, 2013 será o ano da inversão e de preparação da recuperação económica, promessa que em 2011 fora feita para 2012.

    As medidas que o Governo não se cansa de proclamar com vista a atingir o objetivo de crescimento económico e redução da taxa de desemprego continuam a não produzir quaisquer efeitos, sendo que, para nós, outra coisa não seria de esperar. Quanto mais se insistir em desregular as relações do trabalho; quanto mais se insistir em aumentar o número de horas de trabalho com a mesma remuneração; quanto mais se teimar em tornar o trabalho extraordinário mais barato, mais desemprego se deve esperar. É uma consequência lógica. Mostrar-se surpreendido ou é má-fé, ou ausência de inteligência primária.

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    O surgimento das novas tecnologias trouxe à economia a possibilidade de, com muito menos mão de obra se obterem produções incomensuravelmente maiores, donde decorre que, mantendo-se o mesmo número de horas de trabalho, a economia dispensa milhares de trabalhadores sem que a produção conheça qualquer redução, mantendo-se inalteráveis os custos do trabalho. Dito por outras palavras, a introdução das novas tecnologias na economia só beneficiou, até hoje, o capital, como é notório quando são revelados alguns sintomáticos indicadores: fortunas nunca antes pensadas, aumentos significativos nas vendas de carros de luxo, contrastando com quebras da ordem dos 50% em dois anos nas viaturas designadas por “utilitários”; transferências ilegais de somas astronómicas para paraísos fiscais, etc., etc..

    A solução para o incremento da economia e principalmente para a redução do desemprego, estará, como aconteceu quando surgiu a máquina a vapor, em reduzir o número de horas de trabalho sem afetar negativamente a remuneração, fazendo com que o universo das pessoas a produzir aumente na proporção da redução do horário de trabalho, as contribuições para a segurança social registem o consequente incremento, os desembolsos sejam drasticamente reduzidos, as despesas de saúde conheçam igualmente algum decréscimo por se eliminar situações de “stress” dos que não encontram trabalho, os ambientes familiares deixem de se degradar, os alunos não tenham de interromper os seus estudos em consequência do desemprego dos pais, etc..

    E não se diga que com este receituário nos tornaremos menos competitivos. Não! Apenas os detentores do capital enriquecem um pouco mais lentamente. Continuar no caminho errado é mergulhar os portugueses novamente na miséria dos anos de 1950, desenvolvendo o caldo de cultura da violência que já se vem experimentando, revelado pelo aumento dos crimes que as estatísticas mostram.

    (*) alvarodesousa@sapo.pt

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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