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    Arquivo: Edição de 10-09-2011

    SECÇÃO: Música


    Gosto em ser professor

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    Ser Professor é, logo à partida, uma enorme responsabilidade para com o(s) aluno(s): pela sua formação académica: pela criação, no seu espírito, de uma sensibilidade para a cultura, para boas práticas de conhecimento. Sendo eu professor de Piano, tenho, neste sentido, que tudo fazer para despertar no meu "público" o interesse pelas artes e para as artes, se ainda criança ou jovem, um futuro cidadão, alguém interessado na relação com as outras pessoas de forma harmoniosa, pacífica; mostrar outros motivos de curiosidade a quem, já de si, demonstra ter uma paixão pela música, um interesse de melómano, de amor por todas as coisas relacionadas com a arte musical.

    Estar junto de uma criança e, em pouco tempo, fazê-la entender uma frase musical tal qual uma frase do seu livro favorito, uma partitura como um conjunto de símbolos que se manuseiam de tal forma que ganham vida como os bonecos de uma banda desenhada na nossa imaginação é um trabalho árduo.

    Fazer crer em alguém, ao longo das aulas, que temos de ter um cuidado extremo para com os sons, de forma a podermos transmitir as nossas emoções e as emoções dos compositores de forma mais fidedigna, mais inteligente possível, usando a intuição, pois claro, o instinto, o irracional, isto tudo é uma tarefa premente, que nos irá facilitar a vida, para que da música aprenda a gostar .

    Importante, também, é o facto de os alunos poderem ter contacto com mentes brilhantes, não pensando nos compositores como "bichos papões" que "só inventam coisas terríveis, muito difíceis", como alguns alunos costumam dizer quando eu lhes toco as peças para eles as conhecerem na sua essência; mas terem noção de que aquele é um trabalho laborioso mas extremamente compensador a partir do momento em que novas gerações lhe dão outro sentido, outra interpretação das suas ideias, numa palavra, reinventam!

    Ainda me lembro de uma aluna me dizer, a meio de uma aula: "Professor, como é possível este compositor ter escrito tanta coisa, tanta melodia e harmonia e todas tão belas?"

    Ou quando os olhos das crianças brilham quando, entrando na sala no tempo de intervalo - numa das escolas onde dei aulas isso era possível – elas ouvem o Professor a estudar piano (sim, os professores também são estudantes) e querem saber tocar aquilo, "como é que faz?" é a pergunta que mais me agrada, porque abre um campo infinito de possibilidades artísticas novas.

    Despertar a curiosidade para além das matérias obrigatórias é essencial para quem começa a aprender uma linguagem, uma nova forma de comunicar com quem nos rodeia.

    Quando um aluno, após múltiplas tentativas de lhe fornecer técnicas para poder tocar determinada passagem, não consegue fazer o que lhe pedimos, empurra-nos para a angústia, em que vemos o tempo passar e nada alcançar.

    Decidimos parar, refrescar a memória, visual e auditiva, nossa e do aluno, deixamo-lo ouvir outros alunos.

    Mas o tempo da aula termina, temos que ver outros aprendizes de um outro instrumento na sala ao lado.

    No fim, voltamos à sala. O aluno em questão lá se senta de novo no banco, em frente ao piano vertical.

    "Rapaz, toca de novo aquela passagem, da página X. Só tens uma oportunidade. Força!".

    E eis que, por milagre, tudo bate certo, sem truques, sem ser "a acertar, ao calhas". A felicidade ressurge nos nossos olhares.

    O trabalho tinha sido bem feito.

    A recompensa virá.

    Como escreve e pensa Sebastião da Gama no seu “Diário” ( Volume II das “Obras Completas de Sebastião da Gama”, Edições Ática, Lisboa, 5ª edição), «Ser Professor é DAR-SE».

    Por: Filipe Cerqueira

     

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