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Edição de 30-06-2020
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    Arquivo: Edição de 15-05-2011

    SECÇÃO: Editorial


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    Flores de maio

    Depois da Páscoa a natureza como que purificada desperta em nós uma vontade imensa de renovação.

    O país enche-se de flores, que em breve se transformarão em frutos, os primeiros já estão aí, as cerejas “que se comem ao borralho” ou ao sol, conforme o ano o permita, pelos vistos é melhor ser ao borralho, porque “maio quente traz o diabo no ventre”.

    Este maio tem sido amargo, e muitas vezes penso: será que vamos ter força para ultrapassar este longínquo inverno que teima em ficar entre nós?

    Tal como na natureza a persistência na vida costuma resultar. Todos os anos, na mesma altura as flores rebentam, os frutos aparecem, melhores ou piores, mas aparecem sempre, e é essa persistência que nos dá alento para cavar, semear, ver crescer, alimentar e cuidar, para que as flores apareçam e se transformem em fruto.

    Esta minha ligação à terra está sempre presente no meu quotidiano e nestes últimos tempos de uma forma muito prática e objetiva, cultivar a terra, enterrar os detritos, as tristezas, para que elas se transformem em pó, pó que é terra que alimenta e transforma sementes em frutos.

    Foto URSULA ZANGGER
    Foto URSULA ZANGGER
    Ontem enquanto regava as minhas sementeiras dei comigo a pensar quanto se poupava neste país em remédios, se as pessoas fossem educadas a admirar a natureza, a serem capazes de pegar numa enxada e cavar a terra, a frequentarem pequenas hortas onde vissem e sentissem o pulsar da natureza, aprendendo a respeitar as coisas mais pequenas. Com que cuidado os trabalhadores da terra cuidam das plantas, como caminham entre elas, sem as pisar! Sempre que vejo alguém da cidade chegar a uma zona semeada e, sem pensar, calcar as sementeiras, sinto um arrepio, porque os homens do campo caminham de outra forma e não deixam a terra pisada.

    Tudo na vida é assim, uns trabalham e respeitam o trabalho dos outros, outros sem saber calcam e pisam o que os outros fazem, sempre convictos das suas razões que a própria razão desconhece.

    Nos últimos tempos tem sido assim neste país, uns fazem outros desfazem, uns procuram protagonismo, outros julgam que são modernos, ouviram um guru qualquer em que acreditam e nem pensam um minuto, destroem o pouco que existe, e acima de tudo destroem a vontade de lutar, de crescer.

    Cultivar a terra ensina-me muito, a ter persistência, a lutar todos os dias, a ver beleza nas coisas simples, de tal forma que me dá uma vontade enorme de as transmitir para outras formas de criação.

    O campo e a terra que abandonámos continuam a dar-nos lições de vida, abandonámos a terra, deixámos de a cultivar, pagámos esse abandono, e agora fica bem, é politicamente correto voltar à agricultura e às pescas…

    Há quem pense que era preciso este interregno para encararmos estas atividades de uma outra forma, a ver vamos!...

    Por: Fernanda Lage

     

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