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Edição de 30-06-2020
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    Arquivo: Edição de 30-04-2011

    SECÇÃO: Editorial


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    Maias, muitas maias...

    Parece que neste primeiro de maio temos de estar protegidos contra todos os intrusos que por cá passeiam, e como mais vale prevenir do que remedir, trancas à porta e o melhor é colocarmos maias, muitas maias, para que não entre o “carrapato”, ou então para saudar a Primavera, a deusa Maia ou a Flora, conforme os gostos e as crenças.

    Mas este ano estou muito mais interessada em correr com todos os maus-olhados, não vá o diabo tecê-las…

    Em termos de crenças estou de acordo com o Umberto Eco. Quem não acredita num só Deus acredita em qualquer coisa.

    Mas aceito de bom grado que quando se está mesmo à rasca os povos se agarrem a todos os deuses e implorem a sua proteção.

    Não sei se os Portugueses estão mesmo cientes da gravidade da situação do País, não gosto de ser pessimista, antes pelo contrário, encontro sempre justificações e força para ir à luta, mas chegou-se a um ponto de tal desnorte que não consigo encontrar o caminho.

    Já não acredito que o caminho se faz caminhando, porque não sei para onde caminho…

    Não encontro referências, não acredito em políticos sem convicções ideológicas, não me chegam discursos empolgantes mas vazios de conteúdo e de meias verdades, não me convencem pseudo-políticos na busca do poder pelo poder, que mudam de opinião conforme correm os ventos.

    O País atravessa uma grande crise financeira, económica mas também de valores, falta-nos massa crítica capaz de olhar com olhos de ver para a situação, fazer a respetiva autocrítica e ter ideias para avançar. Porque falhamos, como corrigir e criar laços de unidade para lutar contra esta sociedade cada vez mais desigual.

    O apelo à unidade e à participação coletiva dos diferentes partidos num entendimento alargado para sair da crise não pode ser confundido com o nivelamento de princípios, na democracia as oposições têm um papel preponderante não só como fiscalizadores da governação, mas acima de tudo pela dinâmica gerada a partir das contradições das diferentes ideias. E aqui as oposições também falharam.

    Vou pôr maias nas janelas, vou comer caldo de castanhas piladas, para que não entre o “carrapato” nem o “burro” parta a louça…

    Foi e será sempre assim, a luta para afugentar o mal através da natureza com poesia e beleza, e não fosse primavera!...

    Lutar por este país é urgente, denunciar este capitalismo selvagem em que nos encontramos, é premente.

    Maio aproxima-se e com ele resoluções decisivas para o nosso país, e como diria Zeca Afonso:

    (…)

    «Maio maduro Maio

    Quem te pintou

    Quem te quebrou o encanto

    Nunca te amou»

    (...)

    Por: Fernanda Lage

     

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