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    Arquivo: Edição de 15-10-2009

    SECÇÃO: Opinião


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    No terminus do ciclo eleitoral

    Conhecidos os resultados das eleições autárquicas do passado dia onze deste mês de Outubro (hoje falta apenas conhecer o presidente de duas autarquias municipais), é chegado o momento dos portugueses descansarem do frenesim que foram os últimos tempos com intervenções televisivas que já poucos aguentavam suportar, tal era a recorrência dos temas, os ataques pessoais a candidatos e a partidos e a praticamente ausência da abordagem dos verdadeiros problemas que trazem os portugueses angustiados, com todos os actores políticos a refugiarem-se em frases feitas para não se comprometerem com os eleitores.

    E, como vem sendo hábito, no final de cada eleição, não houve quem não aparecesse a “cantar” vitória. Nas legislativas, a generosidade dos portugueses para com a classe política, votou de forma a que todos tivessem a sua vitória: O Partido Socialista considerou-se vencedor porque, efectivamente, foi quem teve maior número de votos e quem mais deputados elegeu para o Parlamento; o PSD ganhou seis deputados, o CDS aumentou nove deputados, o Bloco de Esquerda duplicou os seus oito deputados anteriores e a CDU também registou o aumento de um deputado. Conclusão? A generosidade e a sabedoria dos eleitores portugueses encontraram processo para que todas as forças políticas pudessem “proclamar” vitória sem faltarem à verdade, mesmo quem perdeu mais de meio milhão de votos e mais de vinte deputados.

    Fenómeno idêntico ocorreu com as eleições autárquicas. Também nestas os partidos participantes afadigaram-se para fazer passar a mensagem de que tiveram vitória: o PS tem menos presidentes de câmara mas como aumentou o número destes autarcas, de 110 para 131, ganhou; o PSD desceu das 157 presidências para 138 perdendo 19 cabeças de lista mas, como é o partido com mais presidências de câmara, logo ganhou as eleições. A CDU perdeu 4 presidências, mas como somou mais votos que nas eleições anteriores, também regista aumentos e, como contabiliza ganhos, logicamente não perdeu. Por sua vez o Bloco de Esquerda e o CDS seguraram cada um a sua câmara. Ainda por sua vez, os independentes não “largaram” as 7 autarquias que tinham. Moral da história: ainda não foi desta que no final de um acto eleitoral haverá alguém que se declare perdedor. É bonito e bem português.

    Transportando este tipo de análise para as eleições autárquicas do concelho de Valongo, talvez que também não ouçamos quem assuma qualquer espécie de derrota. Sendo cedo para se conhecer as reacções dos partidos e movimentos que participaram no acto eleitoral, não nos surpreenderá se viermos a ouvir o PSD, que perdeu um vereador e a maioria absoluta, a declarar que ganhou as eleições para o município, o que é verdade; o PS a ler os resultados em conjunto com o movimento “Coragem de Mudar” para afirmar que têm mais vereadores que no mandato anterior, sendo agora maioritários no executivo, realidade que anteriormente não acontecia com os seus quatro representantes, enquanto que a CDU e o Bloco de Esquerda, que não elegeram qualquer vereador, sempre poderão dizer que não perderam porque a situação actual é idêntica à anterior.

    Os resultados finais para o executivo camarário não conferem ao partido da lista mais votada a maioria absoluta, donde a natural expectativa de saber se o presidente da câmara decide convidar algum ou alguns dos vereadores de outras listas para exercerem o mandato em regime de permanência, ou se, pelo contrário, adopta uma postura já experimentada a nível do país, de governar em minoria, “negociando” cada decisão que entenda tomar com alguém da oposição. Confesso que gostaria mais que a opção fosse esta, na esperança de que as decisões estariam mais perto dos anseios das populações, mais complicada a concretização de “negócios” pouco transparentes e o interesse público melhor defendido. Aguardemos.

    Por: A. Alvaro de Sousa

     

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