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    Arquivo: Edição de 20-09-2009

    SECÇÃO: Gestão


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    Yes, We Can!

    Durante um debate político, que ocasionalmente acompanhei numa estação radiofónica, um comentador referia-se a Barack Obama como um personagem elástica. Esta característica não se reduzia ao aspecto físico do presidente dos Estados Unidos, abonando, contudo a seu favor, pela sua jovialidade e elegância.

    De facto, a sua elasticidade, manifesta-se, nomeadamente nos seus projectos, nas ideias e na clareza como as apresenta de forma simples objectiva e consistente. O próprio slogan da Campanha, também faz perceber a mesma elasticidade, frase simples mas carregada dum sentido de persistência e perseverança ou mesmo Fé num determinado projecto.

    Também estamos em tempo de campanhas eleitorais que se sentem no nosso concelho a propósito das autárquicas que se avizinham e vemos perfilados um conjunto de candidatos à liderança de diversas instâncias de Poder, donde sobressai naturalmente a do Município.

    Já em tempos me referia à militância partidária como uma pobreza de debate de ideias, também elas cristalizadas ou obsoletas e sem um suporte ideológico consistente ou deslocado no tempo, a pontos de nos perdermos a discutir questões que nascem de meras suposições, ou de notícias anónimas… é este o centro dos debates políticos.

    Apesar de alguns se arrogarem plurais e abertos, o facto é que a vivência partidária se revela um cenário de jogos de interesses e relações de servilismo onde para obter ou manter determinados “lugares”, importa lidar com muito “respeitinho” em relação aos senhores do Sistema que não permitem vozes dissonantes do discurso instituído. Esta realidade atravessa todo o espectro partidário.

    O que se nota também, e foi bem patente nas últimas eleições, é que o “Zé Povinho” não pactua com esta forma de fazer política, dando sinal disso mesmo, duplicando o número de votos brancos e nulos em relação às anteriores eleições… isto para além dos elevados níveis de abstenção. Isto é claramente um descrédito dum sistema que assenta basicamente nos partidos políticos, como forma de atingir o poder.

    A liberdade das ideias, não pode estar sujeito ao espartilho partidário e as pessoas que pretendem participar na “coisa pública”, num exercício de cidadania, cada vez mais, optam pela independência, num combate desigual face aos aparelhos dos partidos concorrentes. A Imaginação e a criação de novas soluções têm que estar presentes na construção do bem comum, ser participado e transparente. Não pode ficar fechada na opacidade dos gabinetes de uns quantos “ adiantados mentais”, inquestionáveis e intocáveis.

    A politica deve ser participada e as lideranças consensuais. As bases ideológicas são fundamentais para a construção e consolidação das opções políticas mas também há que atender ao contraditório e assimilar as boas propostas, independentemente da sua origem, sem preconceitos. Esta é a elasticidade que o nosso referencial Obama pratica: a capacidade do consenso.

    Tal como em qualquer projecto, devem existir três níveis de princípios, que determinam a estabilidade e consistência na sua execução. Assim, a Missão, que vem carregada de uma profunda Fé e crença nos objectivos e resultados. A outro nível temos a Visão, pela projecção no futuros de acções determinadas; requer por isso um alto nível de competências e conhecimento e também a capacidade de trabalho em uníssono com vista às metas propostas… e também uma boa dose de imaginação e arrojo. Finalmente, os Valores, a atitude com que enfrentamos os novos projectos, a coragem, o trabalho, a transparência e o entusiasmo, a mensagem simples e consensual que agregue fileiras de vontades em torno dessa mesma ideia. Veja-se a este propósito, o que se passou na União Indiana com Gandhi, designadamente com a “marcha do Sal” ou a enorme fogueira de produtos manufacturados, vindos da Inglaterra. Acções simples, mas de grande profundidade, e com repercussões sociais e económicas tão importantes.

    As Ideias têm que ter ressonância e serem ouvidas e compreendidas no “funda da sala”, para que as pessoas as possam interiorizar. Têm que ser divulgadas de forma simples mas intensa. Têm de ser veiculadas por meios acessíveis mas eficazes.

    Gostaria de terminar com uma referência que durante muito tempo nos emocionou e veiculou ideias e ideais, através da música e das palavras de forma livre e independente: O nosso Zeca Afonso. Será que um fórum de artes poderia ser o cenário propício para a divulgação das mensagens, das propostas e das ideias?

    Por: José Quintanilha

     

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