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    Arquivo: Edição de 20-09-2009

    SECÇÃO: Educação


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    O DESAFIO DA EDUCAÇÃO

    Orientação Vocacional na Infância

    “Educar consistirá sempre no processo de criarmos condições, uns aos outros, para que todos cresçamos, nos desenvolvamos, em ordem à nossa máxima realização como pessoas”

    (Dias, 2002)

    A qualidade das experiências vividas ao longo da infância preconiza um processo contínuo de interacção com o mundo cada vez mais rico e complexo, que imponentemente levará o indivíduo a tomar decisões acertadas pela vida fora. Isto porque ao se construir o que se é, constrói-se também o que se quer ser. A construção da identidade vocacional deriva e é sustentada por um conjunto de factores históricos e relacionais associados a factores contextuais (familiares, sociais, económicos e culturais) que vão sendo interiorizados pela criança e que podem vir a facilitar, ou não, a construção de si mesmo e do seu projecto de futuro (Blustein, 1992, cit. por Bauptista e Costa, 2004, p.173, cord. Taveira, 2004).

    Cabe aos educadores de Infância a importante tarefa de explorar e enfatizar as possibilidades profissionais e tornar implícita e incondicional a liberdade de escolha, com base nos interesses vocacionais apresentados pelas suas crianças. Ao logo deste processo, o educador deverá implicar a responsabilidade, o compromisso e a cooperação do psicólogo, dos encarregados de educação, dos familiares e de outros elementos representativos da comunidade envolvente (ex: polícia, bombeiro, médico, sapateiro, entre outros), tendo em conta que cada indivíduo emerge de uma história de vida que influenciará a formação da sua identidade pessoal e profissional (Taveira, 1999). Alguns profissionais de orientação vocacional defendem a liberdade de escolha como sendo uma oportunidade de ter à disposição uma ampla variedade de opções e o direito de optar pela que achar melhor.

    Foto LISA ESATMAN
    Foto LISA ESATMAN
    As orientações curriculares para a educação pré-escolar (Ministério da Educação, 1997) concebem a oportunidade ao educador de ser ele próprio a construir o currículo para o seu grupo de crianças, levando em conta os seus interesses e necessidades, através da criação de actividades que imitam situações reais e que permitem o jogo simbólico (jogo faz-de-conta) de profissões, por exemplo. Esta é uma forma natural e interessante, para além de lúdica, de permitir o contacto e a identificação com as diferentes profissões, e dar início ao processo de desenvolvimento vocacional. Os objectivos propostos para o pré-escolar, quando bem conseguidos, são a base para o bom desempenho vocacional nas restantes fases do seu percurso de vida.

    Pinto (2002) é um de muitos autores a dirigir as suas pesquisas aos educadores de infância, no sentido de promover e facilitar o acesso a uma série de actividades já planeadas e que têm como objectivos: (1) Ajudar a criança a adquirir conhecimentos sobre pessoas e locais relacionados com o seu contexto de vida; (2) Desenvolver atitudes favoráveis à exploração e participação nesses contextos; (3) Permitir o auto-conhecimento e o crescimento como pessoa em diferentes contextos de vida; (4) Promover a sensibilidade à importância dos seus diferentes papéis, em interacção com os seus pares e figuras significativas da escola, da família, da comunidade e do mundo profissional.

    Para Gomes (2004, coord. Taveira), «estas experiências educativas facilitam a tomada de consciência dos alunos sobre os seus interesses, atitudes, objectivos, capacidades e competências, alargam o seu âmbito de conhecimentos sobre o leque e o tipo de cursos e/ou profissões que poderão interessar-lhes e contribuem para o desenvolvimento de competências de exploração vocacional. Podem ser actividades de tipo verbal, não verbal, escrito, matemático, experimental e outro que, desde cedo, contribuem para que as crianças compreendam o mundo social e profissional que as envolve, combatam os estereótipos, conheçam os seus próprios desejos e as suas motivações, desenvolvam competências e capacidades de tomada de decisão necessárias para fazerem opções escolares e profissionais, tomem consciência das exigências que a comunidade coloca, bem como dos seus direitos e responsabilidades enquanto membros da força de trabalho».

    O certo é que quanto maior for a relevância dada a esta temática nas escolas e Jardins de Infância, mais contribuirá, certamente, para a sua inserção na política educativa nacional e estabelecimento de princípios e modelos de intervenção.

    Por: Elisabete Pinto

     

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