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    Arquivo: Edição de 31-01-2009

    SECÇÃO: Educação


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    O DESAFIO DA EDUCAÇÃO

    Dislexia (de desenvolvimento)

    O grande desafio que se coloca aos pais é a procura de melhores respostas para as diferentes situações ao longo do desenvolvimento dos seus filhos.

    Este espaço pretende informar e responder a questões generalizadas na área do desenvolvimento da linguagem e da aprendizagem e suas implicações no percurso escolar. Para um maior esclarecimento: geral@elisabetepinto.com ou www.elisabetepinto.com

    Trata-se de uma dificuldade específica de aprendizagem com origem neurológica, hereditária e que afecta cerca de 7 a 8% da população. Caracteriza-se por dificuldades no reconhecimento de palavras escritas e por níveis baixos de descodificação e de produção escrita. Estas dificuldades resultam tipicamente de um défice na componente fonológica da linguagem (Snowling M. & Stackhouse J., 2004; Vale A., 2008). Não se verificam défices cognitivos ligados ao raciocínio, défices sensoriais, défices de organização espaço-temporal e défices de discriminação ou memória visual (Vale A., 2008). Estas crianças por vezes têm problemas associados de fala e linguagem. Entre esses problemas, estão o desenvolvimento atrasado da fala e da linguagem, os problemas articulatórios persistentes, dificuldades para se lembrarem de palavras, desenvolvimento imaturo da sintaxe e dificuldades nas habilidades de segmentação e fusão de palavras (Snowling M. & Stackhouse J., 2004).

    Estas crianças, ao apresentam níveis de consciência fonológica baixos, problemas de memória de curto prazo/trabalho e lentidão na nomeação de palavras (ou seja, são lentos quando vão buscar palavras à memória), enfrentam graves dificuldades na aprendizagem das letras do alfabeto, por lhes ser difícil memorizar os sons referentes às letras.

    Relativamente ao défice fonológico, este caracteriza-se pela: descodificação lenta e imprecisa dos fonemas (percepcionam com dificuldade os sons/fonemas da língua que ouvem); reconhecimento com efeitos de familiaridade (reconhecem as palavras em vez de as descodificar) e aproximação visual (memorizam as palavras e depois confundem-nas com outras parecidas); dificuldade no uso de diacríticos (acentos nas palavras); permanência de erros ortográficos; escrita de frases com estrutura pobre, produções escritas reduzidas (frases curtas e composições pequenas); por vezes têm problemas de compreensão da leitura (por lerem muito pouco e terem um vocabulário muito reduzido) (Vale A., 2008).

    As manifestações comportamentais da Dislexia surgem por volta dos 6 anos de idade, aquando do 1º ano de escolaridade, têm um carácter universal (fonologia/ortografia) e persistente (atraso vs desvio), evoluem ao longo da aprendizagem/vida e são resistentes à reeducação/intervenção (Vale A., 2008).

    Cada criança disléxica tem as suas dificuldades próprias que provocam uma alteração leve ou grave no processo de aprendizagem. Cada uma tem o seu próprio padrão de pontos fortes e pontos fracos. Se as competências verbais não são o seu ponto forte, podem surgir melhores competências em áreas como as artes, a criatividade, o desenho, a informática ou o desporto, por exemplo. Todo o trabalho de intervenção deve ter, entre outros, o objectivo de identificar e valorizar os pontos fortes individuais para permitir que a criança aproveite as suas capacidades (Blakemore S. & Frith U., 2007).

    Nestas crianças, a auto-estima é uma questão crucial. É importante que se sintam bem com elas próprias para que consigam ter melhores desempenhos. É comum tratarem as crianças disléxicas como se fossem “desleixadas, preguiçosas e burras”, especialmente por quem não conhece a natureza do problema. A aceitação dos colegas e da família é muito importante. Uma criança que sente o amor incondicional da família e dos seus amigos tem mais hipóteses de se sentir bem consigo mesma do que aquela que é aceite e acarinhada somente quando está dentro dos padrões de comportamentos normais. Educar um filho com Dislexia é um desafio, mas este trabalho torna-se mais fácil quando os pais aprendem com os erros e as vitórias de outros pais. Neste sentido, referimos os 10 aspectos problemáticos e mais comuns que os pais de crianças disléxicas encontram e que devem evitar:

    1-Pensar que o seu filho vai ser “normal” algum dia e a Dislexia curada;

    2-Culpar-se pela dislexia do seu filho;

    3-Acreditar que entende exactamente o que o seu filho está a pensar;

    4-Não compreender o que o seu filho pode ou não fazer;

    5-Ajudar o seu filho em tarefas que ele pode fazer sozinho;

    6-Esconder a Dislexia do seu filho das pessoas;

    7-Baixar as expectativas em vez de reformulá-las;

    8-Tentar proteger o seu filho do mundo real;

    9-Criticar o sistema de ensino em vez de trabalhar conjuntamente com ele;

    10- Focalizar as incapacidades do seu filho em vez das capacidades.

    (Frank R., 2003)

    Embora o uso do termo “Dislexia” permaneça em discussão na comunidade científica, não há dúvida de que o diagnóstico e intervenção atempada e prolongada, contribui para o sucesso da criança. Com o apoio de um técnico especializado em conjunto com o professor da turma e os pais, a criança pode dar grandes passos para superar as suas dificuldades de leitura e escrita. Para que assim seja, deve procurar a opinião de um técnico especializado em reabilitação da linguagem e seguir as suas orientações.

    Por: Elisabete Pinto

     

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