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Edição de 31-10-2019
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    Arquivo: Edição de 15-10-2008

    SECÇÃO: Editorial


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    Para onde corre este rio?...

    A crise está aí e é real, mais real que o dinheiro injectado nas instituições bancárias, esse sim quase sempre virtual.

    Nunca existiu uma crise como esta, ela é global e, ao contrário do que muitos pensam, não vai afectar apenas os ricos, os homens das finanças, os comandantes do barco. Nós estamos todos dentro dele, não nos pertence, no entanto... se ele se afundar vamos com ele.

    O mundo virtual entrou nas nossas vidas e perdeu-se o sentido do valor do dinheiro, apenas o conhecem aqueles que só o utilizam nos bens de consumo mais básicos. No entanto fomos todos arrastados por esta corrente, de um rio tortuoso e éfemero que corre a grande velocidade sem saber para onde.

    Dentro deste contexto parece-me pertinente reflectir sobre este falso paraíso que nos venderam e vão continuar a vender, mesmo aos mais cépticos.

    Quantos de nós não fomos apanhados na corrente com medo de ficarmos fora do contexto, marginalizados pela maioria que nos rodeia.

    Numa sociedade cada vez mais global, mais consumista, em que tudo é descartável, em que cada um tenta impor-se perante o seu semelhante de qualquer forma, passando por cima de tudo e de todos, é difícil mas é urgente equacionarmos para onde corre este rio.

    Nunca acreditei nesta forma de viver virtual, em que nos fazem crer que tudo se resolve no momento, em que tudo se compra a crédito, de qualquer forma, logo se verá!

    A forma como nos venderam a felicidade, como resolveram a satisfação dos prazeres, as exigências sociais de mostrar o que não se tem, em muito contribuiu para a actual crise de valores que não são só económicos e financeiros, são estruturais, de uma sociedade de sonhos que se desfazem ao mínimo sopro de uma aragem um pouco mais consistente.

    A crise está aí e não se resolve apenas com engenharia financeira. Se não mudarmos de atitudes, se não ensinarmos os nossos filhos a pensar e a gerir a vida com os pés bem assentes na terra, ninguém nos pode valer.

    Temos assistido nos últimos anos a verdadeiras loucuras de gastos supérfluos realizados por pessoas que, para os pagar, terão de trabalhar a vida inteira. Não é possível continuar neste crescimento de endividamento. As famílias, a escola, a educação em geral, também têm uma quota de responsabilidade nesta crise, a falta de referências, a inversão de valores, a conquista de estatuto social através da posse virtual de valores efémeros, levou a que um grande número de pessoas tenham recorrido à banca, se tenham endividado de uma forma assustadora, sem que com isso tenham usufruído de mais-valias reais para si e para a sociedade em geral.

    Esta crise era previsível, só que não se sabia quando rebentava, e aí os grandes senhores, os grandes gestores deste mundo, são os seus autores, também eles viveram num mundo virtual, por eles criado, e do qual são responsáveis.

    Foram eles que nos ofereceram esse mundo virtual, criado por eles e para eles.

    Entretanto o virtual cruzou-se com a realidade e a separação destes dois mundos é cada vez mais ténue e frágil.

    Por: Fernanda Lage

     

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