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Edição de 31-03-2021
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    Arquivo: Edição de 10-09-2008

    SECÇÃO: Editorial


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    Afinal o Ensino melhorou...

    Depois de um ano lectivo tão controverso como o que findou, fico estupefacta com as conclusões do Ministério da Educação.

    Vivi e participei com todo o entusiasmo estes 35 anos que dediquei ao Ensino e nunca senti a classe dos professores tão desanimada e desmotivada como no ano que passou. Mas parece que foi bom, segundo a opinião do nosso primeiro-ministro e da ministra da Educação, o Ensino melhorou significativamente…

    Não há dúvidas e a estatística confirma, que o insucesso do nosso sistema educativo é elevadíssimo e esta situação tem que ser corrigida, aqui estamos todos de acordo. Que o caminho para o conseguir passe por baixar os níveis de exigência, isso não compreendo.

    Entendo perfeitamente o significado e importância da escola para todos e a massificação daí resultante. Aceito que ainda há muito que fazer e que o Ensino precisa de mudanças. Compreendo o esforço feito, preocupa-me estarmos tão longe dos objectivos que pretendíamos alcançar, mas não é tempo para facilitismos, antes pelo contrário, é altura de caminharmos para um ensino de qualidade, um ensino em que os alunos adquiriram competências que lhes permitam a sua integração activa na sociedade. Um ensino em que os alunos se sintam motivados, responsabilizados, e que seja pautado por rigor, o rigor que temos que introduzir no nosso quotidiano.

    Ao contrário do que muitas vezes se pensa, os jovens gostam de vencer obstáculos, gostam de ir à luta.

    É preciso criar nos jovens um grande sentido de responsabilidade para que eles consigam vencer nesta sociedade cada vez mais complexa.

    Que alunos são estes que melhoraram as estatísticas?

    Alunos que vão deixar de acreditar na capacidade de progredir pelo trabalho, alunos que vão estar sempre à espera da ajuda dos outros, que dificilmente terão capacidade de se inserirem no mundo laboral.

    Entendo que não somos todos iguais, que uns serão melhores numa ou outra matéria, mas é preciso que os alunos desenvolvam e aprofundem as áreas onde se sentem bem, só assim estarão motivados para progredirem, justamente e com entusiasmo.

    Mas não podemos esquecer o que é básico e fundamental em todas as áreas e aí os primeiros anos são de extrema importância.

    Muitos pais já compreenderam o seu papel no acompanhamento das actividades escolares e no rigor que devem incutir aos seus filhos, mas quantos pais o podem fazer?

    Quando se passou um ano a desacreditar os professores, a fazer passar uma imagem de incompetência, de recusa à avaliação, a generalizar casos pontuais de maus professores, iniciamos este ano lectivo louvando os professores e as estatísticas, o que é preciso é facilitar... Os alunos percebem isso.

    Quantos professores já foram confrontados com alunos que se recusam a fazer um mínimo de esforço alegando que não gostam, não vale a pena... o Conselho de Turma depois sobe-lhe a nota!...

    Entendo a preocupação com o excesso de retenções, mas é preciso ir ao encontro das suas origens. Sem resolver esses problemas sérios, difíceis, reais, pouco importam as estatísticas.

    Por: Fernanda Lage

     

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