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Edição de 30-06-2020
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    Arquivo: Edição de 30-06-2008

    SECÇÃO: Gestão


    A crise energética mundial

    Desde a guerra do Iraque, vem--se sentindo uma série de mudanças profundas na Economia Mundial. Questões energéticas, ambientais, tecnológicas e outros fenómenos de natureza monetária e a própria globalização ou a distribuição dos bens de primeira necessidade e das matérias-primas fundamentais, são alguns dos temas que têm preenchido as primeiras páginas dos jornais ou das publicações da especialidade e se revelam de capital importância no rumo das Sociedades.

    Tomando as questões energéticas como o princípio duma reflexão lógica, verificamos que o petróleo assume um papel determinante e geo-estratégico, aliado a interesses económicos vários. A este propósito, há um paradoxo que julgo de certo interesse colocar:

    De há dois ou três anos a esta parte, tem-se verificado um aumento progressivo do preço de referência dos produtos petrolíferos, que na altura rondava os 25 dólares/barril, e neste período encareceu cerca de cinco vezes.

    Se pensarmos que neste mesmo período, o dólar tem vindo a desvalorizar, reduzindo o seu preço para cerca de metade, ou seja, 1 dólar custava na altura 1,2 €, e agora está bem mais barato custando apenas 0,6 €, na prática, uma vez que, para adquirir produtos petrolíferos, previamente teremos que comprar dólares – pois é nesta moeda que tais produtos se comercializam –, apesar de se ter verificado um encarecimento deste produto na ordem dos 500%, como o preço da moeda que serve para efectuar esta transacção, embarateceu para metade, então o custo final dos produtos não será cinco vezes mais caro, mas apenas metade, ou seja, duas vezes e meia. Por exemplo, o gasóleo custava cerca de 0,60 €, e encontra-se neste momento a cerca de 1,40 €, o que corresponde um aumento de 2,3 vezes.

    Esta situação aplica-se ao nosso país ou a qualquer outro da zona euro. Pergunta-se: E os outros países que têm o dólar ou moedas indexadas ao dólar, como moeda corrente? Naturalmente que não beneficiaram da desvalorização do dólar face ao euro!... Então quer dizer que os seus custos energéticos tiveram um agravamento de 500%!

    Neste caso, como se explica que num país (…ou vários), perante um aumento dos combustíveis na ordem dos 250%, se tivessem sentido reacções como as verificadas no sector das pescas, ou dos transportes, com paragens massivas a pontos de se equacionar a imposição do estado de emergência e a requisição civil… e os outros, que viram os custos energéticos aumentar na ordem dos 500%, não se queixem?!...pelo menos não há notícia de qualquer convulsão social, económica ou sectorial, como aconteceu na Europa!

    Quem estará a ganhar com tudo isto?

    O Estado será porventura um ganhador líquido, pois tributando os produtos petrolíferos com o ISP (…que em termos de dimensão à escala do Orçamento Geral do Estado está ao mesmo nível que os Impostos sobre os lucros das Empresas – IRC) e retributando esse “resultado explosivo” com o IVA a 21%, temos desde logo uma certeza: É que quanto mais caro for o petróleo e seus derivados, mais o Estado arrecada em termos absolutos, pois a taxa é fixa, gerando uma maior “comissão” para os cofres do Estado, proporcionalmente ao encarecimento do custo do petróleo…e nós pagamos!

    Depois temos as petrolíferas, que manipulam os preços, a que todos nós estamos sujeitos, de forma imoral, concertando tacitamente tais preços, publicando lucros escandalosos, e como se tal não bastasse, impondo monopolisticamente repetidas subidas de preços na ordem dos 3 ou 5 cêntimos, e quando os preços da fonte recuam, efectuando esporádicas e cínicas reduções da ordem do 0,5 cêntimos, como que por caridade ou arrogância!

    Tudo isto se passa em pleno século XXI, onde se aprofundam as distâncias entre ricos e pobres, que por vezes se manifestam em luxos exagerados e na miséria deplorável, sociedades desgastadas e superficiais onde as vedetas são “adoradas” e os verdadeiros valores tendem a ser maquilhados, havendo quem profetize que este será um novo século de Revoluções.

    Por: José Quintanilha

     

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