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Edição de 31-05-2019
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    Arquivo: Edição de 31-03-2008

    SECÇÃO: Saúde


    Cirurgia de Ambulatório no Hospital de Valongo

    Fotos MANUEL VALDREZ
    Fotos MANUEL VALDREZ
    De forma a poder avaliar localmente as realidades e constrangimentos no desenvolvimento da Cirurgia do Ambulatório, a CNADCA (Comissão Nacional para o Desenvolvimento da Cirurgia do Ambulatório) visitou no passado dia 17 de Março o Hospital de Nossa Senhora da Conceição de Valongo.

    Na ocasião, além da visita ao Departamento de Cirurgia de Ambulatório, foi efectuada uma reunião em que, para além do Conselho de Administração do Hospital de Valongo, presidido por José Luís Catarino, estiveram presentes os directores se serviço das especialidades com maior impacto na Cirurgia do Ambulatório, para além de outros profissionais.

    Segundo informação emanada desta unidade hospitalar, no ano de 2006 foram ali intervencionados 829 doentes, todos em cirurgia programada. A utilização do ambulatório ocorreu em 4% dos casos programados (31 doentes).

    No ano de 2007, a mesma unidade hospitalar intervencionou 994 doentes, todos em cirurgia programada, tendo a utilização do ambulatório ocorrido com 275 doentes.

    Para o ano de 2008 o Hospital Nossa Senhora da Conceição de Valongo contratualizou a realização de 1 820 cirurgias, todas programadas. Desta 1 100 serão efectuadas em regime de ambulatório.

    Ainda segundo dados desta unidade hospitalar, em Janeiro de 2008 existiam inscritos no Hospital Nossa Senhora da Conceição de Valongo 302 doentes à espera de uma intervenção cirúrgica. O tempo médio de espera é de 2,1 meses, sendo que cerca de 86% deles esperam menos do que 6 meses, segundo números de Janeiro de 2008, sendo que neste último ano e meio O Hospital Nossa Senhora da Conceição de Valongo conseguiu reduzir em 39% o número de doentes em espera e em 67% o tempo mediano de espera (498 doentes em Junho de 2006 – com tempo médio de espera: 6,3 meses; 309 doentes em Janeiro de 2007 – com tempo médio de espera: 3,1 meses; 267 doentes em Janeiro 2007 – com tempo médio de espera: 2,6 meses).

    O Hospital de Valongo pretende assim apostar no Programa de Cirurgia do Ambulatório, de forma a garantir os «melhores níveis de qualidade na prestação de cuidados de saúde».

    Para além da aposta na melhoria de estruturas físicas, está a ser feito um esforço financeiro para dotar o Hospital de equipamento mais moderno.

    O projecto está de acordo com a estratégia do Conselho de Administração do Hospital, com o planeamento regional da ARS-Norte, IP, e com as prioridades definidas da política nacional de saúde.

    CIRURGIA

    DE AMBULATÓRIO

    Segundo documento da CNADCA, «a cirurgia em regime de ambulatório tem sido a área de maior expansão cirúrgica nos últimos trinta anos, ao nível dos países desenvolvidos, graças às múltiplas vantagens que lhe estão associadas.

    O forte impacto social e económico deste modelo organizativo está, antes de mais, associado a um significativo incremento da qualidade, mas permite igualmente a racionalização da despesa em saúde com uma correcta reorientação dos custos hospitalares, em especial quando em presença de elevados índices de substituição da cirurgia convencional, de internamento, pela cirurgia de ambulatório (CA).

    A melhoria do acesso dos doentes à cirurgia, através da redução de listas de espera cirúrgica é outra das mais valias deste regime de cirurgia sobretudo quando este tipo de programas se desenvolve em Unidades de Cirurgia Ambulatória especialmente desenhadas para esse fim, resultando facilitado o processo de agendamento operatório. O correcto planeamento do desenho da Unidade e da gestão de recursos humanos, centrada no doente, permite aumentar muito a eficiência hospitalar relativamente à cirurgia de internamento, sendo o doente melhor tratado de acordo com as suas necessidades e podendo regressar a casa no próprio dia da intervenção, de forma a recuperar da sua operação num ambiente familiar.

    Na verdade, a CA tende a criar menos “stress” nos doentes, desde que devidamente informados acerca do processo e do acompanhamento na recuperação. Esta situação é especialmente ajustada à cirurgia em pediatria já que permite o menor tempo possível de afastamento das crianças dos seus pais. É ainda muito vantajosa na geriatria, em virtude da facilidade com que estes doentes experimentam episódios de desorientação quando se encontram afastados do seu ambiente familiar, mesmo em pequenos períodos de tempo. As taxas de satisfação de doentes e familiares, registadas na CA nos países tecnologicamente evoluídos, incluindo Portugal, têm vindo sempre a aumentar. Existe evidência científica que prova ser mais rápida a recuperação pós-operatória em ambiente familiar do que a efectuada em regime de internamento, permitindo a CA um regresso rápido dos doentes às suas actividades diárias, à sua vida familiar e à sua actividade profissional.

    A CA associa-se a uma menor taxa de complicações pós--operatórias, apresentando uma incidência de regressos ao hospital não superior àquela encontrada no pós-operatório da cirurgia de internamento. A dor pós-operatória é em geral mais reduzida, sendo assinalada uma diminuição do risco de tromboembolismo em virtude da deambulação precoce. É sabido que a hospitalização aumenta o risco de exposição a infecções e promove o prolongamento do internamento, muitas vezes, para além do necessário. Em oposição, a CA reduz o risco de infecções adquiridas, devido ao afastamento e menor possibilidade de contacto com patologias mais graves. A CA apresenta assim níveis de qualidade clínica e de satisfação, para utentes e prestadores, no mínimo idênticos aos encontrados na cirurgia convencional, para indicações clínicas semelhantes».

    SITUAÇÃO

    EM PORTUGAL

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    O documento emanado da CNADCA passa depois a analisar a situação no terreno, apontando que «apesar das vantagens comparativas da CA, em Portugal o desenvolvimento deste regime cirúrgico é ainda bastante inferior ao de outros países com os quais nos pretendemos comparar. Analisando o caso de um procedimento cirúrgico específico, a correcção cirúrgica de hérnia inguinal, em Portugal, em 2005, apenas 15% destas cirurgias foram realizadas em regime de ambulatório, por comparação com os EUA, com 84% nesse ano, Dinamarca com 73%, Inglaterra com 42%, ou mesmo a Itália com 30%. Mesmo em patologias de Oftalmologia, Ginecologia/Obstetrícia, Urologia, Cirurgia Vascular, Otorrinolaringologia, Ortopedia, ou Cirurgia Geral, em que o recurso, em regra, à CA é considerado como o mais adequado, a CA atinge níveis muito mais baixos no nosso país, que em países comparáveis. Dados globais de 2006, mostram que enquanto em Portugal a proporção da cirurgia realizada em regime de ambulatório relativamente ao total de cirurgias realizadas, se situava nos 17%, este valor era de 55% na Dinamarca, era de aproximadamente 50% em países como a Suécia, a Noruega ou a Holanda, e situava-se entre 28% e 44% em 6 regiões de Espanha».

    Por: AVE

     

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