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Edição de 30-09-2020
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    Arquivo: Edição de 15-03-2007

    SECÇÃO: Editorial


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    No rebentar da folha

    Sempre que a Primavera se aproxima e as árvores começam a rebentar, eu lembro-me da minha professora de Ciências do Ensino Secundário. Uma professora delicada e doce, exigente mas compreensiva, de grande dedicação e profissionalismo. Todas as Primaveras a revejo e cito as suas palavras aos meus alunos: – Ainda estás a tempo de recuperar, depois das folhas rebentarem é muito difícil.

    A relação entre as estações do ano, a transformação da natureza e a vida humana tem, para mim, uma natureza muito forte. Esta forma de estar muito perto da natureza confesso que é muito pouco urbana e tem, de certeza, muito a ver com as minhas raízes.

    A relação do homem com o tempo: é tempo de lavrar, é tempo de semear, é tempo de esperar, é tempo de colher, é tempo de guardar, é tempo de podar…

    Temos um governo que completou metade do seu mandato, foi o tempo de esperar, de podar, de lavrar, até de semear, e agora é altura das árvores rebentarem, de se analisar até que ponto a poda foi necessária, suficiente, feita com sabedoria ou se, antes pelo contrário, o podador apenas sabia que tinha que podar, mas sabia pouco da poda, não conhecia as espécies e podou tudo da mesma forma, árvores, arbustos, roseiras, não conhecia as diferentes sensibilidades e as plantas vão reagir muito mal, estão fracas, as folhas amareladas, sem força para uma rebentação firme e segura.

    O tempo passa e não adianta, as plantas não se sujeitam a uma nova rebentação, esperarão mais um ano se entretanto não adoecerem ou até morrerem…

    Penso que em alguns sectores da nossa sociedade há um mal- -estar, uma expectativa que começa a desaparecer, uma poda demasiado igualitária, sem entender onde estão as ervas daninhas, e essas são para arrancar e não para podar, como as árvores de fruto.

    Com o aparecimento de novas espécies e muitos transgénicos, feitos à pressão e contra natura, é muito difícil distinguir as ervas daninhas das novas espécies de cuja origem pouco se sabe.

    Compreendo a dificuldade, mas não aceito o erro sistemático. Nenhuma reforma vingará sem o apoio de quem sabe do ofício e esses não podem ser abandonados ou queimados. Nunca acreditei numa política de terra queimada, as queimadas são necessárias mas têm de ser controladas para que não se pegue o fogo às vinhas, aos pomares, às searas…

    É tempo de reflexão e acção, temos que começar a semear, o calor aperta e as terras aguardam as sementes. Agora! Amanhã será tarde …

    Por: Fernanda Lage

     

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