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Edição de 30-09-2020
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    Arquivo: Edição de 15-11-2006

    SECÇÃO: Editorial


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    Reflexão sobre um debate

    Numa cidade pouco acostumada a este tipo de actividades, foi para mim uma agradável surpresa verificar que um grande número de pessoas aderiu ao convite do jornal para participar no debate “As Escolas, Nós e os Outros. E Depois?”. E diria mais: pessoas vindas dos sectores mais imprevisíveis. Foi um debate o mais aberto e transparente possível, onde diferentes gerações, profissionais de diferentes áreas, professores e alunos, se debruçaram sobre a educação e tentaram levantar algumas questões importantes que poderão contribuir para a melhoria do nosso ensino.

    Algumas questões que no momento nos pareceram desenquadradas do contexto foram para mim de extrema importância, é fundamental conhecer a ideia que os portugueses têm da escola e dos professores e como, em tão pouco tempo, foi possível a alguns “fazedores de ideias” fazer passar este conceito da profissão de professor como uma profissão de desclassificados.

    Foto MANUEL VALDREZ
    Foto MANUEL VALDREZ
    Eu diria que esta é a primeira medida para mudarmos o ensino e depois, formar professores competentes, responsáveis actuantes.

    Contribuir para atenuar o desequilíbrio cultural das populações que se espera venha a melhorar com mais anos de escolaridade, maior integração social, participação mais activa em actividades cívicas, acesso a bibliotecas, a actividades culturais…

    Sem estas duas mudanças não há reforma que aguente. Se não entendermos para que serve a escola, se não compreendermos a importância da cultura na vida das pessoas, nada muda na educação.

    A escola deve proporcionar conhecimentos científicos e práticas profissionalizantes capazes de preparar os nossos jovens para a inserção no mundo do trabalho, mas essa formação deve ser de banda larga e não se limitar a uma actividade apenas manual que não desenvolva o raciocínio, que não forme cidadãos conscientes e activos que sejam capazes de se envolver socialmente.

    O professor, para além da sua licenciatura, tem que se actualizar cientificamente, de modo a dar respostas coerentes de acordo com a sociedade em que está inserido.

    O professor deve estar atento à mudança, mas com capacidade e sabedoria, que lhe permitam integrar a inovação naquilo que ela tem de positivo e integrador, que contribua para a melhoria da condição humana e nunca por moda, que corresponde sempre a algo efémero, do qual nada fica que contribua para a verdadeira mudança de que todos nós sentimos necessidade, mas a que ainda não soubemos dar a volta.

    No fim deste debate tive uma vontade enorme de desenvolver outros encontros sobre a profissão de professor. Tantos exemplos fantásticos de dedicação e sabedoria que eu encontrei ao longo da minha vida, pessoas que me marcaram, tantos colegas ainda no activo, exemplo de profissionais, cultos, atentos, que tanto têm feito nas nossas escolas.

    Temos de mudar esta imagem menor do professor e também a imagem do coitadinho – nem uma nem outra estão certas –, ser professor, para mim, é ter uma profissão completa. Quem tenha como objectivo de vida ser solidário, respeitador do ser humano, que goste de conviver com jovens, que partilhe o seu saber e tenha vontade de aprender mais e mais, que sinta prazer em ver os jovens a crescer intelectualmente e sentir que a nossa participação ajudou um pouco a esse crescimento, não pode deixar de se sentir muito feliz com a profissão que tem.

    Por: Fernanda Lage

     

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