Auscultar a comunidade para termos um rio (Leça) mais saudável no futuro
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Fotos MIGUEL BARROS |
“Há margem para mudar”. Foi com este mote como pano de fundo que na manhã do passado dia 13 de janeiro a Sala Polivalente do Museu Municipal de Valongo acolheu um workshop, de participação pública, sobre o Rio Leça no âmbito do projeto LIFE-TA (Technical Assistance). Com este workshop, a Associação de Municípios do Corredor do Rio Leça quis juntar diferentes “atores” locais para debater uma melhor e mais integrada gestão das águas do rio, para que juntos se possam explorar soluções para reduzir a poluição, proteger a biodiversidade e criar um futuro mais sustentável para o rio. Foram criados com os participantes deste workshop três grupos de discussão, onde foram apresentadas e debatidas ideias em áreas como a agricultura e florestas, a inovação empresarial sustentável, ou a cidadania e ONG’s (Organizações não Governamentais).
Ainda antes da formação e reunião dos três grupos de trabalho, foi realizada, pelo técnico e diretor executivo da Associação Corredor do Rio Leça, Artur Branco, uma espécie de síntese do que é não só o LIFE-TA, como todo o trabalho que vem sendo feito por esta associação intermunicipal criada em maio de 2021 e constituída pelos municípios de Santo Tirso, Valongo, Maia e Matosinhos e que tem como objetivo principal a recuperação do Rio Leça.
Artur Branco explicaria que o LIFE_TA encontra-se no topo das prioridades da associação quer para 2025 como para o próximo ano, e que este projeto surge no seguimento de um outro projeto LIFE que começou a ser executado no ano de 2024 e que está a financiar a futura candidatura ao LIFE_TA. No fundo, e como foi explicado pelo técnico, a União Europeia está neste momento a financiar a preparação de uma candidatura em 2026 ao LIFE_TA, que terá uma assistência técnica, e a ser bem sucedida pode financiar a Associação Corredor do Rio Leça e entidades parceiras durante 10 ou 12 anos. Nesse sentido, a associação está no presente a dar passos preparatórios para apresentar uma candidatura sólida, como foi dito por Artur Branco, que nesse seguimento explicaria que a Associação Corredor do Rio Leça pretende agora auscultar a sociedade e perceber o que esta considera prioritário e que seja incluído nesse processo de candidatura. Por outras palavras, que setores de atividade os vários “atores” da sociedade consideram prioritários para melhorar o Leça. Que propostas/medidas estes “atores” têm, e que considerem prioritárias, para setores como a agricultura e a indústria, para reduzir e eliminar a poluição, sobre o que é mais urgente para a sustentabilidade e abundância da água no rio, entre outras áreas de ação. No fundo, com a realização deste workshop a associação procurou ajuda junto da sociedade para encontrar aquelas que são as prioridades do território, de acordo com a visão de cada um dos “atores” da nossa sociedade.
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Caso conquiste, por assim dizer, este LIFE_TA em 2026, este será o primeiro a ser conseguido a nível nacional no plano continental, visto que já existem dois projetos deste género nos Açores. «Estamos a partir muita pedra, por sermos os primeiros, mas achamos que estamos no bom caminho. Queremos hoje envolver as pessoas, perceber quais são as prioridades, e depois pegar nessas medidas e aplicá-las no território para acelerar o processo. Queremos executar medidas para que o rio melhore», explicou ainda Artur Branco, que numa segunda parte da sua intervenção faria então uma breve resenha do trabalho que vem sendo feito pela associação desde que foi criada. Entre outras notas, começou por fazer uma caracterização do Leça, um rio que tem muita floresta e muita agricultura no seu terço inicial, e que depois entra num meio bastante urbano, passando a apresentar-se precisamente a partir de Ermesinde altamente modificado (e industrializado) pelo homem. Um rio que tem muitos problemas derivado da artificialização e da grande ocupação do solo, e que junta meio milhão de pessoas nos quatro municípios por onde passa, algo que de acordo com este técnico coloca uma grande pressão sobre o rio. Relativamente a algum do trabalho já desenvolvido pela associação, Artur Branco destacou que foi feita a limpeza direta do rio (foram retiradas 250 toneladas de lixo das margens), recuperaram-se açudes, retiraram-se outros açudes que estavam já obsoletos (e que provocavam cheias), fizeram-se escadas de peixes (no intuito de ajudar os peixes a migrar), fez-se um perfilamento com técnicas de engenharia natural o que permite a impermeabilidade das margens e a fixação de vegetação, foram colocadas mais de meia centena de sondas de monitorização ao longo do curso, entre outras ações que visam termos no futuro um rio mais saudável.
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Por:
Miguel Barros
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