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Edição de 25-06-2024
Jornal Online

SECÇÃO: História


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50 ANOS DO 25 DE ABRIL

A Fita do Tempo da Revolução: As movimentações militares na Revolução dos Cravos (3)

O 25 DE ABRIL PROFUNDO - 1973

O 25 de Abril não surgiu do nada.

Foram muitos anos de guerras coloniais que deixaram as Forças Armadas exauridas e sem esperança. Foram muitos anos de ditadura com repressão brutal da sociedade portuguesa pela polícia política do Regime. Foram muitos anos de subdesenvolvimento e miséria. O próprio Regime vacilava ante o isolamento internacional. Tínhamos enorme dificuldade em adquirir, no mercado internacional, armamento para equipar as nossas frentes de batalha. Só os franceses, muito timidamente, nos iam vendendo algum material bélico, mas já completamente ultrapassado pelo armamento dos nossos adversários africanos. Como exemplo, a nossa Força Aérea, em algumas frentes de batalha, praticamente não operava porque os nossos adversários já dispunham de mísseis terra-ar, contra os quais não podíamos competir.

A palha estava amontoada. Bastava uma acendalha e ela pegaria fogo.

O ano de 1973 foi terrível para o Regime. Rui Veloso bem podia ter cantado: “Parece que o ano inteiro se uniu para o tramar”.

Era ano de eleições. Mas estas eram absolutamente manipuladas pelo Regime. Adivinhavam-se movimentações políticas.

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Reuniu-se o Congresso da Oposição Democrática em Aveiro entre 4 e 8 de abril. Uma das suas conclusões era o fim das “guerras coloniais” e o reconhecimento dos povos africanos sob domínio português à autodeterminação e independência. Terminou com bastonadas da polícia.

Entre 1 e 3 de junho decorre no Porto (Palácio de Cristal) o Congresso dos Combatentes. A iniciativa da sua organização, pelo menos assim se julga, foi particular. O Governo da República demarcou-se da sua promoção e organização. O objetivo do mesmo era combater as ideias antiguerras em África que germinavam na Sociedade Portuguesa. Nas palavras dos promotores, era necessário “combater os turras de cá”. A Presidência do Congresso foi entregue ao General na Reserva, Augusto dos Santos, ele próprio antigo combatente.

A organização do Congresso não foi pacífica. Havia desentendimentos entre os seus promotores e alguns acusavam outros de serem agentes do Governo e nada mais quererem do que realizar propaganda eleitoral para as eleições que se avizinhavam.

Verdadeira bomba foram as declarações dum congressista durante os trabalhos, carregadas de leviandade, mas que chegaram aos nossos dias e para muitos constitui, erradamente, o verdadeiro propósito do Congresso: que o mesmo “surge como resposta natural, espontânea a um congresso pretensamente democrático e sintomaticamente conforme com os interesses dos inimigos de Portugal no que ao Ultramar se refere”. Isto era totalmente falso, pois o início da preparação do Congresso ocorreu muitos meses antes da realização do Congresso da Oposição Democrática.

De imediato, um grupo de militares portugueses em comissão de serviço na Guiné, ligados ao General Spínola, entre os quais encontramos nomes bem conhecidos do 25 de Abril como Carlos Fabião, Ramalho Eanes, Firmino Miguel e Dias da Silva, a que se juntaria Vasco Lourenço, contestaram fortemente a realização daquele congresso e as conclusões que antecipadamente se adivinhavam. Apelaram aos militares da metrópole que se inscrevessem maciçamente no Congresso para fazerem ouvir a sua voz. Mas a sua presença no Congresso foi proibida pelo Governador Civil do Porto. A verdade é que a realização do Congresso teve como condição prévia a presença exclusiva de militares na Reserva e Ex-Combatentes e não militares no Serviço Ativo. Seguramente que o Governador Civil do Porto, ao impor esta condição seguiu, pelo menos, os interesses da tutela. Mas aqueles militares da Guiné não desistiram e recolheram centenas de assinaturas de militares no Serviço Ativo com que subscreveram um telegrama enviado ao Presidente do Congresso contestando a realização do mesmo, os moldes em que era feito e as conclusões já anunciadas.

Sem os signatários saberem, tinha nascido o Movimento das Forças Armadas.

No início do mês de julho, Marcelo Caetano visita o Reino Unido, visita há muito programada e que estava integrada nas comemorações do 600.º aniversário da Aliança Portugal-Inglaterra. Poucos dias antes, porém, o Jornal TIMES tinha publicado um relatório sobre os massacres de Chawola, Wiriyamu e Juwau, no norte de Moçambique, levados a cabo por tropas portuguesas, em resposta ao ataque a um avião comercial português que sobrevoava aquela região. Caetano não negou os massacres, mas afirmou que estes estavam totalmente contra a política colonial portuguesa e não tinham sido ordenados por organismos governamentais. A visita de Caetano tornou-se, assim, num coro de protestos. Este incidente de Moçambique levou a que se começasse a falar do

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José Campos Garcia

 

 

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