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Edição de 25-06-2024
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


ELEIÇÕES EUROPEIAS 2024

Vitória poucochinha (do PS) que teve sabor a vingança (sobre a AD)

Foto MANUEL VALDREZ
Foto MANUEL VALDREZ
Se estabelecermos uma comparação entre as recentes Eleições Europeias e as Eleições Legislativas – separadas por um espaço temporal de apenas três meses – verificamos que o cenário final é muito idêntico. Ou seja, quem venceu fê-lo por uma margem muitíssimo curta. A única diferença esteve no vencedor. Se nas Legislativas de março passado a Aliança Democrática (AD) triunfou sobre o seu mais direto adversário, o Partido Socialista (PS), nas Europeias realizadas a 9 de junho último os socialistas vingaram-se e cantaram vitória. Ainda antes de fazermos uma breve leitura dos resultados eleitorais do mais recente ato eleitoral, é importante frisar que o sistema de votação conheceu uma novidade: o voto em mobilidade. Este processo permitiu que qualquer eleitor recenseado pudesse exercer o seu direito de voto, em mobilidade, ou seja, em qualquer mesa de voto por si escolhida, em território nacional ou no estrangeiro. Os cadernos eleitorais passaram a ser digitais, estando centralizados na rede Nacional de Segurança Interna, sendo que as cerca de 13.000 mesas de voto e secções de voto puderam aceder a estes cadernos eleitorais através da internet e verificar se o eleitor que se apresentava com o Cartão de Cidadão e que naquele momento pretendia exercer o seu direito de voto já o tinha feito ou se estava habilitado a fazê-lo. Simples.

Após esta nota de rodapé passemos então à leitura dos resultados em território nacional das Eleições Europeias de 2024. A candidatura socialista, liderada pela ex-Ministra da Saúde Marta Temido, venceu com 32,08 % dos votos, sendo que a menos de um ponto percentual ficou a AD – coligação que integra o PSD, o CDS-PP e o PPM –, isto é, com 31,11%. Foi um triunfo por «pouchinho», como disse o cabeça de lista da coligação de direita, Sebastião Bogalho, na hora de comentar os resultados. Esta margem tão curta parece ser um sinal claro de que continua a vigorar no país uma espécie de bipartidarismo, com as duas principais forças políticas, digamos assim, a disputar “taco a taco” as intenções de voto dos portugueses. Apesar de cantar vitória, o PS perdeu um eurodeputado face às Europeias de 2019, passando agora a ser representado por 8 eurodeputados no Parlamento Europeu. «O PS é a primeira força política em Portugal. A estratégia de um Governo (liderado pela AD) que ignora a oposição foi chumbada nesta eleição», ressalvou o secretário geral dos socialistas, Pedro Nuno Santos, na hora de reivindicar a vitória. Por seu turno, a AD continua a estar representada no hemiciclo de Bruxelas com 7 eurodeputados – em 2019 o PSD conquistou 6 lugares e o CDS-PP um –, sendo que para o líder dos social-democratas e primeiro–ministro de Portugal, Luís Montenegro, a AD não cumpriu os seus objetivos nestas eleições de 9 de junho, as quais ditaram a segunda vitória mais curta desde 1994 no que a Europeias diz respeito.

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Quem também gritou a plenos pulmões “vitória” foi a Iniciativa Liberal (IL). O partido que tinha como cabeça de lista Cotrim de Figueiredo foi a grande surpresa (pela positiva) da noite eleitoral, ao arrecadar 9,07% dos votos, e vai pela primeira vez fazer-se representar no Parlamento Europeu com 2 eurodeputados. Mas a surpresa não reside tanto neste último aspeto, mas antes pelo facto da IL ter ficado a uma “unha negra” de ter sido a terceira força política mais votada em Portugal à frente do… Chega. É verdade, o partido liderado por Rui Rocha – que considerou que o seu partido foi o grande vencedor da noite – ficou a menos de um ponto percentual do partido de André Ventura, e até à contagem dos últimos votos manteve-se a incerteza sobre quem ficava com o último lugar do “pódio”. O Chega contabilizou 9,79% dos votos, mas os liberais ganharam força, subindo 8,19 pontos percentuais face às Europeias anteriores (de 0,88% em 2019 para os tais 9,07% em 2024), conquistando mais 328.705 votos em comparação com o ato eleitoral ocorrido há cinco anos. Chega que é talvez o grande derrotado da noite, atendendo ao “furacão” que em março passado varreu o país de norte a sul (e ilhas) no que a Legislativas concerne. Desta feita, o partido de Ventura esteve muito, mas muito, longe do excecional resultado verificado há 3 meses, e muito longe esteve dos 9 eurodeputados pedidos por Ventura no âmbito destas Europeias. O Chega conseguiu eleger 2 eurodeputados, um facto que acabou por disfarçar este mau resultado, tendo em conta que André Ventura não assumiu uma derrota, dando antes enfâse ao facto de também pela primeira vez o seu partido eleger representantes em Bruxelas.

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E em queda livre continuam Bloco de Esquerda e CDU, que tiveram mais uma noite eleitoral penosa. Os bloquistas somaram 4,26% dos votos, menos 5,56 pontos percentuais do que em 2019, o que significou a perda de um eurodeputado – de dois conquistados em 2019 passa a ter um em 2024 –, ao passo que os comunistas contabilizaram 4,12%, menos 2,76 pontos percentuais do que há cinco anos, passando igualmente de dois para um eurodeputado.

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Mas nem tudo à esquerda foi mau. O Livre continua a crescer, e estas Europeias foram a prova disso, tendo o partido liderado por Rui Tavares conquistado 3,76% dos votos, ficando a menos de um ponto percentual da CDU e acima de tudo de eleger um eurodeputado. Foi por muito pouco que não o conseguiu. Também em queda livre está o PAN, que não foi além de 1,22% dos votos, o que significou a perda do eurodeputado conquistado em 2019, tendo sido mesmo ultrapassado nestas Europeias pela Alternativa Democrática Nacional (ADN), que obteve 1,37%.

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Por fim, fale-se da abstenção, que se cifrou nos 63,48 %, a taxa mais baixa de Eleições Europeias dos últimos 20 anos, o que muito também terá contribuído o voto em mobilidade. No entanto, apesar deste decréscimo a nível de abstenção, estes números provam que os portugueses continuam a dar pouca importância a estas eleições, se olharmos, por exemplo, as Legislativas de há 3 meses atrás, cuja taxa de abstenção se cifrou nos 33,8%.

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No Distrito do Porto e no Concelho de Valongo o PS também venceu as Europeias. E se no âmbito distrital a vantagem socialista foi muito semelhante à que foi obtida a nível nacional – 33,73% para o PS e 32,21% para a AD, foi a votação registada no nosso distrito –, no plano concelhio a vitória dos socialistas foi mais folgada. Aqui, o PS obteve 36,87% dos votos, ao passo que a AD contabilizou 27,17%. Na tabela classificativa, passe a expressão, o terceiro lugar a nível distrital foi conquistado pela IL, que superou o Chega em mais de um ponto percentual (9,65% dos liberais contra 7,72% do partido de Ventura). No plano distrital, saliente-se ainda o facto de o Livre ter superado a CDU em quase um ponto percentual (3,86% obtido pelo partido de Rui Tavares em contraposto aos 2,96% dos comunistas). Cenário idêntico foi registado no nosso concelho, onde o Livre ficou à frente da CDU (aqui por escassas décimas percentuais) e da IL ter ficado no terceiro posto à frente do Chega, embora também por escassas décimas percentuais (como se pode constatar nos quadros anexos).

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No que concerne a freguesias, foi em Ermesinde onde o PS registou a sua melhor votação, 38,92%, que foi de igual modo a freguesia do concelho onde houve a maior diferença percentual entre o PS e a AD: 12,46%. Notas ainda a salientar, o facto de a CDU ter ficado atrás do Livre na maioria das freguesias valonguenses, com a exceção da União de Freguesias de Campo e Sobrado – muito provavelmente devido à forte implementação do PCP em Campo –, e de o Chega apenas ter superado a IL nas freguesias de Alfena e de Campo/Sobrado. No que diz respeito à abstenção, ela foi menor no Distrito do Porto quando comparada com a média nacional, 57,67% ante os já referidos 63,48%. Já no plano concelhio ela, a abstenção, foi muito semelhante em todas as freguesias, isto é, a rondar os 61%. Porém, há que sublinhar que face ao voto em mobilidade os números apresentados quer no plano de freguesias, quer no plano concelhio, ou até mesmo no plano distrital, não podem ser levados totalmente “à letra” no sentido de se tirarem conclusões, ou de ter certezas absolutas, quando falamos em posições concretas de voto. Isto porque, com o processo do voto de mobilidade um cidadão de Ermesinde pode exercer o seu direito de voto no Algarve, ou noutro qualquer local do país que não a sua freguesia de recenseamento, a título de exemplo. Isto ajuda a explicar também um pouco, e de acordo com dados facultados pela Comissão de Eleições, o facto de nestas Europeias ter havido um maior número de votos do que é habitual em regiões como o Algarve, o Alentejo, e até no interior do país, e a isto não será de estranhar o também facto do ato eleitoral ter acontecido num fim-de-semana prolongado (dia 10 de junho foi feriado) e de muitos cidadãos terem efetuado uma “escapadinha” a estes locais/regiões e de aí ter votado.

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Por: MB

 

 

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