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Edição de 31-03-2021
Jornal Online

SECÇÃO: Opinião


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Séculos de combate contra um inimigo invisível

No último artigo foi prometido recordar dois períodos de doença pandémica com impacto em Portugal: o da Peste Bubónica em 1899 e o da Gripe Espanhola em 1918. Mas antes disso é importante fazer uma abordagem Histórica mais ampla. Por isso, este artigo dividir-se-á em três partes: a primeira em que se fará uma súmula sobre os principais momentos pandémicos desde os primórdios da Humanidade (que é a que se publica neste número); a segunda, focar-se-á no inusitado surto de Peste Bubónica no Porto em 1899; finalmente, a Gripe Pneumónica em 1918.

Não é a primeira vez que a Humanidade enfrenta o “inimigo invisível”. Este ataca tão inesperada e abruptamente que a vida fica em suspenso. Perdem-se rendimentos do trabalho, o acesso à cultura, à sociabilização e muitas paixões acabam por não se concretizar.

Romeu e Julieta Autor: Ford Madox Brown (1821-1893) Data: 1868 - 1870 Dimensões físicas: 24,5 x 32,1 cm Coleção particular
Romeu e Julieta Autor: Ford Madox Brown (1821-1893) Data: 1868 - 1870 Dimensões físicas: 24,5 x 32,1 cm Coleção particular
Shakespeare (dramaturgo inglês, 1564-1616) aborda o drama na sua tão famosa obra Romeu e Julieta (1597). A peça conta a história dos dois amantes que viviam um amor impossível porque as suas famílias (Montéquios e Capuletos) rivalizavam entre si. Como a esperança é a última a morrer, alguns que privavam de perto com o casal engendraram, no mais absoluto sigilo, um plano que levaria à união dos dois. Mas eis que se abate um surto de peste em Verona. Frei João, personagem fulcral para o sucesso do plano, fica retido em virtude da quarentena imposta na região não podendo, por isso, avisar Romeu que Julieta tinha fingido a sua morte para que depois os dois se pudessem juntar. Romeu não tendo sido avisado de tal plano e pensando que, efetivamente, Julieta tinha morrido acorre de imediato ao túmulo onde esta se encontrava, e abate-se sobre ele um enorme desgosto que o leva ao suicídio. Quando Julieta recupera é confrontada com a tragédia. Esta não hesitará em pôr termo à vida desferindo sobre si um golpe mortal de punhal. A culpa foi, pois, da peste que ataca, desde tempos remotos, sem misericórdia.

De facto, a notícia mais antiga de uma primeira vaga pandémica data do século VI quando o Império Romano foi abalroado pela peste que ficou conhecida pela Praga de Justiniano e cujos efeitos, tão devastadores, terão perdurado até ao século VIII. A praga terá começado na China e arrasado metade da população de Constantinopla, uma das mais importantes cidades da época.

Depois, entre 1347 e 1720 a Europa volta a ser vítima de um segundo ciclo pandémico que ficou conhecido por Peste Negra ou Bubónica. Este foi provocado pelo bacilo Yersinia Pestis (posteriormente isolado por Alexandre Yersin do Instituto Pasteur em 1894). O bacilo viajou a bordo das embarcações comerciais vindas do Oriente estimando-se que, entre 1347 e 1351, tenha dizimado de 75 a 200 milhões de pessoas. Os números são avassaladores, sobretudo, se os compararmos com os 8 milhões de homens mortos durante a Primeira Grande Guerra (1914-1918).

Este será também o período em que o próprio Shakespeare sente na sua pele o drama da perda de rendimentos devido à suspensão das atividades culturais. A sua sala de espetáculos, o Globe Theater teve que encerrar portas 78 vezes entre 1603 e 1613 na sequência das quarentenas impostas pelo governo.

Para combater os ataques deste exército de bacilos, a administração pública impôs duras medidas que redundaram, uma vez mais, em fome, isolamento e perda de fontes de receitas. Os governos assumiram o controlo da situação com procedimentos impopulares que ficaram descritos em manuais de saúde pública. Como aponta Jaime Nogueira Pinto, no seu livro “Contágios”, um desses primeiros registos foi o “Book of Orders” de 1603 no qual Jaime I de Inglaterra, depois de ouvir os seus médicos, elencou “um conjunto de regras preventivas e paliativas para combater uma epidemia”.

(...)

leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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Cândida Moreira

 

 

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