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Edição de 31-03-2021
Jornal Online

SECÇÃO: Crónicas


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EU SOU O MAR! O MAR SOU EU!

Terras de um verde luxuriante…

Absorvido na paisagem que me é partilhada pela janela do Avião. Vejo o céu e o mar. Qual deles o mais vasto e esmagador?

Em tempos idos, no princípio dos princípios, reza a lenda que houve um concílio dos Deuses e Zeus convocou Atlas. Criarás a tua filha. Atlas pediu ajuda a Poseídon que do seu mar profundo, Héstia brotou o fogo intenso, carregado de larva. Artemis transformou aquela noite perpétua com os seus raios de luar em vida ténue. Por fim Apolo trouxe a luz, Hermes o vento, Deméter fertilizou a terra, Horas deu-lhes as estações do ano, Dionísio trouxe consigo as festas, o vinho e o prazer. Atena salpicou-a de sabedoria e Afrodite deu-lhes o que faltava, beleza e amor. Poseídon levantou as águas com a ajuda de Hermes e apaziguou o fogo de Héstia. Entregou aquelas terras a Atlas. Mas este desgostoso por nada haver nelas, clamou por Zeus, Deus de todos os deuses. Para que quero estas terras? Nada têm. Zeus irado retorquiu. Ignóbil! Estas terras serão a tua filha e chamar-se-á Atlântida. Dela brotarão flores nunca vistas, suas terras se revestirão de verde luxuriante, o céu será mais azul que todo o azul que conheces. O mar, esse será fértil de todos os peixes que conheces e não conheces. Poseídon concordou com toda aquela beleza criada. Mas Atlas reclamou da não presença humana. Zeus irado elevou o seu tridente. Hera abriu os céus, Hermes desceu pelas colinas vergando as árvores. As terras da Atlântida estremeceram violentamente, o dia fez-se noite, Héstia lançou línguas de fogo, Poseídon inundou as terras férteis, com ondas gigantescas, Hélios não conseguia que os seus raios de luz iluminassem algo. Afrodite chorosa percorria todas as terras não submersas. Atlântida desaparecia para sempre.

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Muitos séculos após, marinheiros exaustos, descrentes na sua sobrevivência, desembarcaram. Viram terras de um verde luxuriante, um céu azul aveludado, um mar verde azulado como nunca tinham visto. Por ali andaram e quando retornaram às suas terras contavam que aquelas terras eram habitadas por uma deusa, tão bela como não havia igual em todo o mundo. Aparecia quando menos esperavam, cantarolando servia-lhes vinho, e eles enfeitiçados, deslumbrados pela sua beleza ficavam quedos, ansiosos para que seus olhos cruzassem com os dela. Ela Graciosa, quais Flores ondulantes, perfumada de odores silvestres servia-lhes vinho e desaparecia. Mas do que mais falavam era do verde de seus olhos. Por lá andaram os piratas à procura daquele verde que só poderia ser Esmeraldas. Por lá apareceu Van Gogh. Queria, por curiosidade, ver o verde tão falado. Diziam os marinheiros que não era um verde Lima, nem verde musgo nem de oliva e muito menos escuro, nem de mar o era. Era um verde que se vislumbrava, e nem sempre, na última réstia de luz do pôr-do-sol. Outros falavam de um verde raro que só alguns o viam nos primeiros raios de sol. Van Gogh pegava no pincel, e célere misturava azuis e amarelos, mas todos lhe diziam que não eram aqueles verdes. Desesperava, enlouquecia. Como era possível ele, sim ele não conseguir imitar a natureza. Numa noite estrelada, sentado numa Rocha à beira mar, elevou-se Zeus. Que queres tu humano? Eu!? Eu que sou o pintor de todas as cores e tons, não consigo o verde que se fala. Eu ensinar-te-ei. Quando a Atlântida desapareceu, Afrodite desobedecendo-me poupou um pouco de terra e com ela criei uma deusa, soprei-lhe nas narinas e dei-lhe vida. Mas que erro o meu! Não lhe tinha dado a visão. Furioso com o meu desleixo, peguei num pincel, embebi-o no azul celeste do céu, no verde luxuriante da terra, e no verde, nesse verde-mar, e lavei-o nas lágrimas de Eros, Deus do amor.

(...)

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Por: Manuel Fernandes

 

 

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