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Edição de 31-03-2021
Jornal Online

SECÇÃO: Local


DIA INTERNACIONAL DA MULHER

Augusta Moura: o exemplo de mulher ativa na sociedade

À boleia do Dia Internacional da Mulher - assinalado no dia 8 de março - estivemos à conversa com uma carismática figura local, conhecida pelo seu papel ativo na nossa comunidade. Desde há muito tempo dedicada às causas sociais, à vida política, ela foi a primeira mulher a assumir funções de relevo em diversas instituições ou organizações locais, facto que atesta a emancipação da mulher e a luta pela igualdade de direitos e oportunidades. Natural de Ermesinde, terra pela qual se declara muito afeiçoada e dedicada, a nossa entrevistada atrai à sua pessoa a admiração, o respeito e o carinho de homens e mulheres locais pelo tal papel de relevo que tem desempenhado ao longo de grande parte da sua vida na nossa sociedade. Sem mais demoras passemos a palavra a Augusta Moura, que nas próximas linhas conta um pouco da sua história enquanto mulher dinâmica na sociedade local.

Fotos MANUEL VALDREZ
Fotos MANUEL VALDREZ
A Voz de Ermesinde (AVE): Quando e como é que nasceu esse seu interesse pela participação ativa na vida política e associativa?

Augusta Moura (AM): O meu interesse começou na altura em que se começou a construir a Igreja de Ermesinde, em que eu participei muito na ajuda a servir refeições, a transportar as senhoras que faziam os almoços para angariar fundos, ou seja, comecei a participar no voluntariado. A minha mãe participava no voluntariado com um grupo de amigas e eu ajudava-as. Na altura eu tinha 20 anos e já tinha carta de condução, e nesse sentido ajudava-as, transportando coisas, e foi assim que comecei a fazer voluntariado. Entretanto casei, e depois, comecei a participar na vida política, no Partido Social Democrata, aliás, eu fiz parte da primeira ata que fundou o partido aqui no concelho de Valongo, fiz parte desse grupo, e só depois é que me filiei no partido, porque uma pessoa para ter voz nas assembleias e nas reuniões tem que ser filiada, e portanto, eu no início fazia mais voluntariado, em ajudar na limpeza das sedes, por exemplo, algo que não tenho vergonha de o dizer. Isso foi logo a seguir ao 25 de Abril de 1974, foi aí que me iniciei na vida política. Partido do qual ainda hoje faço parte.

Depois disso fui convidada para fazer parte da direção do Centro Social de Ermesinde (CSE), em 1987. Estive aqui dois mandatos, pois na altura a lei dizia que após dois mandatos a pessoa tinha de fazer um interregno. Fui aliás a primeira mulher a fazer parte de uma direção do CSE, e nunca tive problemas, pois tive sempre muito bons companheiros. Recordo que na altura o Centro só tinha o infantário e o serviço de apoio domiciliário, e quando saí foi quando se deu início à construção do Lar de S. Lourenço. Mas apesar de ter saído da direção sempre me mantive ligada ao Centro, e quando o Dr. Henrique Rodrigues veio para a presidência convidou-me para regressar à direção, onde me mantenho até hoje. E devo dizer que esta é uma casa que eu admiro muito e que já os meus pais ajudavam no tempo da Sopa dos Pobres. Por isso, eu fui criada a acompanhar o crescimento desta casa. Posteriormente, fui também convidada pelo senhor Joaquim Teixeira para participar na Casa do Povo de Ermesinde, isto já nos anos 90, e estive lá 16 anos. Depois já me estava a sentir um pouco cansada, pois também a idade vai pesando, a minha filha casou-se, tive netos, tive que a ajudar, e também tive que assumir um pouco mais de responsabilidades na minha empresa, porque o meu cunhado reformou-se, um dos meus irmãos também deu menos tempo à casa, e portanto eu tinha de abdicar de alguma coisa para me dedicar mais à vida empresarial e saí da Casa do Povo. Até que ali regressei há 3 anos, onde atualmente desempenho funções de vice presidente da direção. Ainda em termos de vida associativa faço presentemente parte da direção da Associação Ermesinde Cidade Aberta, onde sou tesoureira.

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AVE: O que é que lhe deu maior satisfação (ou realização) pessoal enquanto dirigente associativa?

AM: Eu diria que participar na vida do Centro Social de Ermesinde, pois tenho uma paixão grande por esta casa. Por todos os sítios por onde passei o Centro Social é o meu grande amor. Sempre que for possível e necessário eu estou sempre disponível para trabalhar em prol desta casa. O meu sonho (atual) era ver o CSE reconstruir o antigo cinema. É pena que não se possa avançar para a reconstrução e implementar o projeto que para ali está projetado. Aliás, gostaria de elogiar esta direção do CSE, não é por eu estar incluída nela, mas principalmente o seu presidente, que é um homem muito dedicado à causa e muito preocupado. Financeiramente o Centro é um barco muito grande e como é um barco grande tem muitas dificuldades e tem que ser muito bem gerido, mas ele tem conseguido levar o barco a bom porto. Só falta de facto cinema.

AVE: E o que é que mais a desapontou, no desempenho desse tipo de funções?

AM: A política (risos). Eu entrei na política com um tipo de pessoas diferentes das de hoje. Atualmente tudo é diferente. Participei há dois anos na comissão política mas não me enquadrei bem porque a diferença de idades e mentalidades são diferentes do antigamente. Não me revejo na geração atual de políticos. O único em que me revejo na atualidade é o Rui Rio, que é uma pessoa frontal, e sou apoiante dele.

AVE: Como é que foi o início deste seu trajeto na vida política?

AM: Era tudo diferente, antigamente as pessoas trabalhavam por uma causa não era por interesses pessoais. Lembro-me que em 1993 trabalhei muito na mudança de presidência da Câmara, na transição do PS para o PSD, e fi-lo sem qualquer interesse. O Dr. Fernando Melo (que viria nesse ano a ganhar as eleições) convidou-me na altura para ir para a Câmara e eu recusei, disse-lhe que o meu trabalho (em prol da candidatura dele) não foi com interesse ou como contrapartida de ir para a Câmara, pois eu tinha a minha empresa, o meu vencimento e era disso que eu vivia. E no meu início na política as pessoas trabalhavam sem interesses pessoais, e eu gostava dessa forma de trabalhar.

AVE: Ao longo deste tempo todo de participação na vida pública alguma vez sentiu que era olhada de lado por ser mulher, por outras palavras, alguma vez se sentiu discriminada?

AM: Nunca. Por exemplo, na Casa do Povo de Ermesinde eu era a única mulher quando fui para lá, no Centro Social de Ermesinde também era a única mulher na Direção quando fui para lá a primeira vez, na política a mesma coisa, e nunca tive problemas. Também faço parte do Rotary Club de Ermesinde, organização em que fui a primeira mulher a ir para lá, e mesmo aí nunca senti discriminação, pelo contrário, senti sempre um companheirismo muito grande, tenho grandes amigos lá que se preocupam comigo, e nunca tive razão de queixa. Por todos os sítios por onde passei nunca tive problemas por ser mulher.

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AVE: Por outro lado a senhora também é empresária, como disse há pouco, uma profissão que ainda hoje é muitas vezes associada à figura do homem, embora sejam cada vez mais os casos de sucesso de mulheres líderes no mundo empresarial nem sempre foi assim no passado, já que a mulher era vista como uma figura estranha no mundo dos negócios. Como é que foi a sua história nesta área?

AM: Sabe que eu nasci empresária, já que o meu pai era o dono da firma, e sempre gostou que os filhos fizessem parte da mesma, que dessem continuidade ao trabalho dele. Quando os meus irmãos se ausentaram do país eu fiquei com mais responsabilidades e mais ligada à firma. Ao longo do tempo fui sempre acompanhando a firma e houve uma altura em quase que estava sozinha, que foi na altura da grande crise. A firma começou com brinquedos, o meu pai foi o iniciador dos brinquedos de chapa e de papel em Ermesinde, porque também o meu avô era fabricante desse género de artigos, e eu já de miúda vivia naquele meio, no meio dos trabalhadores, eu gostava de participar. Portanto, fui criada ali, sempre acompanhei a firma.

AVE: Sentiu ao longo deste seu trajeto de vida que o facto de ser mulher, e como tal mais tolerante, mais sensível, a tenha ajudado a ter sucesso tanto profissionalmente como socialmente?

AM: Acho que sim, a mulher é mais sensível, aliás, eu sempre fui sensível com os meus trabalhadores e com os meus colegas, e mesmo no Centro Social de Ermesinde com os trabalhadores da casa acho que não existe nenhuma funcionária que não goste de mim. Vejo que elas têm uma admiração grande por mim. Aliás, quando saí da direção na primeira vez as funcionárias pediram para eu regressar novamente (risos) e acho que isso demonstra esse carinho.

AVE: Como é que explica a sua popularidade e ao mesmo tempo longevidade na vida associativa?

AM: Porque gosto de ajudar. O facto de eu ir para o Rotary Club de Ermesinde, por exemplo, cujo lema é “Dar de si antes de pensar em si”, foi isso que me levou a aceitar o convite que me fizeram, ou seja, sempre o dar de mim antes de pensar em mim. Por vezes as pessoas batem-me à porta para ver se posso ajudar nisto ou naquilo, e eu gosto de o fazer, o que eu puder fazer eu faço, e é isso que me move e que explica a minha permanência na vida associativa.

AVE: Foi então a primeira mulher na nossa comunidade a presidir ao Rotary Club de Ermesinde, mais um marco neste seu papel ativo na sociedade e, certamente, um motivo de orgulho para si...

AM: É interessante, aquilo é um clube bastante grande, sinto-me muito bem lá. Quando fui presidente tive muitas ajudas, pois era nova nas funções, e todos me ajudaram bastante, não houve nenhum companheiro que me acusasse de eu estar a fazer mal isto ou aquilo porque era mulher, muito pelo contrário, todos me ajudaram e ainda hoje me ajudam. Gosto de lá estar, já lá estou há 11 anos.

AVE: Por outro lado também é mãe, e agora também avó, e nesse sentido perguntamos-lhe como é que ao longo dos anos foi desempenhando esta dualidade de funções, ou seja, ser um membro ativo na vida social e política e ao mesmo tempo ser mãe?

AM: Primeiro porque tive sempre bastante compreensão da minha filha, e também tive sempre a ajuda da minha irmã e da minha sobrinha, pois como primas a minha filha e a minha sobrinha davam-se muito bem, e isso facilitava, dava-me liberdade de movimentos para eu participar nas minhas funções sociais e políticas.

AVE: Na sua opinião, e tendo em conta a sua experiência na vida social, o que é que falta para que mais mulheres possam ter um papel mais ativo e participativo quer na política quer ao nível do dirigismo associativo?

AM: Às vezes é disponibilidade de tempo, outras vezes é má vontade de não quererem participar, já que gostam mais de outro género de coisas do que ajudar.

(...)

leia esta entrevista na íntegra na edição impressa.

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Por: Miguel Barros

 

 

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