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Edição de 28-02-2021
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    Arquivo: Edição de 31-01-2021

    SECÇÃO: Saúde


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    COVID-19 - Desinfeção das mãos. Não é tão elementar como parece…

    QUE ESCOLHER? ÁLCOOL A 96% OU A 70%?

    Se perguntarmos ao cidadão comum qual prefere, muitos dirão “96% porque é mais forte”.

    Não é correto.

    O álcool a 70% tem mais efeito desinfetante do que o álcool a 96%.

    Em primeiro lugar: o que é álcool a 96% e álcool a 70%?

    Não vou definir o que é “álcool”, pois todos temos já a noção que o álcool serve para “desinfetar”.

    E o que é “desinfetar”?

    “Desinfetar” é uma palavra composta pelo prefixo de negação “des” e o verbo “infetar”. Na prática, “desinfetar” significa retirar de determinado local o que pode “infetar”.

    No contexto da atual pandemia por Covid-19, desinfetar significa retirar das mãos e das superfícies onde as mãos possam tocar os germes (vírus, mas mais amplamente bactérias, fungos, gvetc.) que possam provocar doenças.

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    Estes germes não penetram pela pele saudável. Mas penetram pelas mucosas. Principalmente (no contexto da higienização das mãos) pelas mucosas sensíveis dos olhos. Esfregar os olhos com mãos infetadas com vírus da Covid-19 é doença certa. Pelo que se recomenda à exaustão lavar e desinfetar frequentemente as mãos.

    A desinfeção pode ser obtida de variadas formas. Todas elas têm um objetivo - matar os agentes causadores da doença.

    Os instrumentos cirúrgicos são desinfetados (a esterilização é uma forma limite da desinfeção) pela sua exposição a vapor de água sobreaquecido (temperatura superior a 117 graus) e a pressão superior à pressão atmosférica. Isso é impensável para as nossas mãos. Pelo que foi necessário criar novos métodos.

    O objetivo é matar o germe. E na maior parte das vezes, matar o germe é destruir a sua cápsula. O conteúdo vivo não suporta o meio ambiente e morre.

    O vírus da Covid-19 é um Coronavirus com determinadas caraterísticas. Nomeadamente, é um vírus capsulado, isto é, tem um invólucro de proteína que o defende do meio ambiente. Destruindo essa cápsula, o interior do vírus (o core viral) não suporta o meio ambiente e morre. Porém, se a destruição do invólucro ocorrer dentro duma célula viva, o core viral encontra-se nas suas sete quintas e replica-se, libertando milhares de novos vírus infetantes.

    A destruição do invólucro viral ocorre por um processo chamado “hidrólise”. É uma reação química em que entra água. A hidrólise das proteínas do invólucro leva à destruição do invólucro e à exposição do core ao ambiente local. O core viral não suporta o ambiente local e morre.

    O álcool etílico (o álcool vulgar) e muitos outros álcoois podem hidrolizar as proteínas. Mas para isso é preciso água.

    O álcool a 96% não contém praticamente água nenhuma. É 96% de álcool. Já o álcool a 70% tem cerca de 30% de água.

    Pelo que o álcool sanitário é o álcool a 70% e não o álcool a 96%.

    Eu, com alguma agressividade, costumo dizer que o álcool a 70% serve para desinfetar, e o álcool a 96% serve para assar chouriço…

    E se não for possível encontrar álcool a 70%? Não digo que juntem um pouco de água ao álcool a 96%, mas eu já o fiz...

    COMO DESINFETAR AS MÃOS?

    Parece que é fácil, mas não é. De novo, se perguntarmos ao cidadão comum como é que ele desinfeta as mãos, ele dirá que põe um pouco de desinfetante nas mãos, esfrega-as uma na outra e já está. Estará? Pode não estar.

    A primeira ideia que temos de ter sempre presente é que não há vírus democráticos. Isto é, não há vírus que façam o que a maioria das pessoas manda. A única democracia do vírus é que ele ataca todos, sem exceção. Pobres, ricos, novos, velhos. E de pouco adianta dizer que “é assim” se não for, de facto, dessa maneira.

    Na desinfeção das mãos há muito que se diga. Há estudos muito complexos. E inclusivamente há uma Circular Normativa da Direção Geral de Saúde de 44 páginas destinada a profissionais de saúde (Circular Normativa nº 13/DQS/DSD), de 14/06/2010. Não é necessário repetir que a desinfeção regular das mãos é uma das principais medidas de contenção desta maldita pandemia. De facto, nós “vemos” com as mãos. As mãos mexem em tudo. É o nosso principal órgão sensorial. E por isso são as mãos que podem transportar maior carga viral. O vírus não penetra na pele saudável. Mas se tocarmos com as mãos infetadas em mucosas sensíveis, como os olhos, num simples esfregar de olhos a probabilidade de contrairmos a doença é muito elevada. De modo que não é demais falarmos da correta técnica de desinfeção das mãos. Não vou abordar um a um todos os passos para uma correta “fricção antissética” das mãos. Isso está espalhado em folhetos por toda a parte. Só vou abordar uma questão: quanto tempo deve durar a chamada fricção antissética das mãos? Dois segundos ou dois minutos? Talvez nem uns, nem outros. Mas deverá durar o tempo suficiente para que o produto desinfetante cumpra o seu papel.

    Se perguntarmos a uma senhora qual o programa de máquina de lavar que prefere para lavar lençóis, se um programa de 20 minutos ou se um programa de 1 hora, a esmagadora maioria escolherá o programa de 1 hora. E todas dirão que dessa forma o detergente tem mais tempo de atuar e os lençóis saem mais bem lavados. Absolutamente correto. Com a desinfeção das mãos passa-se o mesmo. Temos de dar ao produto desinfetante tempo para atuar. Senão, a única coisa que estamos a fazer é refrescar as mãos. Quanto tempo? A DGS diz 15 a 30 segundos. Para podermos estar 30 segundos (não menos, por uma questão de segurança) a esfregar as mãos antes que o produto seque, temos de utilizar uma certa quantidade. Tenho muitas dúvidas que a maior parte dos dispensadores que estão espalhados por toda a parte forneçam, num único acionamento, a quantidade suficiente. Da mesma forma que duvido que em certos locais onde há controle de entradas, os colaboradores munidos de frascos de desinfetante forneçam a quantidade suficiente.

    (...)

    leia este artigo na íntegra na edição impressa.

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    José Campos Garcia*

    *médico MGF

     

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