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Edição de 28-02-2021
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    Arquivo: Edição de 31-01-2021

    SECÇÃO: Opinião


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    Música e República

    Janeiro é para a História Contemporânea de Portugal o mês do presságio da onda republicana. Mas o seu movimento remonta a abril de 1876 com a criação, em Lisboa, do Centro Republicano Português liderado por Elias Garcia, também futuro Presidente da Câmara de Lisboa.

    O republicanismo português, inspirado na ala mais radical dos revolucionários franceses de 1789, daria assim lugar a um partido político cada vez mais popular. Aproveitando-se dos desaires monárquicos dos anos seguintes, vai ganhando simpatia junto de um público cada vez mais vasto. O mês de janeiro de 1890 e o de 1891 dariam ao republicanismo um papel de relevo na vida política portuguesa.

    Em 11 de janeiro de 1890 uma missiva inglesa enviada ao governo português exigia a retirada imediata das forças militares portuguesas mobilizadas para os territórios do Chire (entre Angola e Moçambique). Caso Portugal não acatasse as instruções, a Inglaterra ameaçava cortar relações diplomáticas e mesmo avançar com uma intervenção militar. A contestação não se fez esperar. Alfredo Keil e Henrique Lopes de Mendonça, num contexto de manifestações patrióticas, compõem a Portuguesa, canção que se tornaria no som do desagrado pela humilhação que os portugueses sentiram face à cedência de D. Carlos aos interesses ingleses. Em agosto do ano seguinte, Eça de Queiroz desabafava que Portugal estava prestes a desabar e augurava que pudesse ser ocupado pela Espanha, dado o estado lastimoso em que se encontrava o país. A humilhação inglesa, a bancarrota e a descredibilização de D. Carlos e da família real, acusada de ostentação, incompetência e de ser submissa aos interesses ingleses, contribuíram muito para o sentimento de Eça. A República era, cada vez mais, uma alternativa inevitável. Um ano depois, em 31 de janeiro, ocorria no Porto a primeira tentativa republicana para pôr fim à Monarquia. Mas seria necessário aguardar até 5 de Outubro de 1910 para o içar definitivo da bandeira verde e vermelha.

    Contudo, o desejo de aproximar Portugal a uma Europa que se distanciava de nós a passos largos, não foi exclusivo dos políticos portugueses.

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    Também os músicos dessa época apostaram em recuperar o atraso civilizacional esforçando-se, por um lado, em se integrar no movimento vanguardista musical europeu que decorria naquele tempo e, por outro, em criar uma imagem de marca nacional. Vejamos alguns exemplos.

    Viana da Mota (1868 - 1948), pianista e compositor, estudou na Alemanha a expensas de D. Fernando II, o rei consorte de D. Maria II e o mentor do projeto do Palácio da Pena. Viana da Mota tornar-se-ia aluno de Franz Liszt, o grande pianista do movimento Romântico que buscava nas tradições culturais nacionalistas a inspiração para os seus temas. As 19 Rapsódias Húngaras são um bom exemplo disso. Mas Liszt foi também o criador do poema sinfónico, inspirando-se na Divina Comédia de Dante para compor a Sinfonia Dante. Tal como Liszt, Viana da Mota vai procurar integrar o que aprendeu na Europa inovadora nas tradições nacionais portuguesas. Refiram-se, como exemplos, a Sinfonia à Pátria, Opus 13 (1894), que parte dos Lusíadas, refletindo sobre uma certa desilusão e degradação do país, ou a Balada Opus 16 que relembra as tradições religiosas portuguesas.

    A Sinfonia à Pátria teve estreia na cidade do Porto, onde se assistia já a um importante dinamismo cultural. Este ambiente foi promovido por cidadãos como Moreira de Sá, pianista, professor de violino e de composição, diretor de orquestra e um dos fundadores do Conservatório de Música do Porto, criado em 1917. A título de curiosidade, Moreira de Sá é avó das duas grandes figuras musicais da vida cultural desta cidade: a violoncelista Madalena Sá e Costa e a pianista Helena Sá e Costa. A segunda desempenhou um papel muito relevante na projeção de jovens artistas desta cidade, como Pedro Burmester. O dinamismo cultural do Norte ficou ainda patente no contributo de Luís Costa (pai de Madalena e Helena), aluno de Moreira de Sá, de Viana da Mota e de Ferruccio Busoni (1866-1924), professor de Claudio Arrau que ficou famoso pelas suas transcrições de Bach e Liszt.

    António Fragoso (1897-1918), natural de Cantanhede foi outro português compositor, musicólogo e pianista que morreu precocemente de pneumónica (a famosa gripe espanhola que terá matado entre cinquenta a cem milhões de pessoas em todo o mundo, e em Portugal dezenas de milhares de pessoas em dois anos). A música de António Fragoso reflete não só a influência da modernidade europeia, com especial destaque para a França do Romantismo e do Impressionismo que viu em Debussy um dos seus expoentes máximos, mas também os sons da cultura tradicional portuguesa patente em peças como “Danças Portuguesas”. Fragoso contribui ainda para reavivar géneros como a “Canção de Câmara” e da “Sonata”.

    (...)

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    Por: Cândida Moreira

     

     

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