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Edição de 31-01-2021
Jornal Online

SECÇÃO: Destaque


ENTREVISTA COM O RESPONSÁVEL PELO GABINETE DO NORTE DA CONFEDERAÇÃO PORTUGUESA DAS COLETIVIDADES DE CULTURA, RECREIO E DESPORTO

De Ermesinde para toda a região norte com a missão de capacitar os dirigentes associativos

No seguimento da conversa com o presidente da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto, Augusto Flor (ver entrevista nesta edição), fomos conhecer um pouco do funcionamento do gabinete do norte deste organismo. Estrutura essa que se encontra a funcionar em Ermesinde, de há quase três anos a esta parte. Fomos recebidos por Adelino Soares, que além de membro da Direção da Confederação é o responsável por este gabinete.

Nesta breve conversa falámos não só dos pressupostos desta delegação do norte, como também do momento atual das próprias coletividades que geograficamente são abrangidas pelo gabinete.

Fotos ALBERTO BLANQUET
Fotos ALBERTO BLANQUET
A Voz de Ermesinde (AVE): Primeiro que tudo, que pressupostos estiveram na génese da criação deste gabinete/delegação da Confederação Portuguesa das Coletividades de Cultura, Recreio e Desporto que hoje se encontra instalado em Ermesinde?

Adelino Soares (AS): A Confederação utiliza este espaço vai fazer 3 anos. Em 2016 candidatamo-nos ao POISE, uma medida de capacitação dos dirigentes associativos. Este é um projeto com três fases, sendo que vamos agora em março iniciar a III fase, a qual irá até 2022. O porquê de estarmos aqui neste espaço, vem na necessidade da abertura de vários gabinetes a nível nacional. Neste momento a Confederação tem instalado um gabinete na zona sul, sediado em Beja, tem outro na zona centro, sediado na Covilhã, e este aqui em Ermesinde. O estar aqui em Ermesinde é uma casualidade que tem a ver com a questão dos arrendamentos e da falta de espaços em outras áreas do Porto. Numa primeira fase nós estivemos sediados na Academia das Coletividades do Porto, mas depois por várias razões tivemos que sair de lá. O facto de estarmos aqui junto à estação de Ermesinde tem até o seu beneficio, que está no facto de haver aqui uma bifurcação (de linhas ferroviárias). O gabinete destina-se a abranger toda a zona norte, de Aveiro para norte, e com esta bifurcação é fácil para quem vem do Minho, e para quem vem do Douro. Quem vem de Aveiro e do concelho do Porto, também com relativa facilidade se desloca até aqui. Portanto, este ponto é muito estratégico e serviu-nos às mil maravilhas para estarmos aqui e abrirmos o gabinete. Temos depois um outro gabinete, mas esse é o central, que já existia, e que é a sede nacional da Confederação que é designado como o Gabinete da Estremadura, que abrange toda a área de Lisboa e de Setúbal.

AVE: O gabinete do norte serve neste momento quantas coletividades?

AS: Abrangemos todos os distritos do norte, é um projeto para capacitação de dirigentes de todas as coletividades do norte do país. A nível nacional há cerca de 31.000 coletividades, a nível do norte andará à volta das 15.000 coletividades. Claro que nem todas são filiadas na Confederação, isto é um processo muito complicado de desenvolver, porque há várias questões que se colocam ao sentimento que as próprias colectividades não têm em se associarem em associação, concelhia ou distrital, de forma a que depois tenham maior capacidade de defender os seus interesses em termos coletivos.

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AVE: O gabinete do norte limita-se a ser uma mera delegação da Confederação, ou pelo contrário, desenvolve ações junto dos associados no sentido de os ajudar?

AS: Uma primeira questão é: o gabinete sendo suportado pelo projeto é, digamos assim, um espaço para o projeto de capacitação dos dirigentes associativos. Sendo eu o seu responsável direto, faz parte da sua responsabilidade um outro Diretor Nacional, vice presidente da Confederação, António Bessa Carvalho, e funcionamos com um organismo de dirigentes integrados numa Comissão Permanente que acompanha todo o trabalho a desenvolver. Numa certa lógica da sua existência, será quando chegarmos a 2022, quando acabar a sua III Fase, aquilo que seria mais provável será, acabando o projeto, acabar o gabinete, mas não é esse o nosso propósito. Fazermos todo um trabalho de formação dos dirigentes associativos, criando dinâmicas de forma a que quando chegarmos a 2022, continuarmos a trabalhar. Pensado com tempo, no trabalho desenvolvido e a desenvolver para criar sustentabilidade própria para o funcionamento do gabinete. Se as despesas todas deste gabinete são sustentadas pelo próprio projeto, a perspetiva é depois nós termos de dar continuidade. Porque uma das coisas que faz parte do nosso compromisso é dar continuidade ao processo do POISE, que inclui também a perspetiva da criação de empregos. Daí vamos vendo como vamos encontrar soluções para o fazer. Neste momento ainda está tudo muito ténue, até porque este ano o facto de ter aparecido a pandemia dificultou todo este desenvolvimento, de como é que íamos trabalhar, como é que íamos criar mais envolvimentos de dirigentes e já estávamos a partir para aí. Mas esta situação veio apertar com as expectativas que nós tínhamos para podermos dizer, que neste momento a sustentabilidade futura vai ser um facto. Vamos ter de trabalhar nesse sentido.

AVE: Os associados que vos procurem podem encontrar o quê aqui, que tipo de ajuda, ou de apoio?

AS: A Confederação, neste caso, como se torna evidente, reparte este trabalho em dar prioridade claramente ao funcionamento/ativação da capacitação, na formação dos dirigentes, que é por essa razão que cá estamos. Depois, inevitavelmente, damos um certo apoio como complemento, à divulgação da atividade da Confederação. No plano do acompanhamento, por exemplo, nesta fase da pandemia, todo o tipo de comunicação que tem acontecido para as coletividades a nível nacional tem passado por nós. Neste ponto tem sido dado uma importância enorme ao nível de documentação, de comunicados bimensais, quase, para ir informando as coletividades, e isto já foge da área da capacitação de dirigentes. Mas tem sido importante fazê-lo. Depois há um conjunto de trabalho de orientação no apoio jurídico e de contabilidade, assim como orientações diversas neste período de pandemia que já vai longo e onde os dirigentes associativos se vão sentindo mais preocupados.

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AVE: Presumimos que o associativismo da região que o gabinete abrange não vive dias felizes atualmente. E isto é só pela pandemia ou há outros problemas que persistem?

AS: A pandemia é o obstáculo principal, porque paralisa completamente as coletividades. No dia de hoje muitos dirigentes estão a ficar atrapalhados sobre como é que vai ser o dia de amanhã. Houve um tempo na primeira fase da pandemia em que fechou tudo, o qual desnorteou completamente os dirigentes associativos que se questionaram o que fazer agora? Provavelmente nesta segunda fase, apesar da gravidade da situação que aí está, vai ser mais fácil contornar algumas situações do que na primeira fase que assustou tudo e que ninguém sabia o que havia de fazer, estava tudo com medo. Houve coletividades que fecharam e que os dirigentes quase não se comunicavam. De repente ficou tudo cheio de medo. Isto envolve pessoas, envolve famílias, e se nós considerarmos que há um certo envelhecimento do dirigismo associativo, a gente mais velha ainda pior reagiu de imediato. Nesta segunda fase estava-se a recriar e a haver um certo alimentar do trabalho que era necessário fazer, mas depois coloca-se aqui um outro problema, as pessoas adaptam-se ao nada fazer, a calçar umas pantufas e descansar do “incómodo” deste trabalho, porque o estar a dirigir uma coletividade não é absolutamente nada fácil, há uma vontade própria, as pessoas gostam, tudo muito bem, mas depois também dá muitas dores de cabeça, muitos problemas para as pessoas resolverem no dia a dia. De repente as pessoas veem-se sem fazer nada, e isto parece que não mas cai-se num certo bem bom, há uma certa apatia. O retomar, o puxar certos dirigentes para reagirem, dar dinâmica, estava a acontecer, mas esta atual fase veio dificultar. Agora, o principal problema para o movimento associativo vai ser o lidar com as dificuldades económicas, que são iguais às que sempre aconteceram, são cíclicas, e o problema não será esse, o problema é como é que se tem de criar dinâmicas, reforçar as comunicações a fazer. Mas como é que as vamos conseguir de forma a criar um grande grau de motivação para as pessoas reagirem? Até porque a imensa maioria das coletividades, por razão de obrigações de lei, tiveram de preparar os seus planos de atividades e orçamentos, colocando-se agora a questão de como que se vai trabalhar na sua aplicação.

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AVE: Como é que avaliam a relação entre o movimento associativo da vossa região e o poder local, ou seja, é igual ao do resto do país, ou na região norte é diferente, há mais apoio, mais envolvência entre esse poder e as coletividades?

AS: É muito diverso, não há propriamente uma bitola para dizer que a maioria das autarquias funciona razoavelmente com as coletividades organizadas em termos de associações, dão muitos apoios, mas muito dispersos, e muitas das vezes para resolver coisas mais imediatas, mas não há propriamente, até pela falta de orgânica de associações concelhias, um trabalho mais bem organizado que vá criar uma ideia de que de facto há apoio ao movimento associativo. Vão apoiando numa ou noutra despesa, para uma ou outra iniciativa local, naquela ótica do quem “chorar mais” vê os seus problemas resolvidos, mas depois as outras coletividades que tiverem maior dificuldade de exigência, de colocação das suas dificuldades, não há propriamente reação das autarquias. Em algumas autarquias foram saindo apoios mais organizados para ajudar o movimento associativo, mas não há propriamente uma evidência de que se diga por exemplo assim: “isto é uma medida boa”. Por exemplo, a Confederação apresentou ao Ministério da Segurança Social e do Trabalho e não só, um conjunto de medidas que davam perfeitamente para apoiar o movimento associativo, e tendo em conta que este movimento contribui a nível nacional com 4 mil milhões de euros anuais para o Orçamento de Estado através do IVA, era justo. Não era nenhum favor que o governo fazia ao movimento associativo, e aquilo que nós propusemos era no sentido de se fazer uma valorização das necessidades mais evidenciadas pelas coletividades com sedes próprias, mas que permitisse apoiá-las, até porque as faturas de água e de luz continuam a aparecer, aquelas que têm rendas continuam a aparecer, aquelas que têm um funcionário ou dois continuam a ter dificuldades com despesas salariais, e portanto fazia todo o sentido que houvesse esse apoio central. Nós inicialmente o que propúnhamos, e comunicou-se com notas associativas da Confederação para todas as autarquias do país, de forma a que as próprias autarquias fizessem a valorização dessas despesas junto das coletividades que lhes fossem bater à porta, de forma a evidenciar que tinham aquelas despesas e que as tinham de suportar. Aquilo que nós estávamos a “pedir” não era criar uma despesa à autarquia, era um adiantamento, com o objetivo de ser incluído posteriormente no Orçamento Geral do Estado. Por agora, não se conseguiu isso, mas isto tudo vem ao encontro daquele processo de trabalho que a Confederação tem desenvolvido de forma a lentamente evidenciar a sua importância, junto do movimento associativo, independentemente de serem filiadas ou não. A Confederação faz parte do Conselho Económico e Social, e em sede própria têm-se colocado permanentemente estas necessidades de apoio ao movimento associativo, e a nível superior ninguém pode dizer que desconhece esta realidade. O que é que a imensa maioria dos municípios fez? Como tinham muitos contratos-programa com as coletividades, fizeram na maioria dos casos o adiantamento de valores dos protocolos, ou seja, o que era para irem entregando durante um ano, adiantaram aquele apoio. Muitas coletividades desconhecendo, ou não percebendo bem o que se estava a passar aceitaram, mas depois nos meses seguintes vem a fatura na mesma, e o dinheiro que receberam que era para a execução de uma determinada atividade, já foi! E as dificuldades e os problemas continuam à mesma. Agora, há muitos municípios a nível do país que fizeram bons programas de apoio de forma a chamarem a si despesas, que também, de certa forma, não eram da responsabilidade do município, pois é um facto que o governo central devia prestar maior atenção ao movimento associativo, e que devia encaminhar as respetivas verbas de reforço para os municípios. Para nós neste plano, não é nossa intenção estar a criar dificuldades aos municípios por criar. É verdade que também há uma quantidade enorme de dirigentes associativos que também são autarcas, e percebem o que está aqui em causa.

(...)

leia esta entrevista na íntegra na edição impressa.

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Por: MB

 

 

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